De onde vêm os votos do ex-deputado federal Celso Russomanno, do PRB, que já foi tucano e malufista, o grande fenômeno eleitoral desta campanha em todo o País, um candidato que não para de subir desde a divulgação das primeiras pesquisas?

No novo Datafolha divulgado nesta quarta-feira (5), Russomanno, que subiu mais 4 e chegou aos 35%, abriu 14 pontos de vantagem sobre o tucano José Serra, e 19 sobre o petista Fernando Haddad, mas, nas projeções para o segundo turno, a sua vantagem sobre os outros candidatos é ainda maior.

Esta é a grande novidade da pesquisa, que pela primeira vez divulga simulações de segundo turno entre os três que ainda disputam as duas vagas (são 12 no total os candidatos na eleição paulistana).

Russomanno açougue matéria De onde vêm os votos de Russomanno?

Com sua vaga praticamente garantida, Russomanno derrotaria os dois por goleada: 58 a 30 contra Serra e 56 a 30 contra Haddad. Numa disputa entre PT e PSDB, Haddad derrotaria Serra por 46 a 37. Na pesquisa Ibope sobre o segundo turno divulgada na semana passada, Russomanno ganharia de Serra por 51 a 27.

A cada nova pesquisa, o candidato do PRB consolida sua liderança e desmente todas as previsões de que era uma onda passageira, só fogo de palha antes que a campanha começasse para valer com o início do horário eleitoral gratuito na televisão.

E os analistas de plantão, sem entender o que está acontecendo, procuram novas razões para explicar a força de Russomanno, além do fato de ele ser um profissional de televisão, que há anos atua na área de defesa do consumidor, candidato de um pequeno partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e à TV Record.

Fosse tão simples assim, Faustão, Gugu ou Silvio Santos seriam imbatíveis em qualquer disputa eleitoral, e o líder disparado nas pesquisas seria o tucano José Serra, com muito mais tempo de exposição na televisão do que Russomanno, apoiado por todas as outras emissoras, rádios, jornais e revistas, e um balaio de igrejas das mais diferentes denominações.

Arrisco-me a apontar outros motivos para entender o fenômeno Russomanno. O principal deles é que o candidato azarão conseguiu romper a polarização entre PT e PSDB, os dois maiores partidos da cidade, que vêm se revezando à frente da prefeitura nos últimos anos, ao tirar votos petistas, que seriam de Fernando Haddad, e votos antipetistas, antes cativos de José Serra.

No eterno Fla-Flu entre petistas e tucanos já mostrando fadiga de material, o candidato do PRB abriu uma avenida para recolher os votos dos descontentes com os grandes partidos, sem bater de frente com nenhum dos dois, e se apresentando como o candidato da mudança no momento em que é maior a rejeição à administração Serra-Kassab, um afundando o outro.

Enquanto Serra é disparado o dono do maior índice de rejeição, com 42% dos eleitores que não votariam nele de jeito nenhum, contra apenas 12% de Russomanno, o prefeito Gilberto Kassab, seu fiel parceiro, bateu novo recorde no Datafolha, chegando a 48% de ruim e péssimo.

Alguns números do Datafolha mostram como Russomanno avança nos eleitorados tanto de Serra como de Haddad, que se atacam mutuamente nos programas de TV, e deixam Russomanno, que não ataca ninguém, correndo solto.

Assim, ele conquistou 40% dos votos de quem reprova a administração de Serra-Kassab, enquanto Haddad tem apenas 17% deste contingente de eleitores. Da mesma forma, o candidato do PRB tem 43% entre os que simpatizam com o PT, e Haddad fica com 11%. E, para completar, Russomanno já conta com 29% do eleitorado antipetista, pouco menos do que Serra, que tem 32%.

O candidato do PRB avançou principalmente nos redutos petistas das extremas periferias das zonas leste e sul, que votaram em Marta Suplicy nas últimas eleições. A anunciada entrada da ex-prefeita na campanha torna-se agora vital para Haddad recuperar os votos perdidos para Russomanno nestas áreas.

Para entender o que se passa, é preciso lembrar que, no início do ano, Gilberto Kassab cortejou Lula para fazer uma aliança com o PT e chegou a ser homenageado na convenção nacional do partido. Fica mais difícil agora Haddad encarnar o papel de candidato da oposição atacando um prefeito com quem quase se aliou e que é cria de Paulo Maluf, que apoia o PT.

Serra só decidiu ser candidato e ir para o sacrifício mais uma vez exatamente para impedir esta aliança do PSD de Kassab com o PT de Lula. A esta altura, deve estar profundamente arrependido, pois corre o risco, antes impensável, de ficar até fora do segundo turno.

Sobre a possibilidade de mudança neste cenário, é bom registrar que, na pesquisa espontânea, 40% dos eleitores ainda não souberam definir seus candidatos.

Denúncias sobre a atuação parlamentar e empresarial de Celso Russomanno pipocam todos os dias na imprensa, mas até aqui, como se pode constatar no Datafolha, não tiveram nenhuma influência no eleitorado, assim como os dois debates já promovidos na televisão.

Com Serra caindo para 21% e Haddad subindo para 16%, um empate técnico dentro da margem de erro de três pontos, no último mês de campanha, está-se fechando a "boca do jacaré" nas curvas nas pesquisas que vão apontar qual deles disputará com Russomanno o segundo turno em São Paulo.

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