Violência em São Paulo A violência fora de controle em São Paulo

Foto: Cristiano Novais/CPN/AE

Carcaças de ônibus queimados, policiais, bandidos e inocentes assassinados, corpos sendo recolhidos nas ruas, toques de recolher, bairros sem transporte, escolas sem aulas, o medo e o desespero por toda parte.

Parece que estamos falando da Síria, mas estas cenas e sentimentos já fazem parte da rotina de quem vive na área metropolitana de São Paulo. Dia após dia, noite após noite, os números da violência vão aumentando.

Na última madrugada, de sexta para sábado, foram mais cinco mortos e dois feridos a bala, e outro ônibus incendiado nesta guerra sem fim entre a PM e o PCC.

A colega Vanessa Beltrão, do R7, contabilizou mais de 200 mortos a tiros desde o começo de outubro. Apenas entre a noite de quinta e a manhã de sexta, 15 pessoas foram assassinadas e outras 12 baleadas, menos de 24 horas depois de o governador Geraldo Alckmin garantir que a situação estava sob controle:

"As mortes já estão em processo de queda. Eu tenho um acompanhamento diário, elas já estão em um ritmo bem menor. Tem coisa que não tem ligação com o crime organizado".

Se o governador Alckmin e o seu secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, nomeado por José Serra, há seis anos no cargo, fossem menos autosuficientes e arrogantes, certamente muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas.

Em junho, antes que a atual onda de violência fosse deflagrada, a Polícia Federal avisou o governo de São Paulo que os líderes do PCC estavam preparando ataques a policiais, segundo informam os repórteres Marco Antônio Martins e Rogério Pagnan, na "Folha".

"As informações foram repassadas diretamente pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto. O secretário, no entanto, nega ter recebido esta informação", relata a matéria.

Interceptações telefônicas feitas desde fevereiro do ano passado já revelavam que os chefões do PCC comandavam o tráfico de drogas e armas de dentro da Penitenciária de Presidente Prudente, mas o governo do Estado só concordou esta semana em aceitar a ajuda do governo federal para uma ação conjunta contra os criminosos.

O primeiro passo está sendo dado agora com o envio destes líderes da organização criminosa para presídios federais de segurança máxima bem longe de São Paulo, mas as pessoas continuam morrendo na maior cidade do país. Até quando? Já deveriam ter feito isso aqui há muito tempo, como ocorreu em outros Estados.

Ninguém fala de outra coisa, cada um tem sua própria história para contar. "Eu fiquei tão apavorado no ponto do ônibus, que peguei o primeiro que passou, e nem era o meu, só para escapar dali", ouvi esta manhã de um funcionário do Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, que estava numa roda com outros colegas relatando seus dramas para chegar ao trabalho e voltar para casa com vida.

violência em SP A violência fora de controle em São Paulo

Foto: Cristiano Novais/CPN/Estadão Conteúdo

Com tiroteios em volta dos pontos de ônibus, ruas fechadas pela polícia, o trânsito cada dia mais caótico, quem mora longe sofre mais na "cidade dividida" de que fala o prefeito eleito Fernando Haddad, mas o clima de pavor se alastrou por toda parte.

Chegaram a comentar que os ataques do PCC e a legião de mortos que deixaram pelo caminho estavam relacionados com a campanha eleitoral, mas o número de assassinatos só fez aumentar depois do fechamento das urnas.

O pior que se pode fazer numa situação como essa é querer politizar e partidarizar este problema que atinge a todos nós, ou querer minimizar o que está acontecendo, como fazem as autoridades estaduais.

Em declaração feita a Vanessa Beltrão, publicada hoje aqui no R7, José Vicente da Silva, ex-secretário nacional de segurança pública e atual professor do Centro de Altos Estudos de Segurança da PM, chegou a colocar a culpa na imprensa:

"A sensação de insegurança não tem vinculação tão direta e clara com a incidência criminal, mas sim pela maneira como a mídia coloca isso".

E pensar que o nome deste professor, segundo a "Folha", chegou a ser cogitado pelo governador Geraldo Alckmin para substituir Antonio Ferreira Pinto na Secretaria de Segurança Pública. Assim, não há risco de a situação melhorar e podermos voltar a viver em paz.

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32 Comentários

"A violência fora de controle em São Paulo"

10 de November de 2012 às 13:53 - Postado por rkotscho

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Comentários
  • Edu
    - 14 de novembro de 2012 - 15:42

    @ Denise Moreira, que boca maldita vc tem, foi só dizer qu SC é exemplo e o caos social se instaurou no seu estado, que tragédia, sua praga pega e fica viu. "SP tem que aprender com outros estados de sucesso,como o meu, SC- o estado com a menor criminalidade do país. Só que paulista é muito arrogante e tenta minimizar a coisa procurando mencionar crimes de outros estados, para desfocalizar o problema". Vira essa boca pra lá! E resolva o problema da violência aí. Obs.: Santa Catarina só tem um município com menos violência que os municípios paulista, é a cidade de Brusque, todos os outros tem mais criminalidade do que os paulistas. Fonte: Secretaria da Segurança do Estado de Santa Catarina.

    Responder
  • Dias
    - 12 de novembro de 2012 - 16:51

    São Paulo tem governador? Se depender da mídia do IM, em tempos de Talião, parece que saiu de férias. O bom de tucano, do partido da mídia das cinco famiglias, no poder, é que nunca ocorrem inundações, não aumenta o número de assassinatos, não tem corrupção e a Alston e o Ortiz são bons companheiros, bondinho descarrilhar é coisa do destino, a degeneração administrativa e operacional do metrô inexiste, se bobear, para agradarem ao Serra, noticiam que o Palmeiras não vai mais cair pra segunda divisão, e por aí segue o trololó das polianas anabolizadas da dona Judith. O ruím, sobra para quem os fatos, de fato, ocorrem, pois apesar de não noticiados ou relativizados, quando não abduzidos, causam dor, sofrimento, prejuízos e tragédias, que ao correr do tempo, inexorávelmente, serão cobrados com juros e correção monetária, de todos nós, inclusos os desavisados, com exceção da nata da casa grande, que devidamente protegidos por essa mídia calhorda e esse judiciário arcaíco, continuarão a catequizar os ignorantes de sempre.

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