Tem toda razão o leitor Rodrigo Souza que me fez essa pergunta em comentário enviado no último sábado, às 21h40:

"Kotscho, tudo bem que a gente gosta de política... Mas cadê as reportagens, repórter?"

O pior, meu caro Rodrigo, é que eu nem gosto muito de fazer cobertura política, e sinto uma falta danada de sair por este nosso Brasilzão velho de guerra para garimpar histórias de personagens anônimos e descobrir novos lugares onde a vida está acontecendo.

Durante a maior parte desta minha já longa vida de jornalista, foi isso: pegar um fotógrafo e um motorista ou uma passagem de avião e cair no mundo em busca de novidades, surpreender o leitor com fatos da vida real dos brasileiros que não costumam ter espaço na mídia.

Consegui assim ganhar a vida fazendo o que gosto, longe dos gabinetes e das redações. Nos tempos em que não havia celular nem internet, a gente tinha que ir lá, gastar sola de sapato e suar a camisa para fazer o que se convencionou chamar de reportagem.

O problema é que o tempo passa e as circunstâncias mudam, independentemente da nossa vontade. Desde que virei blogueiro, sete anos atrás, sempre procurei variar os assuntos e alternar textos de análise com reportagens, matérias, entrevistas, relatos de viagem, como fazia na imprensa de papel.

Aos poucos, porém, fui notando pelos comentários de vocês e por medições de audiência que os leitores preferem os temas políticos. Não adianta servir sachimi se o freguês quer comer feijoada e vice-versa. Reportagens continuei fazendo para a revista mensal Brasileiros, que agora em agosto está completando cinco anos nas bancas, um verdadeiro milagre.

Mas confesso a você e aos demais leitores deste Balaio que, ultimamente, depois de vários acidentes e cirurgias, já vinha enfrentando dificuldades físicas para fazer o meu trabalho com o mesmo pique e entusiasmo de antes. Pois é, já não sou um garoto... Voltava das viagens cansado e alquebrado, prometendo a mim mesmo que aquela tinha sido a última. Nunca me conformei em fazer um trabalho meia boca só para cumprir a pauta.

Nosso País é muito grande e os caminhos para fazer uma boa reportagem exigem, acima de tudo, um bom preparo físico. É uma mistura de gincana com maratona, não é fácil. Por isso mesmo a boa e velha reportagem rareia na nossa imprensa. Dá trabalho.

No ano passado, surgiu a oportunidade de encarar um novo desafio profissional ao ser convidado para fazer comentários políticos no Jornal da Record News, compromisso que me prende em São Paulo e impede de fazer viagens mais longas.

Desta forma, foi juntando a fome com a vontade de comer e, quando me dei conta, cá estou eu fazendo hora sem poder sair de casa só esperando o início da transmissão pela TV Senado, daqui a pouco, de mais uma sessão do julgamento do processo do mensalão.

Tem certos assuntos dominantes, como esse, que a gente não pode abandonar pelo meio. É como uma novela: a cada dia tem um capítulo novo e todo mundo quer saber como vai terminar. Os leitores têm o direito de ler e eu a obrigação de comentar o que penso a respeito, por mais que preferisse falar de futebol ou do belo almoço de domingo com a familia na praia.

Para matar a minha saudade e a de leitores como o Rodrigo Souza, no próximo fim de semana darei uma escapada para voltar a fazer  reportagem. Vou a Pernambuco, junto com um velho parceiro, o fotógrafo Hélio Campos Mello, editor da "Brasileiros", mas o assunto ainda é política: a eleição municipal que está pegando fogo no Recife. Fazer o quê? Tem eleição este ano, além de mensalão, CPI do Cachoeira...

É a vida que segue do jeito que Deus mandou dar. Com certeza, pelo menos, vou ter boas histórias para contar na volta. Aguardem!

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