Greves dos servidores públicos federais, dos mais diferentes setores, alastram-se por todo o país, e não há solução à vista. Segundo as centrais sindicais, já são mais de 300 mil funcionários parados, praticamente a metade do quadro de servidores civis da União.

O Ministério do Planejamento contesta estes números. O fato é que a multiplicação das greves constitui um problema da vida real dos brasileiros, que afeta o seu dia a dia, ao contrário de mensalão, CPI e eleições municipais, questões políticas que até aqui dominavam o noticiário, mas das quais o governo conseguiu ficar distante.

Com a inflação em alta e a queda na atividade econômica, há no momento uma conjugação de fatores negativos que fazem a presidente Dilma Rousseff enfrentar o maior desafio dos seus 19 meses de governo.

Se ceder aos grevistas, que já tiveram dois generosos pacotes de reajustes salariais nos últimos anos do governo Lula, isto vai pressionar ainda mais a inflação, outro problema que é sentido no cotidiano dos brasileiros.

De 2003 a 2012, os servidores do Executivo tiveram aumentos salariais de 170%. No mesmo período, o país registrou uma inflação acumulada de 70%.

De outro lado, se serviços públicos essenciais continuarem parados, isto representará um grande desgaste para o governo, preocupado em manter a dívida pública sob controle num contexto de crise econômica mundial, que já afeta o país.

É aquela velha situação do se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come. Para agravar o quadro, tivemos mais uma semana de impasse nas negociações, depois de Dilma colocar em campo diferentes interlocutores, a começar pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

Bombeiro de plantão no Palácio do Planalto, o secretário-greral Gilberto Carvalho foi chamado para dialogar com as centrais sindicais, mas a sua primeira intervenção, na quarta-feira, só colocou mais lenha na fogueira.

Vaiado e xingado de traidor num congresso de trabalhadores por manifestantes da CUT, o ministro, que sempre foi ligado ao movimento sindical, ouviu a platéia gritar "A greve continua. Dilma, a culpa é sua!" _  e respondeu no mesmo tom.

Sem diálogo, no fim da tarde foi chamada a polícia para evitar que os manifestantes subissem a rampa do Palácio do Planalto. Na mesma hora, no Rio, uma operação padrão de policiais rodoviários causou um enorme congestionamento de 20 quilômetros nos dois sentidos da Ponte Rio-Niterói.

Estradas em oito Estados também ficaram paradas pelo mesmo motivo. No aeroporto do Galeão, no Rio, agentes da Polícia Federal fizeram uma operação-padrão, infernizando a vida dos passageiros, e prometem fazer o mesmo nesta quinta-feira em São Paulo, no aeroporto de Cumbica, e no porto de Santos.

As universidades federais estão paradas já faz quase três meses. Remédios importados retidos em depósitos pelos orgãos sanitários começam a faltar nos postos de saúde.

Este foi um dos assuntos tratados por Dilma no encontro de mais de três horas que teve com o presidente Lula em São Paulo, na última segunda-feira. A presidente responsabilizou a CUT pelas greves dos servidores públicos que se ampliam em vários setores e os dirigentes sindicais se queixam da falta de diálogo com o governo.

No meio desta guerra de posições cada vez mais antagônicas, sobrou para o ministro Gilberto Carvalho. "Se eu fosse presidente, destituía o ministro", afirmou o novo presidente da CUT, Vagner Freitas, algo até há pouco inimaginável nas relações entre o governo petista e as centrais sindicais.

Em casa onde falta pão, como se dizia antigamente, todo mundo reclama e ninguém tem razão. E na sua cidade, o que está acontecendo?. Os leitores poderiam contribuir com o Balaio contando de que forma as greves do funcionalismo estão afetando o seu dia a dia. Escrevam!

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