Posts de janeiro/2013

Agencia Brasil310811ANT 004944 Só traição evita vitória anunciada de Renan

Como uma boiada que segue placidamente para o matadouro, o Senado Federal se prepara para eleger seu novo presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL), a partir das 10 horas da manhã desta sexta-feira.

Denunciado semana passada pelo Ministério Público Federal, Renan nem fez campanha, mas sua vitória está anunciada há meses e só um festival de traições poderá impedir que ele volte a sentar na cadeira de presidente.

Nas contas do PMDB, apesar de todas as acusações feitas contra o senador alagoano desde que se viu obrigado a renunciar à presidência do Senado em outra legislatura, ele deverá ser eleito novamente com algo entre 55 e 60 votos.

Como precisa de apenas metade mais um dos votos dos senadores presentes (maioria simples) e até a véspera só o PSDB e o PSB, com um total de 13 entre os 81 senadores anunciaram que votarão no dissidente Pedro Taques (PDT-MT), a situação de Renan parece cômoda.

O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), já comemorava: "Renan consegue se eleger tranquilamente, com uma grande folga de votos".

Um sinal de que a vitória não está tão garantida assim, porque sempre há o risco de traições, foi a decisão do atual presidente, José Sarney, de só conceder a palavra aos candidatos durante o processo de votação, e não também aos lideres dos partidos e outros senadores, como aconteceu em eleições anteriores para a Mesa Diretora do Senado.

Com a desistência de Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que estava há mais tempo em campanha, os dissidentes de outros partidos, além de PSDB e PSB, apoiarão Pedro Taques.

Pelo menos três senadores petistas são apontados como possíveis dissidentes que não seguirão o acordo firmado entre PT e PMDB para apoiar Renan: Angela Portela, José Pimentel e Eduardo Suplicy.

Como o voto é secreto, o perigo de traição é maior, já que nunca se vai saber quem votou em quem. É melhor esperar sair o resultado no painel eletrônico para ver se a boiada obedeceu mesmo os acordos firmados entre os partidos.

Só uma coisa é certa: a provável eleição de Renan Calheiros no Senado e do deputado Henrique Alves (PMDB) na Câmara Federal, ambos sob graves suspeitas, nos mostra que acabou esta história de "baixo clero" e "alto clero" no Congresso Nacional. Ficou tudo um clero só, nivelado por baixo.

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

image 1 1024x577 Dilminha bondade vai pagar promessas de 2010

A redução das tarifas de energia e o anúncio de que vai liberar R$ 66,8 bilhões para os novos prefeitos eleitos investirem em saneamento, pavimentação e mobilidade urbana constituem apenas o início da ofensiva programada pela presidente Dilma Rousseff para distribuir seus "pacotes de bondades".

"Dilminha bondade", como já é chamada no Palácio do Planalto, vai priorizar o nordeste, região que lhe deu a maior vantagem sobre José Serra em 2010 e principal reduto de um possível concorrente em 2014, o governador pernambucano Eduardo Campos.

Depois de ir ao Piauí na semana passada para entregar obras, nesta terça-feira Dilma esteve no Sergipe, onde inaugurou uma ponte e um parque eólico (energia produzida pelos ventos).

As próximas viagens ao nordeste para cumprir promessas que fez em 2010 serão a Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

No encontro de segunda-feira, em Brasília, com milhares de novos prefeitos eleitos em 72% dos municípios em outubro,  que terão papel importante nos dois últimos anos do governo Dilma, a presidente prometeu a ampliação do programa "Minha Casa Minha Vida", mais recursos para o Bolsa Família e a construção de creches.

Aliar-se aos prefeitos será fundamental para Dilma na sua campanha pela reeleição, pois eles são responsáveis pelos cadastros dos beneficiários dos programas sociais e importantes parceiros na construção de creches.

Entre outros benefícios, a presidente também prometeu entregar retroescavadeiras e motoniveladoras compradas pelo governo federal aos prefeitos de municípíos com menos de 50 mil habitantes _ ou seja, a grande maioria das 5.500 cidades brasileiras.

Dilma sabe que só distribuir verbas não basta. Por isso, chamou os prefeitos a Brasília para que aprendessem o caminho das pedras da burocracia da Esplanada dos Ministérios, ou seja, onde e como conseguir recursos da União para os seus projetos, além de oferecer assistência técnica para a sua implantação.

