dilma na record 450x338 julia Dois anos de governo: Dilma em seu labirinto

Perto de completar a primeira metade de seu governo, analistas começam a se perguntar: qual a marca destes primeiros dois anos do mandato de Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente da República?

Levada ao Palácio do Planalto com o discurso da continuidade, na esteira da alta popularidade com que o ex-presidente Lula chegou ao final do seu governo, Dilma herdou boa parte da equipe ministerial e dos principais projetos lançados na administração anterior, da qual ela própria foi uma figura chave.

Mais do que os números da economia, que podem servir para qualquer balanço positivo ou negativo, Dilma marca sua presença no governo pela imagem de governante austera, implacável com os malfeitos e os desmazelos dos seus auxiliares, zelosa na tarefa de cuidar dos interesses do país.

Pelo que se lê nos jornais, não deve ser fácil trabalhar com Dilma, que a todo momento aparece irritada, cobrando providências urgentes, dando descomposturas em ministros, inconformada com apagões e outros buracos na infra-estrutura.

Se a promessa da continuidade foi decisiva para levá-la ao poder, agora coloca Dilma em seu labirinto: se os ministros e seus projetos de governo não estão funcionando como ela gostaria, por que não trocá-los e montar o governo do seu jeito, à sua imagem e semelhança daqui para a frente?

Fosse Dilma executiva de uma empresa privada, certamente já teria feito isso, mas no poder público o buraco é mais embaixo, com o inquilino do Palácio do Planalto, seja quem for, eternamente enredado pelos desafios da governabilidade.

Dona de ampla maioria tanto na Câmara como no Senado, teoricamente com o apoio da quase  totalidade dos 30 partidos nacionais, com a exceção de dois ou três, mesmo assim Dilma não consegue impor a sua marca porque precisa contemplar os interesses difusos do balaio de gatos que  forma sua base de sustentação parlamentar.

às voltas com disputas dentro de cada partido e entre os aliados por mais fatias de cargos e verbas, fica difícil para a presidente montar o seu time e dizer como deve jogar. Como sair deste labirinto?

É por isso que o ano deve começar com uma mini-reforma ministerial, nada muito dramático nem entusiasmante, apenas para acomodar esta base aliada sempre faminta que saiu das urnas nas eleições municipais.

Por enquanto, de certo mesmo só a entrada no ministério do PSD de Gilberto Kassab, o seu novo aliado. No mais, deve remanejar alguns postos menos importantes, o que no fim vai deixar mais do mesmo numa Esplanada dos Ministérios em que nenhum nome ou área se destaca até agora.

O governo Dilma até agora se limita a Dilma, com seu estilo centralizador em que praticamente só ela fala, e tem falado muito pouco.

Desde o primeiro dia, a prioridade absoluta de Dilma é o combate à miséria, com a criação do programa "Brasil Carinhoso", que se junta ao "Minha Casa, Minha Vida" e ao "Bolsa Família". .

Os programas sociais, no entanto, já eram a marca do governo Lula. O grande desafio de Dilma agora é acelerar as obras do PAC, exatamente o Plano de Aceleração do Crescimento, que a levou à vitória em 2010, mas que anda empacando em várias regiões do país, como acontece com a Transnordestina e a Transposição do São Francisco.

Enfrentando mais mais problemas na base do governo do que na oposição, que está desmilinguindo a cada eleição, e com o PT enfrentando uma situação difícil após o julgamento do mensalão e a Operação Porto Seguro, Dilma precisa aproveitar o próximo ano para fixar a marca do seu governo e não só o da presidente.

Por isso, a batalha pela redução das tarifas de serviços públicos e privados e a conclusão de grandes obras de infra-estrutura tornam-se tão importantes para o embate da sucessão presidencial, que já está nas ruas.

Já que 2013 é um ano sem eleições, a presidente Dilma poderia tomar a iniciativa de promover o debate sobre as tão esperadas reformas política e tributária para desonerar a produção e conter a sangria de recursos públicos que dão origem a tantas crises, criando um clima desfavorável aos investimentos tão necessários ao país.

 

Com um "pibinho" em torno de 1%, só o controle da inflação e dos juros não bastam a médio prazo para manter os níveis de emprego e renda, que garantem a popularidade da presidente. É preciso criar instrumentos mais permanentes para promover o crescimento sustentável da economia num momento em que as notícias que chegam de fora são preocupantes.

Se dois anos já se passaram sem grandes conquistas, temos outro tanto de tempo pela frente para viabilizá-las. Para isso, é preciso dar uma virada no jogo agora. Coragem, Dilma!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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38 Comentários

"Dois anos de governo: Dilma em seu labirinto"

9 de December de 2012 às 11:47 - Postado por rkotscho

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Comentários
  • Vannelder
    - 14 de dezembro de 2012 - 18:22

    Caro ROGER S: muito bem elaborado seu comentário, se bem que um pouco grande e cansativo. Mas resumindo a situação: todos os corruptos condenados vão pra cadeia.

