corinthians O ano cinza que virou festa em preto e branco

Se me pedissem para escolher uma cor capaz de pintar como foi o ano de 2012, eu votaria no cinza. E assim o ano já ia acabando, sem muita graça ou desgraça, quando o Corinthians fez explodir no Japão e aqui a grande festa em branco e preto, que se espalhou na manhã desta terça-feira nas ruas de São Paulo ao longo do desfile dos bicampeões mundiais.

Mesmo para quem não é corintiano, como é o meu caso, foi bonito de ver esta festa em que jogadores, torcedores, dirigentes, membros da comissão técnica e quem estivesse pela rua, todos juntos gritando "o campeão chegou, o campeão chegou".

Ali todos se sentiam heróis numa comemoração comovente como faz muito tempo a cidade não via. Do alto do trio elétrico, os jogadores balançavam bandeiras do clube que se enroscavam nas dos torcedores e ficava difícil saber quem era quem nesta bela manifestação do mais puro corinthianismo.

Ninguém reclamou do transito, policiais também aproveitavam para tirar fotos e pedir autógrafos aos campeões, nada foi quebrado no caminho.

Bem que os brasileiros de São Paulo, em sua maioria corintianos, mereciam esta alegria, uma festa sem donos, ao final de um ano que não foi fácil e não deixa muita saudade, mas várias pendências não resolvidas.

Foi o ano de uma eleição municipal que não empolgou, abafada pelo protagonismo do Judiciário com o julgamento do mensalão, que deixou o Executivo e o Legislativo em segundo plano, sem avançar nas reformas e nos projetos de infraestrutura que o país tanto reclama, com a economia crescendo bem menos do que se esperava, num clima de crises e denúncias sem fim.

Nada se avançou, por exemplo, na reforma política em que os partidos não conseguem encontrar pontos mínimos de consenso, e já é certo que não se votará este ano sequer parte dela, como informa Ilimar Franco, na coluna Panorama Político, do "Globo".

No mesmo dia em que o STF encerrava o julgamento do mensalão com a cassação de três deputados, provocando reações na Câmara, o ministro Luiz Fux determinou por liminar a suspensão da análise dos vetos da presidente Dilma Rousseff ao projeto de lei sobre a distribuição dos royalties do petróleo.

Da mesma forma, está emperrada na Câmara a votação da MP do Setor Elétrico enviada pela presidente Dilma Rousseff para baratear as tarifas de energia, uma das suas principais promessas de 2012, que vai ficar para 2013.

Os novos projetos para aliviar os gargalos de portos e aeroportos também chegam ao final do ano como começaram: não passam ainda de projetos. Obras antigas do PAC, como a Transnordestina e a Transposição das Águas do São Francisco, seguem a passos lentos, furando todos os prazos para conclusão.

Para onde se olha, há atrasos, impasses, embates, mas ao mesmo tempo o Brasil conseguiu chegar ao final do ano com juros menores, inflação sob controle, e emprego e renda em alta, o que explica os elevados índices de aprovação popular da presidente Dilma Rousseff em todas as pesquisas.

Nestas horas, olhando para o copo meio cheio ou meio vazio, dá até vontade de ser corintiano para ver 2013 com mais otimismo e apagando o cinza da paisagem.

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