fernando haddad Briga por cargos já ameaça lua de mel de Haddad

A 18 dias da posse como novo prefeito de São Paulo, o petista Fernando Haddad já sofre as primeiras dores do "governo de coalizão".

Sem enfrentar maiores dramas para montar seu secretariado, compondo uma boa equipe de governo mesclada de técnicos e políticos, e construir maioria na Câmara Municipal, o primeiro choque de Haddad com a base aliada surgiu na hora de preencher os cargos do segundo escalão.

Com a decisão de trocar os 31 coronéis da PM nomeados por Gilberto Kassab para tomar conta das subprefeituras por engenheiros de carreira, Haddad conseguiu descontentar meio mundo.

O PSD de Kassab queria manter pelo menos alguns deles e nomear outros ligados a vereadores do partido, enquanto o PT já tinha listas prontas de quadros do partido para ocupar as subprefeituras.

O novo subsecretário de Coordenação das Subprefeituras, Chico Macena, ainda tentou argumentar numa reunião com vereadores petistas que a decisão era provisória porque o prefeito não teria tempo de fazer as composições políticas antes da posse, mas não conseguiu acalmar seus colegas. A decisão contrariou até o vereador petista José Américo, indicado peloa coalização do prefeito para assumir a presidência da Camara.

"Não muda nada trocar um coronel por um engenheiro de carreira. O subprefeito vai continuar sem conhecer as verdadeiras demandas da população", disse um membro da bancada petista ao repórter Diego Zanchetta, do "Estadão".

A nomeação de subprefeitos não é o único problema enfrentado com o PSD, cujos oito vereadores ainda não assinaram apoio à candidatura de José Américo.

"A relação com o PT deixou de ser boa. Regredimos muito", constata o vereador Marco Aurélio Cunha, líder do PSD na Câmara, que estuda até lançar uma candidatura própria para disputar com Américo.

Outro motivo de descontentamento dos kassabistas é a entrega da 1ª secretaria, que eles reivindicavam, para o PSDB, pela regra de proporcionalidade das bancadas.

Indicado para o cargo de Secretário do Verde e do Meio Ambiente no início do mês, o vereador Ricardo Tripoli, do PV, o mais votado na capital, agora ameaça não assumir o corgo por divergir da não cobrança de taxa de inspeção veicular para veiculos novos, uma das promessas de campanha de Haddad.

A bancada do PV tem quatro vereadores e também ainda não fechou com a candidatura de José Américo. Outros partidos da base aliada, como o DEM e o PR, estão de olho nos cargos de segundo escalão e nas subprefeituras.

Quando parecia que tudo caminhava para uma transição pacifíca na Prefeitura de São Paulo, o clima de lua de mel da posse de Fernando Haddad já parece ameaçado pelos mesmos problemas de sempre: a divisão do bolo do poder entre partidos aliados.

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