    Responder
  • Roger S
    - 14 de dezembro de 2012 - 15:55

    Pablo Gutiérrez: Corte pode ordenar anulação do julgamento da AP 470 publicado em 12 de dezembro de 2012 às 10:39 Pablo Gutiérrez: O duplo grau de jurisdição para os réus é uma das exigências da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ao não garanti-lo, o julgamento violou o Pacto de São José da Costa Rica por Conceição Lemes Ao longo do julgamento da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal (STF), o Viomundo entrevistou os juristas Dalmo de Abreu Dallari, Rubens Casara e Luiz Flávio Gomes. Os três disseram que o caso do mensalão quase certamente será remetido à Corte Interamericana de Direitos Humanos, à qual o Brasil aderiu há mais de dez anos. Motivo: vários equívocos no processo. Um deles, a dupla-função. Quem preside a fase de investigação não pode depois participar do julgamento, porque aí cumpre os papéis de investigador e de juiz. Foi o que fez o ministro Joaquim Barbosa, atual presidente do Supremo. Pelo artigo 230 do STF, não há nada errado com essa conduta. Porém, para a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos esse duplo-papel é inadequado, independentemente de quem seja o ministro. O juiz tem de ser imparcial, não pode ter vínculos com as provas antes do julgamento. Outro equívoco apontado pelos juristas ouvidos pelo Viomundo: 35 dos 38 réus não tiveram direito à segunda instância. Por decisão do Supremo, o julgamento de todos foi apenas em uma instância, o STF, embora 35 não tivessem direito ao chamado foro privilegiado. Tão logo se aventou a possibilidade de os réus apelarem à Corte Interamericana, os ministros Joaquim Barbosa e Marco Aurélio Mello desdenharam. Barbosa chamou a ação de tentativa de “enganar o público leigo” por pensar que poderia ser revertida. Mello definiu-a como “direito de espernear”. O professor argentino Pablo Angel Gutiérrez Colantuono discorda da interpretação de ambos. Especialista em direitos humanos e tratados internacionais, é autor do livro Administración Pública, Juridicidad y Derechos Humanos. A convite do Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos da Infraestrutura (Ibeji), Gutiérrez esteve recentemente em São Paulo, para fazer uma palestra na Advocacia Geral da União. No final dessa semana, nós conversamos mais sobre o assunto. Viomundo – Os réus condenados na Ação Penal 470 podem realmente recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos? Pablo Gutiérrez – Eu não conheço tecnicamente o caso a que você refere. Porém, geralmente, nos países que fazem parte do Pacto de São José da Costa Rica, qualquer cidadão que teve violado os seus direitos humanos pelo Estado pode, uma vez esgotados todos os recursos internos, apresentar o “seu caso” à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. E esta, se julgar procedente, apresentar “o caso” à Corte Interamericana de Direitos Humanos. O Brasil, como você bem sabe, é Estado Membro do Pacto de São José. Portanto, qualquer cidadão brasileiro pode representar ao sistema americano de direitos humanos, desde que alguns procedimentos sejam seguidos. Viomundo — O senhor considera “cinismo” ou “enganação do público leigo” recorrer à Corte Interamericana? Pablo Gutiérrez – A proteção dos direitos humanos é dever primário dos Estados Membros do Pacto. Isso vale para todos os poderes. Apelar à Justiça nacional ou internacional é um direito fundamental do homem -– a chamada tutela judicial efetiva. A Corte Interamericana tem insistido para que os juízes de cada Estado Membro efetuem o denominado controle da convencionalidade, enquanto decidem sobre causas judiciais. Controle da convencionalidade significa analisar os níveis de compatibilidade de normas, atos administrativos e interpretações judiciais em relação às normas do sistema americano de direitos humanos. Esse controle deve ser realizado automaticamente pelos juízes, de ofício, ou seja, sem que as partes solicitem. Todo cidadão também tem o direito de solicitar aos juízes que apliquem ao seu caso o controle da convencionalidade. Portanto, é fundamental que o Estado Membro assegure internamente o direito a esse recurso -– artigo 25 e 8 do Pacto de São José da Costa Rica –, que deve ser julgado por juízes independentes e imparciais em relação ao processo em questão, assegurando, especialmente nas questões penais, a garantia do duplo grau de jurisdição [também chamado por alguns juristas de duplo grau de recurso]. Uma sentença judicial deve ser sempre revisada por uma segunda instância superior àquela que proferiu a condenação. É a chamada “garantia do duplo grau de jurisdição ou do duplo controle” – artigo 8, parágrafo 2, alínea h, do Pacto de São José da Costa Rica. Em resumo: recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos é uma garantia fundamental protegida internacionalmente, faz parte da tutela judicial efetiva como direito humano da pessoa. Viomundo – Qual o papel da Corte