Antes arredia, parece que agora "Dilminha bondade" pegou gosto em fazer política.

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

caixao Tristeza, revolta, dor: a tragédia de cada um

"As palavras perderam o sentido", diz o poeta gaúcho Fabrício Carpinejar no último verso do comovente poema que escreveu logo após a tragédia de Santa Maria e que resume o sentimento de todos nós.

Pois foi isso exatamente o que senti quando abri o computador no domingo e, por isso, só estou escrevendo agora, no final da manhã desta segunda-feira.

Tristeza, revolta, dor: cada um de nós reage de forma diferente ou temos todos esses sentimentos juntos no momento em que acontece algo tão traumático que foge à nossa compreensão.

"Por que acontece isso?", é a primeira pergunta que muitos se fazem ao ver as imagens dramáticas dos mortos, feridos e seus parentes na televisão.

"Descaso mata 231 jovens no Sul", responde a manchete de hoje do jornal O Globo. Ficamos sabendo ainda no domingo que a boate Kiss, palco da tragédia, estava com o alvará de funcionamento e o laudo dos bombeiros vencidos desde agosto, e a única saída foi fechada por seguranças para que ninguém saísse sem pagar a conta, depois que um músico da banda Gurizada Fandangueira soltou um sinalizador conhecido por "sputinik", que botou fogo no teto da casa noturna.

Como acontece nos acidentes aéreos, nunca há uma única causa, mas um conjunto de fatores que se unem para provocar a tragédia. Aconteceu em Santa Maria, como poderia ter acontecido em qualquer outra das milhares de casas noturnas do País, que funcionam geralmente numa terra de ninguém, sem nenhuma fiscalização.

Depois da tragédia, providências são anunciadas por autoridades de diversas latitudes, mas daqui a pouco chega o Carnaval, vem a Semana Santa, e o assunto é esquecido. No caso de Santa Maria, pelo menos, a polícia já prendeu três suspeitos de serem responsáveis pelo que aconteceu — um dos donos da boate e dois músicos da banda, como informa a matéria que está na manchete do R7.

Punir exemplarmente os responsáveis é a melhor maneira de alertar os donos das outras boates do País para que não coloquem em risco as vidas dos jovens que frequentam suas baladas.

De tanto ver pais chorando a morte de seus filhos quase todos os dias na televisão, ando meio traumatizado e  confesso que não consegui acompanhar por muito tempo a oceânica cobertura feita pelas TVs, nem tive vontade de ler os jornais.

Preferi ficar no computador escrevendo uma reportagem, sem abrir o noticiário da internet, gravei depoimento para um documentário do amigo Ricardo Carvalho, e à noite fui ver uma comédia bem chinfrim no teatro para distrair a cabeça.

Deve ser a idade, mas fiquei mais sensível ultimamente, com vontade de chorar por qualquer besteira, até ao falar com os netos por telefone, e é bom poder dar risada de vez em quando, no momento em que nos sentimos impotentes diante da dor e do desespero dos parentes das vítimas em Santa Maria, uma tragédia que poderia ter sido evitada.

De tanto ver a repetição desses acontecimentos nos últimos 50 anos, sem que se tenha notícia de que algo seja realmente feito para evitar novas catástrofes, virei um cara cético e também acho, como o poeta Carpinejar, que as palavras perderam o sentido.

Dizer o quê? Em outros tempos, certamente, quando trabalhava como repórter em jornal ou revista, seria o primeiro a correr para a redação pedindo para me mandarem a Santa Maria fazer a cobertura. Hoje, tento fugir do assunto, mas não tem jeito, não posso brigar com os fatos.

Vida que segue para nós, os sobreviventes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Publicado em 24/01/13 às 12h32

Dilma faz discurso de candidata na TV

63 Comentários

dilma Pedro Ladeira kotscho Dilma faz discurso de candidata na TV

Se alguém ainda tinha alguma dúvida de que Dilma vai lutar pela reeleição em 2014, o pronunciamento-discurso de quarta-feira à noite em rede nacional de rádio e televisão deixou claro que a presidente já está em campanha para ficar mais quatro anos no governo.

Com o gancho do anúncio da antecipação e ampliação do corte nas contas de luz, que já vale a partir de hoje, Dilma reforçou seu pronunciamento de 7 de setembro e aproveitou para atacar os "do contra", ou seja, os Estados governados por tucanos que não aderiram à redução das tarifas de energia.

