Propaganda eleitoral Marqueteiros, pesquisas e tempo de TV

Me dá um bom tempo de televisão e recursos para produzir o programa que eu garanto a vitória do teu candidato.

Esta é a receita básica dos marqueteiros de norte a sul do País em época de safra eleitoral. Para isso, os partidos fazem qualquer tipo de aliança, à esquerda e à direita, e as campanhas vão ficando cada vez mais caras, umas iguais às outras.

Se fosse tão simples assim, todas as disputas terminariam empatadas, já que os maiores partidos do país confiam cegamente nesta fórmula milagrosa e fazem qualquer negócio para atender aos caprichos dos marqueteiros, que se tornaram os grandes estrategistas na batalha pelo voto.

Os magos só se esquecem de um detalhe fundamental: a relação do candidato com o eleitor, cada vez mais autônomo, informado e com vontade própria, tendo como pano de fundo o momento que o país está vivendo.

As tão valorizadas pesquisas qualitativas, que procuram sondar os sentimentos e desejos do eleitor, e a partir delas orientar as campanhas com base em dados científicos, também acabam tendo um efeito de soma zero, já que todas apontam, eleição após eleição, os mesmos problemas: saúde, educação, segurança, moradia e trânsito/transporte público, área rebatizada agora para mobilidade urbana.

Em São Paulo, com base nestas verdades absolutas e ligando o piloto automático para fazer seus diagnósticos, analistas e marqueteiros davam de barato que tudo mudaria com o ínicio do horário eleitoral no rádio e na TV.

Com quatro vezes mais tempo de televisão (oito minutos contra dois) do que Celso Russomanno, do pequeno PRB, que para espanto geral vinha liderando todas as pesquisas, os candidatos do PT e do PSDB mais uma vez polarizariam a disputa paulistana e o azarão despencaria, inapelavelmente, nas pesquisas.

Aconteceu o contrário: Russomanno não parou de subir, enquanto o tucano José Serra descia ladeira abaixo e o petista Fernando Haddad, mesmo com o apoio de Lula, Dilma e Marta, não subia conforme o planejado.

Enquanto os marqueteiros do PT e do PSDB jogavam tudo nas pesquisas e na televisão, só esperando o início do horário eleitoral para correr para o abraço, Russomanno estava desde o começo do ano gastando sola de sapato em suas andanças pela cidade para ouvir pessoalmente os reclamos dos eleitores. Em seu programa de TV, optou pelo jornalismo em lugar da propaganda.

A 20 dias das eleições, o candidato do PRB está praticamente garantido no segundo turno e os favoritos Serra e Haddad atacam-se mutuamente na disputa pela segunda vaga.

Nestas horas, vão para o ralo todas as pesquisas, os programas de governo cuidadosamente montados com computação gráfica e os comerciais de cinema, e entra em cena o velho vale-tudo, com golpes abaixo da cintura.

Como explicar a perplexidade geral diante da liderança de Russomanno? De uma hora para outra, sem encontrar respostas nas pesquisas, os adversários descobriram que o motivo não é político, mas religioso: o PRB é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e, portanto, tem o apoio dos seus fiéis.

Até o chefe da igreja católica, o apagado d. Odilo Sherer, entrou nessa história. Só se esqueceu de um pequeno detalhe: segundo o Censo 2010 do IBGE, são 6,5 milhões de paulistanos que se dizem da Igreja Apostólica Romana, enquanto apenas 126 mil se declaram fiéis da IURD.

Sob o pretexto de responder a Marcos Pereira, presidente do PRB e bispo licenciado da IURD, chefe da campanha de Russomanno, que é católico, por conta de um artigo sobre o "kit gay" publicado no seu blog _ há mais de um ano, em maio do ano passado_, d. Odilo saiu dos seus cuidados. E mandou os padres de suas 300 igrejas lerem no domingo durante a missa um texto no qual critica a "manipulação política da religião".

Entre os 587 comentários publicados no portal do "Estadão" sobre o assunto, o jornal destaca em sua edição desta segunda-feira um sábio conselho da leitora Elisabete Passos:

"Com todo respeito ao arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer: se política e religião não se misturam, por favor, fique fora disso".

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