Interamericana? Pablo Gutiérrez – Nos países que aceitaram soberanamente a sua jurisdição, a Corte Interamericana de Direitos Humanos é o último tribunal em matéria de direitos e garantias. É o órgão jurisdicional do sistema americano de direitos humanos. Ele foi pensado com as seguintes características: a) é uma proteção transnacional dos direitos e garantias do homem; b) é uma proteção subsidiária à do Estado. Isso significa que cabe primeiro ao Estado proteger, promover e garantir internamente os direitos humanos. E todas as autoridades públicas — executivo, legislativo e judicial – são obrigadas a fazê-lo; c) se o Estado Membro viola esse sistema de proteção e garantias,o cidadão, uma vez esgotados todos os recursos legais e administrativos, pode recorrer à instância internacional, via Pacto de São José da Costa Rica. Viomundo – Como se dá esse processo? Pablo Gutiérrez – Apresenta-se uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Aí, ao tramitar, é dada ao Estado a oportunidade de se defender e até mesmo propor um acordo. A Comissão é que vai decidir se o caso deve ou não ser submetido à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Uma vez apresentado o caso à Corte Interamericana, ela analisa se houve ou não violação de alguma das obrigações gerais dos artigos 1.1 e 2 do Pacto de São José da Costa Rica. O artigo 1.1 estabelece que os Estados Membros têm de respeitar os direitos e liberdades reconhecidos pela Corte para garantir o pleno e livre exercício a toda pessoa sob sua jurisdição. Isso se impõe não apenas em relação ao poder do Estado mas também em relação à atuação de terceiros. O artigo 2 estabelece as medidas necessárias para garantir os direitos humanos previstos no Pacto de São José em relação a alguma obrigação especial. É importante registrar que os tratados de direitos humanos, como o de São José da Costa Rica, outorgam direitos aos cidadãos e deveres principalmente aos Estados. E os Estados estão obrigados a cumprir tanto o Tratado de São José como as sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos, porque assim determina o Tratado. Também porque a Convenção de Viena de Tratados estabelece que eles sejam cumpridos sob o princípio da boa fé. Viomundo – Em que casos se pode recorrer à Corte Interamericana? Pablo Gutiérrez – A causa é a violação pelo Estado Membro dos deveres gerais de assegurar, promover e proteger os direitos e garantias assegurados no Pacto de São José da Costa Rica – artigos 1.1 e 2 do Pacto. O Estado está obrigado não apenas a eliminar os obstáculos internos, mas também a adotar decisões que promovam e protejam positivamente os direitos humanos. Viomundo – A Corte Interamericana poderia funcionar como uma espécie de tribunal para o Supremo Tribunal Federal brasileiro? Pablo Gutiérrez – Tecnicamente a Corte Interamericana de Direitos Humanos não é uma quarta instância judicial, tampouco é um “tribunal de apelação” dos tribunais internos de cada país. A Corte Interamericana não julga novamente as responsabilidades penais, civis. O que ela faz é condenar a violação por parte do Estado por atos administrativos, leis ou sentenças judiciais, que violem os direitos humanos. A Corte Interamericana de Direitos Humanos tem condenado Estado Membro por não assegurar investigação efetiva e processo justo, por exemplo. Também por não garantir proteção de menores de idade, populações indígenas, população privada de liberdade. Assim como por violar a liberdade de imprensa, a privacidade e a propriedade, entre outras tantas infrações. Agora, uma vez o Estado condenado pela Corte Interamericana, porque seus processos judiciais e administrativos desrespeitam o sistema internacional, ela pode, no âmbito interno, direta ou indiretamente, gerar consequências: a) uma nova ação na Justiça; b) indenização por parte do Estado pela infração; c) atos públicos de reconhecimento da responsabilidade internacional; d) medidas para conscientizar os funcionários públicos – inclusive o Poder Judiciário – dos parâmetros que regem o sistema internacional de direitos humanos. Um exemplo das implicações das decisões da Corte Interamericana no sistema judicial é é o caso da Argentina e a atuação judicial nos crimes de lesa humanidade. A adequação da Corte Suprema de Justiça da Argentina aos critérios da Corte Interamericana gerou a investigação dos delitos cometidos durante a última ditadura militar, declarando nulas as leis de anistia daquele tempo e aceitando esses crimes como imprescritíveis. Esse é justamente o critério da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Nesse e em quaisquer outros tipos de processos judiciais, é sempre imprescindível o respeito irrestrito à garantia do devido processo judicial. Ou seja, presunção da inocência, duplo grau de jurisdição, devida fundamentação das sentenças, direito a um advogado, um intérprete no caso de ser um estrangeiro, oferecer, produzir e controlar as provas, direito a um juiz imparcial