lula e dilma Ofensiva contra Lula não tem mais limites

Lula e Dilma ontem em Paris. (Foto: Ricardo Stuckert)

Julgamento do mensalão, Operação Porto Seguro e agora o vazamento na imprensa de novo depoimento feito à Procuradoria-Geral da República por Marcos Valério, réu condenado a 40 anos de prisão: a ofensiva contra o ex-presidente Lula não tem mais limites, é uma guerra sem quartel, sem data para acabar.

Em texto publicado aqui mesmo no Balaio no último dia 2 de novembro, eu já previa: "O alvo agora é Lula na guerra sem fim".

Não bastava condenar os dirigentes do PT acusados no processo do mensalão. O objetivo maior era demolir a imagem do principal líder do partido que completa dez anos no governo central agora em janeiro.

Os antigos donos do poder simplesmente não se conformam de ter perdido o controle do país depois de 500 anos de dominío.

Como não conseguiram recuperá-lo em sucessivas eleições, buscam agora outros meios para impedir a reeleição da presidente Dilma Rousseff, atingindo o seu principal eleitor, o ex-presidente Lula.

Para atingir este objetivo, tentam desde o início do governo Dilma jogar um contra o outro, buscando desqualificar o PT e as forças sociais que o levaram à vitória em 2002.

Até hoje não funcionou. Ainda ontem, durante visita oficial à França, a presidente Dilma foi a primeira autoridade brasileira a sair em defesa de Lula:

"É sabida a minha admiração,  meu respeito e a minha amizade pelo presidente Lula. Portanto, eu repudio todas as tentativas - e esta não será a primeira vez - de tentar destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem".

A iniciativa do debate político no país para a discussão dos grandes temas nacionais deixou de ser do Executivo e do Legislativo e hoje é determinado por uma ação coordenada entre a mídia e as instituições jurídico-policiais, que estabelecem a pauta do noticiário.

Na mesma terça-feira em que uma reportagem do "Estadão" vazou as declarações feitas por Marcos Valério em depoimento à Procuradoria-Geral da República, em setembro, envolvendo Lula no mensalão, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ao ser indagado sobre a necessidade da abertura de novas investigações, não pensou duas vezes: "Creio que sim".

Foi o que bastou para que a concorrente "Folha" saísse com a manchete garrafal: "Presidente do Supremo quer Lula investigado no mensalão".

Faltando ainda dois anos para as eleições presidenciais de 2014, só posso atribuir esta ofensiva contra Lula agora ao desespero de setores alijados do poder pelo PT que não conseguem encontrar um candidato viável e confiável. Na falta de um candidato, procuram destruir o outro lado.

Cada vez que sai uma nova pesquisa de opinião mostrando a força de Dilma e Lula no eleitorado e a fragilidade dos candidatos da oposição, parece aumentar o furor dos que não se conformam com as conquistas sociais e econômicas dos últimos anos que garantem a alta popularidade dos líderes petistas, apesar do bombardeio sofrido nos últimos meses.

Desta forma, antes mesmo do julgamento do mensalão terminar, vai começar tudo de novo, quem sabe esticando o caso até as próximas eleições presidenciais, enquanto repousam no Supremo Tribunal Federal toneladas de processos antigos envolvendo outros políticos de outros partidos.

 

 

 

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83 Comentários

"Ofensiva contra Lula não tem mais limites"

12 de December de 2012 às 12:01 - Postado por rkotscho

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Comentários
  • Sergio
    - 17 de dezembro de 2012 - 17:41

    Por que os ataques teriam que ter algum limite? Trata-se de algum deus? Mesmo se fosse ganhador do Nobel da Paz ainda assim caberiam críticas.Os petistas parecem acreditar que o Lula é a reencarnação de Buda ou Stalin.

    Responder
  • Guilherme Scalzilli
    - 17 de dezembro de 2012 - 12:44

    A maldição de Rosemary Inquérito recém-nascido, personagens caricaturados, violações de privacidade, fariseus babando regras morais: já vimos esse filme tantas vezes que podemos antever seus desdobramentos. O noticiário gastará o tema até o limite da idiotia, alimentado por informantes obscuros e “apurações” de bastidores. A Veja excretará falsas entrevistas e difamações, que a imprensa dita “séria” reproduzirá como se tivessem mínima credibilidade. Propagadores involuntários desses veículos, alguns blogueiros progressistas contribuirão para legitimar fofocas e imbecilidades. As mentiras receberão desculpas e correções discretas, num futuro longínquo, mas os prejuízos causados a inocentes restarão impunes e irremediáveis. Alguém talvez encontre um conveniente uso do foro privilegiado para que o STF desempenhe de novo seu teatro saneador de mão única. No final, pouco importará se a administração demotucana de São Paulo perpetua milhares de cargos políticos e esquemas de apadrinhamento semelhantes aos orquestrados por Rosemary Noronha, ou ainda mais obscuros e lesivos do que eles. Pouco importará, aliás, discutir uma rotina da vida política brasileira característica até dos menores municípios. A questão é transformá-la em marca exclusiva do PT, como o chamado “mensalão” e outras novidades que há uma década ninguém ousava enxergar, por exemplo, nos lídimos e transparentes governos FHC. Depois das bebedeiras e da ameaça de violência sexual, Lula agora recebe a pecha de adúltero safado. Esse tipo de baixaria não o atinge por acaso. É a reprodução de uma imagem vulgar que o preconceito elitista associa à própria gentalha que forma a sua base eleitoral. E é vulgaridade conveniente a salas de espera e balcões de botequim, onde qualquer sinal de astúcia pode insinuar perigosas ambigüidades estadistas à figura do tosco líder operário. Mas convém desconfiar da versão de que o núcleo do governo foi pego de surpresa com a iniciativa “secreta” da Polícia Federal. O desabamento do esquema de Rosemary Noronha teve beneficiários no próprio PT, para não citar uma administração preocupada com sua imagem pública e lideranças empenhadas em estabelecer rupturas com as redes de influência herdadas da era Lula. Ademais, Dilma e o ministro José Eduardo Cardoso não se encaixam com facilidade na fantasia de mandatários que perdem o controle dos subordinados. Acontece que a indicação de sagacidade proibida a Lula, no caso da sua sucessora, periga denotar lisura e respeito pelas instituições. http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/

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