A apenas 72 horas das eleições do segundo turno em São Paulo, as últimas pesquisas Datafolha e Ibope dão ampla vantagem a Fernando Haddad, do PT, mas o candidato José Serra, do PSDB, continua no ataque para tentar virar o jogo a qualquer preço.

Os números das duas pesquisas divulgadas na noite de quarta-feira mostram um quadro estável em relação à semana passada, apesar da intensa campanha negativa desfechada pelo tucano contra o petista nos últimos dias.

Tanto no Datafolha como no Ibope, Haddad manteve os mesmos 49% de intenção de votos na pesquisa estimulada. No Datafolha, Serra subiu de 32% para 34%, dentro da margem de erro de dois pontos. No Ibope, foi de 33% para 36%, também dentro da margem de erro, que é de três pontos neste instituto.

Em votos válidos, Haddad ganha por 60% a 40% no Datafolha, exatamente os mesmos índices da semana passada, enquanto no Ibope este índice ficou em 57% a 43%.

O que torna uma virada de Serra praticamente inviável não é nem a diferença que o separa de Haddad nestas pesquisas, mas o seu índice de rejeição, que se manteve em estratosféricos 52% no Datafolha. Para ganhar a eleição, como se sabe, um candidato precisa de 50% mais um dos votos válidos.

O número de eleitores que declararam não votar de jeito nenhum no candidato do PSDB é 18 pontos maior do que o seu índice de intenção de votos na pesquisa estimulada. Se não conseguiu diminuir até agora a própria rejeição, Serra viu aumentar a do adversário em apenas dois pontos, de 34% para 36%.

O que fazer diante de um quadro tão desfavorável? Esgotado todo o arsenal de mensalão e ameaça de caos na saúde empregado na sua propaganda no rádio e na televisão, com o prestimoso apoio da imprensa aliada, o candidato tucano resolveu partir para a guerrilha.

Bairros da periferia como Itaim Paulista, M´Boi Mirim e Cidade Tiradentes, tradicionais redutos do PT, amanheceram, segundo a Agência Estado, com 100 mil panfletos do PSDB acusando Haddad de querer acabar com os convênios entre organizações sociais e unidades públicas de saúde, a bandeira que Serra desfraldou nesta reta final de campanha.

A disputa entre PT e PSDB agora se dá nas ruas, no corpo a corpo com os eleitores, e é simplesmente impossível prever como poderá influir nos resultados de domingo. Os petistas despacharam militantes para os mesmos bairros para tranquilizar trabalhadores da saúde e pacientes, na tentativa de desmentir as ameaças feitas pelos tucanos.

Neste clima de vale-tudo, do tudo ou nada, a campanha termina oficialmente nesta sexta-feira, com o último debate entre os dois candidatos na televisão, marcado justamente na emissora que passou a semana dedicando a maior parte dos seus telejornais a fazer cobertura e retrospectivas do julgamento do mensalão.

Só uma parte do script não deu certo: com as divergências crescentes entre os ministros do Supremo Tribunal Federal na aplicação das penas, o final do julgamento atrasou, e não foi possível, como era previsto, casá-lo com a antevéspera das eleições.

Mais do que nunca, é bom lembrar nesta campanha eleitoral do bordão do velho Chacrinha, "um programa que só acaba quando termina".

Com Serra na parada e a mídia que temos, tudo pode acontecer.

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