Caros leitores,

aproveitei a viagem a trabalho ao Rio onde vim entrevistar os candidatos a prefeito e tirei uma folga neste final de semana para fazer algo que há muito tempo não conseguia: passar um final de semana com minha mulher passeando por esta cidade que continua maravilhosa, apesar de tudo.

Volto ao Balaio na segunda. Bom fim de semana a todos.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

RIO DE JANEIRO - Bastam dois dias trabalhando nesta belíssima cidade, para constatar que o trânsito aqui está ficando igual ou pior do que o de São Paulo.

Não tem mais hora nem lugar: o caos de carros, ônibus, táxis e lotações cruzando faixas em busca de um espaço livre dura o dia todo. Para cumprir os compromissos, é preciso sair uma ou duas horas antes, dependendo do lugar e, mesmo assim, corre-se o risco de chegar atrasado.

À confusão nos cruzamentos, que já faz parte do cenário urbano há tempos, em que sinais e faixas de trânsito parecem enfeites, juntaram-se as obras que estão por toda parte, como se a cidade inteira estivesse sendo reconstruída, tudo ao mesmo tempo.

Resultado: o humor do carioca também está ficando igual ou pior ao do paulista, todo mundo nervoso, com cara de cansado, não vendo a hora de sair do inferno dos congestionamentos.

A situação do trânsito carioca chegou a um ponto que já está preocupando as autoridades de segurança responsáveis pela Rio + 20, a conferência oficial da ONU sobre desenvolvimento sustentável, marcada para o período de 20 a 22 de junho.

"Ao fluxo de hoje na cidade, haverá acréscimo de veículos militares e das próprias autoridades. O trânsito pode não suportar, e o deslocamento das autoridades virar um problema", disse em entrevista ao jornal O Globo, o general Adriano Pereira Junior, comandante militar do Leste e coordenador da segurança do evento.

De 20 anos para cá, entre uma conferência e outra, mais do que dobrou a frota de veículos circulando pelo Rio, calculada hoje em 2,5 milhões. Para a proteção dos mais de 100 chefes de Estado e de Governo esperados para a Rio + 20, será mobilizado um efetivo de 20 mil integrantes das Forças Armadas, da Polícia Federal, das polícias civis e militar do Rio e da Polícia Rodoviária Federal.

Se o trânsito piorou muito desde a Rio 92, em compensação a segurança melhorou. Com a pacificação das favelas, a percepção de segurança de quem caminha pelas ruas é bem maior, como pude notar durante um passeio noturno pela avenida Atlântica, em Copacabana.

Quando as obras um dia ficarem prontas, talvez seja novamente possível continuar admirando as belezas do Rio também de dia sem ficar xingando o motorista do carro da frente ou o ônibus que te empurrou para o acostamento. Hoje, o paulistano que fechar os olhos, e ficar só ouvindo o barulho das buzinadas e das brecadas no trânsito, pode pensar que nem saiu de São Paulo.

http://r7.com/XKck