Dilma subiu o tom ao falar dos "pessimistas" e das conquistas do seu governo: "Neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás. Hoje podemos  ver como erraram feio os que não acreditaram que era possível crescer e distribuir renda".

É exatamente este o eixo central do discurso pela reeleição, como ela antecipou no final do seu pronunciamento: "O Brasil está cada vez maior e imune a ser atingido por previsões alarmistas. Nos últimos anos, o time vencedor tem sido dos que têm fé e apostam no Brasil".

Em resposta aos que estavam prevendo apagões e racionamento em razão da queda do nível dos reservatórios, Dilma não só garantiu que isto não vai acontecer como anunciou que dobrará a produção de energia no país nos próximos 15 anos.

"Nosso País avança em meio a um mundo de dificuldades. Os juros caíram, o emprego aumentou, os brasileiros estão sabendo consumir e poupar", afirmou Dilma num discurso otimista, afirmativo e alto astral.

Durante o dia, ela já havia mostrado seu bom humor numa ^cerimônia no Itamaraty, dando uma rara gargalhada ao lado do chanceler Antonio Patriota.

"Viu agora por que ela estava gargalhando?", respondeu-me, logo após o pronunciamento de Dilma na TV, um assessor próximo dela a quem eu havia perguntado à tarde o motivo do sorrisão presidencial estampado quarta-feira na capa do R7.

Agora só faltam se apresentar os candidatos da oposição.

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Publicado em 24/01/13 às 11h18

Devolve o cachê do hospital, Ivete

18 Comentários

ivete kotscho Devolve o cachê do hospital, Ivete

A cantora Ivete Sangalo recebeu nesta quarta-feira o cachê de R$ 650 mil _ sim, o leitor leu direito, o valor é esse mesmo _ pago pelo governo do Estado do Ceará pelo show que ela fez na inauguração do Hospital Regional da Zona Norte, em Sobral, reduto político do governador Cid Gomes e de seu irmão Ciro.

Agora, o Ministério Público de Contas do Ceará informou que vai pedir a devolução do cachê aos cofres públicos.

O procurador de Contas do Ceará, Gleydson Alexandre, denunciou o caso como abuso, apresentando uma lista com os valores cobrados por Ivete Sangalo em outras cidades, que ficaram entre R$ 400 mil e R$ 500 mil, o que já não é pouca coisa.

O processo para evitar o pagamento foi arquivado pelo Tribunal de Contas do Estado, no dia 16 de janeiro, mas Gleydson apresentará recurso na volta do recesso do Judiciário cearense, no próximo dia 5 de fevereiro .

O governador Cid Gomes justificou a despesa porque "o povo precisa de diversão" e criticou o procurador. "O que é o Ministério Público de Contas? É um garoto que deseja aparecer e fica assim criando caso".

O procurador respondeu que o governador "não tem o menor respeito pelas instituições democráticas" e anunciou que vai aguardar o julgamento do recurso que será analisado pelo plenário do Tribunal de Contas do Ceará.

Enquanto a Justiça não decide quem tem razão, o que não costuma ser rápido, tenho uma sugestão. Para evitar que o governador e o procurador continuem batendo boca por conta do rico cachê, provocando desgastes à sua imagem, que tal Ivete Sangalo tomar a iniciativa de devolver o dinheiro (descontadas as despesas de produção e viagem), que poderia ser aplicado, por exemplo, numa ala infantil do novo hospital?

A doação seria registrada numa placa de bronze na entrada do hospital com o nome da cantora, que assim certamente ganharia novos fãs e a gratidão eterna dos moradores de Sobral.

O caso Ivete levanta a questão sobre as fortunas pagas por prefeituras e governos estaduais para promover shows de artistas famosos, torrando o dinheiro que falta em outras áreas, em especial no nordeste assolado por mais uma seca.

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Caros leitores,

como vocês já devem ter observado, desde a minha volta da folga de final de ano, a atualização e a moderação de comentários do Balaio está sem a regularidade de costume, em razão de um outro trabalho que estou fazendo sobre os 60 anos da TV Record.

Nos próximos dois meses deverei me dedicar prioritariamente a esta tarefa e, por isso, aparecerei aqui com menor frequência, sempre que surgir um bom assunto para comentar, como hoje.

