Na charge de Jean Galvão publicada nesta sexta-feira pela Folha, o técnico de televisão tentando consertar um aparelho de TV que está pegando fogo pergunta ao dono:

— O que você andou assistindo?

— Mensalão (leia aqui) e debate de candidatos.

supremo mensalao ok Como é duro ser repórter nestas horas

Pois foi exatamente o que fiz ontem das duas da tarde até a meia noite para acompanhar os dois eventos e poder cumprir meu dever de comentar sobre eles aqui no Balaio e no Jornal da Record News.

Confesso que não se trata de tarefa das mais agradáveis. Parece que passei o dia assistindo a filmes antigos ou a uma peça de teatro já encenada mil vezes. É duro ser repórter nestas horas.

No fundo, é mais ou menos disso mesmo que se trata, tanto no julgamento que começou na TV Senado como no debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo transmitido pela TV Bandeirantes: um teatro com personagens bem característicos, cada um querendo se destacar mais do que o outro para chamar a atenção da plateia.

debate 01 Como é duro ser repórter nestas horas

Como já escrevi sobre o julgamento no post anterior, vou pedir licença aos leitores para falar do que achei do debate, mesmo sabendo que poucos se interessaram pelo assunto, como pude aferir na minha pesquisa data-padaria hoje de manhã.

Mais previsível e sem surpresas do que um pão na chapa, só por dever de ofício mesmo aguentei ver quase até o final esta chatice do blá-blá-blá de oito candidatos se revezando na tela para me convencer que devo votar num deles. Ainda bem que eu voto no interior, aonde não tem debate nem propaganda eleitoral na TV...

Quem não conhecesse o histórico das figuras poderia imaginar que o tucano José Serra, sempre no ataque, era o candidato da oposição _ oposição ao PT, claro _ e o petista Fernando Haddad, sempre na defensiva, o candidato da situação, tentando explicar as taxas da Marta, a aliança com Maluf e o mensalão.

Correndo por fora, sem entrar em bolas divididas, Celso Russomanno, do PRB, e Gabriel Chalita, do PMDB, os outros dois candidatos que disputam uma vaga no segundo turno, desempenharam o papel de bons moços, conhecedores dos problemas da cidade, com todos os números na cabeça.

Por acaso ou não, Serra contou com alguns coadjuvantes para atacar o PT de Haddad e não bater de frente com o candidato.

Além da sempre fiel Soninha, do PPS, que foi subprefeita da Lapa na administração Serra-Kassab, trabalhou na campanha presidencial do tucano e depois arrumou uma boquinha no governo do Estado, quem mais se destacou neste papel foi o nanico ex-petista Carlos Giannazzi, do PSOL, que jogou Maluf e o mensalão no colo de Haddad, e um jovem repórter da Bandeirantes cujo nome não me lembro.

Haddad ficou isolado no palco, sem fazer tabelinha com ninguém, enfrentando sozinho os outros sete. Até o folclórico Levy Fidelix, do PRTB, e Paulinho da Força, do PDT, levantaram bolas para Serra. Apesar da ajuda, o tucano parecia estranhamente nervoso para quem já foi candidato tantas vezes e chegou a elogiar as "ideias arejadas" de Fidelix.

Pressionado, o petista não tocou no nome de Maluf, disse que suas alianças são com partidos e não com pessoas, e se limitou a defender a sua honestidade pessoal, lembrando que é professor de Ética da USP. Lula e João Santana, o marqueteiro do PT, vão ter muito trabalho para levantar esta candidatura até aqui estacionada nos 7%.

Se depender deste debate, ninguém vai subir nem cair nas próximas pesquisas _ não serviu rigorosamente para nada.

Por acaso algum leitor do Balaio assistiu ao debate para nos contar se surgiu qualquer ideia nova digna de registro que tenha me escapado?

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