montagem kotscho  Segundo turno afasta mais o PT e o PSB

Bem que o comando político do Palácio do Planalto tentou promover a reaproximação do ex-presidente Lula com o governador pernambucano Eduardo Campos, depois das acirradas disputas entre PT e PSB no primeiro turno, em Recife, Belo Horizonte e Fortaleza, que deixaram sequelas, a partir do momento em que os dois antigos aliados resolveram lançar candidatos próprios nessas capitais.

A bandeira branca seria sinalizada com a participação de Campos no comício de Fernando Haddad, neste fim de semana, em São Paulo, ao lado da presidente Dilma Rousseff e de Lula. Nada deu certo nessa articulação porque, segundo um interlocutor, "é difícil lidar com duas entidades".  Os dois velhos amigos continuam sem se falar desde julho.

As vitórias do PSB em Recife e em Belo Horizonte alçaram Campos ao primeiro plano da política nacional e desencadearam uma disputa entre petistas e tucanos pelo partido que mais cresceu nestas Eleições municipais, todos já de olho em 2014.

Nos seus principais movimentos do segundo turno, ao mesmo tempo em que reiterava sua fidelidade a Dilma, na prática o governador pernambucano foi-se afastando do aliado federal e se aproximando cada vez mais do PSDB, que já tinha sido seu aliado contra o PT na disputa em Belo Horizonte.

Eduardo Campos não só não virá a São Paulo para o comício de Haddad no sábado, como subirá ao palanque ao lado do senador Aécio Neves, virtual candidato do PSDB em 2014. Vai ser amanhã em Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde o tucano dará seu apoio ao candidato do PSB.

Na terça-feira, o governador já havia ido a Campinas, no interior paulista, um dos principais campos de batalha com o PT nesse segundo turno, onde seu partido também está aliado aos tucanos. Lá Campos fez duras críticas ao PT. Por isso, Dilma decidiu acrescentar Campinas em sua agenda de comícios no sábado.

E depois de Lula anunciar que vai ao comício do PT em Fortaleza, na terça-feira, para apoiar Elmano de Freitas, Campos também decidiu ir para ajudar o candidato do seu partido, Roberto Cláudio.

Resultado: ao mesmo tempo em que o PSB se afasta, fazendo as primeiras manobras para levantar voo próprio, mais se consolida a aliança entre Dilma e o PMDB do vice Michel Temer, já acertando os ponteiros para repetir a chapa na sucessão presidencial daqui a dois anos.

Dilma e Campos só devem se encontrar depois de passadas as Eleições e concluído o julgamento do mensalão, eventos que vão acontecer ao mesmo tempo, como estava programado.

Nas semanas seguintes, a presidente terá que abrir espaço em sua agenda para ver com quem poderá contar na base governista para seguir com ela até 2014. É a partir dessas conversas que devem acontecer mudanças na Esplanada dos Ministérios, onde o PMDB já avisou que quer mais espaço.

Faltam dez dias para o segundo turno das Eleições de 2012 e a campanha de 2014 já começou.

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