PT Rachas do PT ressuscitam a oposição

Em tempo (atualizado às 16 horas):

O Ibope divulgou nova pesquisa sobre as eleições no Recife agora há pouco: o candidato do PSB, Geraldo Júlio, apadrinhado do governador pernambucano Eduardo Campos, chegou aos 33% e, pela primeira vez, passou à frente do petista Humberto Costa, candidato de Lula, que caiu para 25%. No Datafolha da semana passada, eles estavam empatados em 29%.

Os novos números apenas confirmam a análise que faço no texto abaixo sobre os prejuízos causados  pelas divisões internas do PT nesta campanha eleitoral. Agora, a única capital onde o PT lidera as pesquisas é Goiânia.

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Os rachas internos, que assolam o PT praticamente desde a sua fundação, deram uma trégua quando o partido chegou ao poder central com Lula, em 2003, mas agora voltaram com toda força e estão na raiz dos problemas enfrentados nas eleições desde ano.

Os números das últimas pesquisas nas capitais divulgados na semana passada mostram que, neste momento, o PT lidera apenas no Recife, onde está empatado com o ex-aliado PSB, e em Goiânia.

Resultado: a oposição demotucana, que estava quietinha no seu canto, quase agonizando, respirando por aparelhos fornecidos pela grande imprensa, lidera as pesquisas em oito capitais, segundo levantamento publicado neste domingo pelo "Estadão".

A última esprança dos partidos de oposição e da imprensa aliada para enfrentar a hegemonia petista estava no julgamento do mensalão, mas não foi só isso que a fez ressuscitar.

Foram os erros sucessivos da direção nacional do PT, agindo de forma autoritária e com atraso, desprezando aliados, mais do que o tiroteio jurídico-midiático do mensalão nas últimas semanas, que deram um novo fôlego ao PSDB e ao DEM.

O melhor exemplo do que estou dizendo vem daqui mesmo de São Paulo, onde o petista Fernando Haddad começou a subir nas pesquisas, enquanto o tucano José Serra despencava, exatamente quando começaram a ser anunciadas as primeiras condenações no mensalão.

Uma vitória de Haddad em São Paulo, onde Lula joga todos os seus trunfos, passou a ser a grande esperança do PT contra o crescimento dos demotucanos.

O caso mais emblemático dos prejuízos provocados pelas disputas internas do PT é o do Recife, mas o problema se repete em outras capitais.

Com índices de rejeição kassabianos, o prefeito petista João da Costa queria porque queria  ser candidato à reeleição. Sem conseguir unir nem o próprio partido, o que levou a uma tardia intervenção da direção nacional, cancelando as prévias, Costa acabou provocando a implosão da Frente Popular do Recife, uma coligação de 18 partidos, que tem suas origens na década de 1950.

Fiel aliado do governo federal, Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, se viu obrigado, em cima da hora, a lançar candidato próprio, o seu ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Geraldo Júlio. "Nós não podíamos correr o risco de devolver o poder à direita", disse-me Campos, na semana passada, ao justificar sua decisão de romper com o PT no Recife.

Na sequência, 14 dos 18 partidos da Frente Popular ficaram com o PSB e o PT só conseguiu fazer aliança com o PP e dois nanicos. Lançado candidato pela direção nacional e por Lula, o senador Humberto Costa, que disputa sua sétima eleição majoritária, chegou a ter mais de 40% nas primeiras pesquisas, mas no último Datafolha já estava empatado em 29% com o estreante Geraldo Júlio.

O temor demonstrado por Eduardo Campos está sendo confirmado pelas pesquisas: a oposição lidera em cidades importantes como Salvador, com ACM Neto, do DEM; em Manaus, com Artur Virgílio, do PSDB, e em Fortaleza, com Moroni Torgan, também do DEM.

Os tucanos estão na frente ainda em Maceió, Teresina e Vitória. Em Belo Horizonte, em aliança com o PSB, os tucanos também lideram as pesquisas com o prefeito Márcio Lacerda, que tem 46%, contra o petista Patrus Ananias, ex-ministro de Lula, com 30%.

Depois de Dilma anunciar que pretendia manter distância da campanha eleitoral, deixando as articulações com os aliados para Lula, Belo Horizonte foi a única capital onde a presidente se viu obrigada a intervir diretamente para montar a chapa do PT, em aliança com o PMDB de Michel Temer, para enfrentar Aécio Neves, provável adversário tucano em 2014.

Para isso, determinou ao ministro Fernando Pimentel, articulador da aliança do PT com Aécio Neves, que elegeu Lacerda em 2008, que fosse a Belo Horizonte apoiar Patrus, seu adversário interno no partido.

Em Fortaleza, a prefeita Luizianne Lins, ao final do segundo mandato, impôs o nome de Elmano de Freitas, que não foi aceito pelo governador Cid Gomes, o que fez o ex-aliado PSB lançar Roberto Cláudio. Com a divisão, quem saiu na frente nas pesquisas foi o ex-deputado federal Moroni Torgan, do DEM, pela quarta vez candidato a prefeito.

Já em Salvador, na Bahia governada pelo petista Jaques Wagner, Nelson Pelegrino, também candidato pela quarta vez, não sai dos 13%, segundo o Ibope, contra 40% de ACM Neto, outro que está sendo ressuscitado na "onda direitista".

Em Belém, foi também um racha do partido que levou o ex-prefeito Edmilson Rodrigues para o PSOL. Rodrigues lidera as pesquisas com 37% e o PT não aparece entre os três primeiros colocados.

No mês decisivo da campanha eleitoral, a esperança dos petistas para mudar este cenário reside mais uma vez na popularidade de Lula, onipresente nos programas eleitorais na televisão, mas que até agora só foi fazer campanha em Belo Horizonte.

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