e independente, entre outras garantias. Na Argentina, a Suprema Corte de Justiça tem um critério de ampla convergência entre as suas sentenças e as da Corte Interamericana. Parte disso se explica porque o Pacto de São José da Costa Rica, entre outros instrumentos internacionais, foi incorporado ao mesmo nível que a Constituição Nacional no sistema legal argentino. Viomundo – As decisões da Corte Interamericana têm caráter de recomendação ou de determinação ao Estado Membro condenado? Pablo Gutiérrez – Não são recomendações, são sentenças que condenam e ordenam meios eficazes para reparação das vítimas. Desde 25 de setembro de 1992, o Brasil é um Estado Membro da Convenção Americana. O artigo 62 dessa mesma convenção reconheceu a competência contenciosa da Corte em 10 de dezembro de 1998. O artigo 67 da Convenção Americana estipula que as sentenças da Corte devem ser prontamente cumpridas pelo Estado e de forma integral. Além disso, o artigo 68.1 da Convenção Americana estipula que os Estados Membros se comprometem a cumprir a decisão da Corte Interamericana em todos os casos em que sejam partes. Portanto, os Estados devem assegurar internamente a implementação do disposto pela Corte Interamericana em suas decisões. Tal como diz a Corte Interamericana de Direitos Humanos “a obrigação de cumprir o disposto nas sentenças do Tribunal [Corte Interamericana de Direitos Humanos] corresponde a um princípio básico do Direito Internacional, respaldada pela jurisprudência internacional, segundo a qual os Estados devem cumprir com as suas obrigações decorrentes de tratados internacionais de boa fé (pacta sunt servanda) e, como tem assinalado esta Corte e o disposto no artigo 27 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 1969, aqueles não podem, por razões internas, deixar de assumir a responsabilidade internacional já estabelecida. As obrigações convencionais dos Estados Membros vinculam a todos os poderes e órgãos do Estado.” Viomundo – O que pode acontecer se o país não acatar as determinações da Corte? Pablo Gutiérrez – Uma vez pronunciada a sentença condenatória, a Corte Interamericana de Direitos Humanos tem poderes inerentes às funções jurisdicionais. Uma delas é a supervisão do cumprimento das suas decisões. Essa atribuição inclui o dever do Estado de informar à Corte Interamericana sobre as medidas adotadas para o cumprimento do que ela ordenou em suas sentenças. A informação adequada ao Tribunal sobre como cada um dos pontos determinados é fundamental para avaliar a situação do cumprimento da sentença no seu conjunto. Também, e em caso de persistência do não cumprimento por parte do Estado Membro, essa informação constará dos relatórios anuais da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre os ditos descumprimentos. É importante ter em mente que é cada vez mais forte a vinculação dos sistemas internacionais de direitos humanos com aqueles que têm como objeto atingir os sistemas comunitários ou de integração, principalmente econômicos. Um exemplo é a União Europeia. A condição para integrá-la é que os novos países adotem o denominado Tratado de Direitos Humanos Europeu, o Tratado de Roma. Um exemplo de cumprimento por parte do Brasil de sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos é o caso Escher y otros vs. Brasil. A resolução, de 19 de junho de 2012, determinou o pleno cumprimento pelo Brasil da sentença da Corte Interamericana, ditada em 6 de julho de 2009. Viomundo — A Corte Interamericana pode determinar um novo julgamento da Ação Penal 470? Pablo Gutiérrez – A Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Herrera Ulloa vs Costa Rica, em 2 de julho de 2004, ordenou o Estado a tornar sem efeito a sentença ditada em seu país por haver violado, entre outras, a garantia do artigo 8, parágrafo 2, alínea h. É a garantia do duplo grau de jurisdição! É um exemplo daquilo que pode ocorrer se um país incorre em responsabilidade internacional: tornar sem efeito o ato estatal – no caso a sentença – ou os efeitos de tal ato. Nesse caso, também se condenou a Costa Rica a, num prazo razoável, modificar o seu sistema legal interno para assegurar o direito a uma dupla instância. Caso se detecte essa infração em algum caso no Brasil e ela, junto com outras infrações, violem os artigos 1.1 e 2 do Pacto de São José da Costa Rica, a Corte Interamericana de Direitos Humanos pode tornar sem efeito a sentença do Estado brasileiro. Viomundo – No julgamento da Ação Penal 470, os réus não tiveram direito ao duplo grau de jurisdição. Isso pode fazer com que a Corte Interamericana torne as sentenças sem efeito e determine novo julgamento? Pablo Gutiérrez – A Corte Interamericana de Direitos Humanos pode ordenar anulação do julgamento porque ele violou o Pacto de São José de Costa Rica. O direito ao duplo grau de jurisdição é uma das exigências da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

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