Lula e Dilma Preocupação de Dilma é com o amigo Lula

Imagem: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Em meio ao julgamento e às condenações do mensalão e na reta final da campanha eleitoral, às voltas com questões jurídicas que podem atrasar o anúncio de novos investimentos em portos e aeroportos, o que só deve acontecer após as eleições, a presidente Dilma Rousseff tem se mostrado muito preocupada mesmo é com o seu amigo e ex-presidente Lula.

Os dois têm se falado com frequência por telefone e se encontram pessoalmente pelo menos uma vez a cada 15 dias, como fazem desde a posse de Dilma.

Dilma está convencida de que foi desencadeado um forte movimento para desconstruir a imagem de Lula e do seu governo,  exatamente na fase decisiva da campanha, no momento em que o PT enfrenta dificuldades nas principais capitais do País, a começar por São Paulo.

Com Lula sob fogo cruzado da imprensa e a saúde ainda não totalmente recuperada das sequelas do tratamento contra o câncer na laringe, Dilma aos poucos começou a se envolver mais na campanha eleitoral na tentativa de ajudar o partido e o amigo ex-presidente.

Apesar das restrições físicas, Lula foi à luta e voltou aos palanques como nos velhos tempos, embora agora fale menos, na tentativa de reverter no gogó o quadro eleitoral.

Na sexta-feira à noite, fez comício em Salvador; na manhã de sábado, já estava em Feira de Santana, no interior da Bahia e, no mesmo dia, ainda discursou em dois comícios na zona sul de São Paulo.

Foi por isso que Dilma resolveu também entrar na campanha. Já gravou participações na TV para as campanhas de Fernando Haddad, em São Paulo, Patrus Ananias, em Belo Horizonte, e Nelson Pelegrino, em Salvador, onde o PT ainda mantém chances contra ACM Neto, do DEM, que lidera as pesquisas, mas com a diferença diminuindo.

Ainda não existe nada certo, nem data, mas Dilma está disposta a subir num único palanque antes do dia 7 de outubro — o de Fernando Haddad, já que ir para o segundo turno em São Paulo virou uma questão de honra para Lula e o PT.

O ponto fora da curva neste empenho eleitoral da presidente Dilma foi se ver forçada a antecipar a nomeação da ex-prefeita Marta Suplicy para o Ministério da Cultura, por pressão da própria, logo após a entrada da senadora na campanha de Haddad, o que deu muito na vista, e pegou mal.

A ida de Marta para o ministério estava inicialmente prevista para após as eleições, no bojo de uma reforma mais ampla, que deve ocorrer só no início do próximo ano.

Até porque, começando a montar sua equipe e a tomar pé da situação no Ministério da Cultura, a ex-prefeita terá menos tempo para ajudar Haddad em suas andanças pelas periferias paulistanas, onde é mais necessária a sua presença.

Na primeira eleição que enfrenta após a sua posse, com índices preocupantes na área econômica, a presidente Dilma tem diante de si o desafio de ajudar o PT num momento delicado e, ao mesmo tempo, não desagradar os partidos da sua base aliada.

Não é fácil ser presidente (ou presidenta, como ela prefere) do Brasil.

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