Conto com a compreensão dos balaieiros. Assim que possível, voltarei a fazer a atualização e a moderação do Balaio de domingo a domingo, como aconteceu nestes cinco anos de blog.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

forum economico mundial 1g 20120125 Empresário brasileiro não acredita na imprensa

"Presidentes de empresas brasileiras ficam em 4º lugar em ranking de otimismo", revela o sempre bem informado e competente Clóvis Rossi, enviado especial da "Folha" ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suiça.  

Só posso chegar à conclusão de que os empresários que enfrentam a vida real da nossa economia não acreditam no que é publicado pela imprensa brasileira, que deixa o país sempre à beira do abismo esperando pelo pior, apostando em previsões pessimistas.

O próprio Rossi mostra esta contradição: "Fatia substancial do empresariado brasileiro não compartilha o catastrofismo que, nos últimos meses, acompanha as análises sobre as perspectivas da economia do país".

Talvez esteja na hora dos editores da grande mídia brasileira trocarem seus analistas ou recomendarem aos seus profetas de plantão que busquem outros oráculos além dos habituais.

Sem dar bola para a urubologia reinante, 44% dos empresários brasileiros estão muito confiantes no crescimento das receitas das suas companhias, segundo a 16ª pesquisa anual feita pela PricewaterhouseCoopers, que entrevistou 1.330 executivo - chefes em 68 países, no último trimestre do ano passado, justamente quando começaram a aparecer críticas sobre os rumos da economia brasileira.

O otimismo dos basileiros só perde para o dos russos (66%), indianos (63%) e mexicanos (62%).

Quando lhes foi perguntado sobre qual país parece o mais importante para o crescimento futuro de suas empresas, 15% indicaram o Brasil, à frente da Índia (10%), atrás apenas da China (31%) e dos Estados Unidos (23%).

A América Latina foi a região em que o empresariado mostrou maior otimismo: 53% esperam um crescimento das receitas, ao contrário do que acontece no resto do mundo, que está menos confiante a curto prazo do que no ano passado.

De Davos, pelo menos, chegam boas notícias para o Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

lula e dilma sp Por que Lula apoia Dilma e não será candidato

Na falta de um candidato competitivo da oposição até agora, setores da mídia resolveram lançar dois candidatos do PT, Dilma e Lula, em mais uma tentativa de jogar um contra o outro.

Estão perdendo seu tempo. Dilma é a candidata de Lula à reeleição desde a sua vitória em outubro de 2010, quando já começavam as especulações na imprensa sobre a sua possível volta em 2014.

Numa das últimas conversas que tivemos no Palácio da Alvorada, logo após a vitória de Dilma, o então presidente Lula apresentou dois bons argumentos para justificar sua decisão de não mais disputar eleições.

"Em primeiro lugar, quem me garante que seria eleito? Em segundo lugar, se eleito, quem me garante que teria condições de fazer um bom governo e sairia com a mesma aprovação popular de agora?".

Podem chamar Lula de tudo, menos de burro. Nenhum outro presidente da República deixou o cargo com mais de 80% de aprovação depois de eleger para sucedê-lo sua ministra Dilma Rousseff, que nunca havia disputado uma eleição. Para que arriscar, se já havia passado para a História?

A alta aprovação popular de Dilma e de seu governo até agora é também uma vitória de Lula e nada indica que ele tenha mudado de posição após a nossa conversa no Alvorada.

Mil vezes ele já desmentiu a intenção de se candidatar, mas não adianta. Qualquer movimentação de Lula é apontada como tentativa de voltar em 2014.

Ainda nesta segunda-feira, este foi o tema mais tratado pelos jornalistas com os principais assessores do ex-presidente no Instituto Lula. Todos negaram que Lula tenha intenção de se candidatar na próxima eleição presidencial.

"Na disputa federal, Lula vai gastar toda sua energia para a manutenção da aliança entre PT, PMDB e PSB", disse o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos e diretor do Instituto Lula, Paulo Vanucchi. Segundo o ex-ministro, Lula também não pretende disputar a eleição de 2018 e não se opõe a apoiar uma candidatura de aliados do PT.

Na mesma linha, o diretor-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também negou que Lula tenha qualquer plano de se candidatar novamente.

"A nossa candidata em 2014 chama-se Dilma Rousseff. Vamos trabalhar pela sua eleição, para que a gente continue neste governo extraordinário que, apesar das dificuldades, pode fazer muita coisa pelo Brasil.

