Joaquim Barbosa Ag Votos de Rosa e Fux deixam defesa pessimista

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Após os votos de Rosa Weber e Luiz Fux, "piorou muito a situação de todos os réus", avaliou um dos principais advogados de defesa no julgamento do mensalão, com quem conversei na manhã desta terça-feira, após os votos de Rosa Weber e Luiz Fux, que pediram a condenação de João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara e candidato à prefeitura de Osasco.

Se foram tão duros contra os réus os votos dos dois mais novos ministros do Supremo Tribunal Federal, nomeados pela presidente Dilma Rousseff, que ainda não estariam contaminados pelo clima pró-condenação criado no tribunal desde a aceitação da denúncia, o advogado ouvido pelo Balaio ficou bem pessimista sobre o que pode acontecer daqui para a frente.

Weber, Fux e também a ministra Carmem Lúcia foram bastante incisivos em rejeitar a tese do "caixa dois" e a necessidade de "atos de ofício", a linha central da defesa, e em aceitar as provas testemunhais apresentadas tanto pelo promotor-geral Roberto Gurgel como pelo relator Joaquim Barbosa, que pediram a condenação de todos os réus, com exceção do ex-ministro Luiz Gushiken, já absolvido.

Pelo que se viu ontem, com os quatro primeiros réus já condenados (Marcos Valério, seus dois sócios e um ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato), Barbosa venceu claramente o embate com o revisor Ricardo Lewandowski, que aceitou os argumentos da defesa e pediu a absolvição de João Paulo Cunha na semana passada, abrindo caminho para uma enxurrada de condenações.

O voto solitário de Dias Toffoli acompanhando o revisor pode ser o único até o final do processo,  mesmo porque o ministro, cuja participação no julgamento foi contestada até a véspera, por suas ligações com o PT, ajudou pouco a melhorar a situação dos réus. Toffoli foi bastante tímido ao proferir seu voto, sem tirar os olhos do papel, e pouco convincente ao pedir a absolvição de João Paulo, como se estivesse apenas cumprindo uma tarefa.

A condenação por 4 votos a 2 do ex-presidente da Câmara, ao final da 15ª sessão do julgamento, pode sinalizar qual será o comportamento do tribunal daqui para a frente quando forem analisados os casos de outros políticos por ministros mais antigos que acolheram a denúncia da Procuradoria Geral da República no início do processo.

Apanhados de surpresa e sabendo que não há mais muito a fazer, a maioria dos advogados deixou o tribunal na segunda-feira em meio à sessão e, diante da tendência que vem se formando pela condenação dos réus, já nem tem muita importância o voto de Cesar Peluzo, que se aposenta esta semana.

Peluzo será o primeiro a votar quando os trabalhos do STF forem abertos nesta quarta-feira e tudo indica que ele não pedirá para antecipar seu voto completo antes que o relator e o revisor o façam, para evitar contestações que possam atrasar o julgamento. Parece que agora todos estão com pressa para chegar logo ao fim do processo.

"Voto com o relator" é, ao que tudo indica, a frase que mais se deve ouvir nos próximos dias de julgamento. Joaquim Barbosa já não consegue esconder seu contentamento a cada voto dado pela condenação dos réus.

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