O fato de Lula descartar qualquer candidatura, não quer dizer que ele tenha se aposentado da política.

Ao contrário, como um dos principais líderes políticos do país, Lula continua em plena atividade, como mostrou ainda hoje ao abrir o seminário sobre os rumos da América Latina promovido pelo seu instituto com a participação de membros do governo e autoridades convidadas de outros países da região.

Da mesma forma como não deixou de participar de debates e reuniões políticas aqui e no exterior, empenhando-se para valer na última campanha municipal, apesar do duro tratamento contra um câncer na laringe, Lula voltará a percorrer o país a partir de fevereiro para discutir com segmentos e grupos sociais as mudanças que ocorreram nos dez anos de governos petistas.

O que Lula quer é defender em contato direto com a população o legado do seu governo, duramente atacado pela mídia desde o julgamento do mensalão e com as revelações da Operação Porto Seguro.

Assim ele se prepara para ser, em 2014, o maior cabo eleitoral da candidatura de Dilma à reeleição. O resto é poesia ou má-fé.

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

garrincha O último jogo da vida torta de Mané Garrincha

Por culpa de Mino Carta, o grande criador de publicações da imprensa brasileira, que estava prestes a lançar o "Jornal da República", no começo de 1979, acabei sendo testemunha do último jogo de Mané Garrincha, um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, que morreu aos 49 anos, em 1983. Trinta anos depois, a lenda sobrevive.

Numa reunião de pauta, Mino me encarregou de achar Garrincha, que vivia no ostracismo, dependendo da ajuda de amigos para sobreviver. Mino queria uma reportagem exclusiva para o número 1 do "Jornal da República" - e lá fui eu atrás do Mané.

Na matéria de capa, sob o título "A vida torta de Mané Garrincha", contei como o encontrei:

Sem muitas esperanças de falar com ele _ "O Mané não está dizendo coisa com coisa", me desanimaram no Rio _ fui encontrá-lo na colônia de férias do Ministério da Fazenda, em Paulo de Frontin, pequena cidade serrana.

Antes que lhe fizesse qualquer pergunta, a caminho do imenso salão de refeições da colônia, onde passamos sentados o restante da tarde, recolhendo fragmentos da sua vida, Garrincha foi logo dizendo: "Agora, não tenho mais nada, gente boa. Mas passei um susto danado. Foi aquela maldita pimenta... Eu estava pensando que era herói, comendo uma danada de uma pimenta... Não sou herói mais não..."

Para me provar que estava curado, contra todas as evidências, pois mal conseguia andar em linha reta, Garrincha garantiu que, já no domingo seguinte, iria voltar a campo com a equipe do Milionários FC, formada por antigos ídolos do futebol brasileiro, que ganhavam alguns trocados jogando contra times de várzea nos fins de semana.

Achei que ele estava delirando quando me desafiou a encontrá-lo no sábado, em frente ao hotel Danúbio, em São Paulo, onde os jogadores pegariam o ônibus para Presidente Prudente. Pois não é que na hora marcada ele apareceu mesmo, sacolinha de atleta na mão, cheio de alegria por reencontrar os amigos? "Não te falei que vinha, gente boa?".

Como Garrincha conseguiu sair da colônia, onde haviam montado um verdadeiro cordão sanitário para cuidar dele, até hoje não sei. Sei apenas que, mesmo tendo tomado alguns conhaques no caminho, no dia seguinte ele entrou em campo _ e também na capa do "Jornal da República", com uma foto de Solano José e um breve texto, ao lado da reportagem que eu havia deixado pronta antes de viajar.

PIRAPOZINHO, 26 - URGENTE _ Apareceu aqui hoje, nas barrancas do Paranapanema, um cidadão de nome Manuel Francisco dos Santos, dizendo-se Mané Garincha. A notícia de sua presença colocou em polvorosa esta pequena cidade de 30 mil habitantes. "Mas ele não está doente no Rio?", perguntavam as pessoas. Hospedou-se na pensão do Morais, junto com a equipe do Milionários FC. Ganhou buquês de flores, placa de prata e beijos de moças bonitas, no Estádio Municvipal.

O juiz apita, Garrincha com a bola. O lateral esquerdo Antonio Carlos, 25 anos, o "Bunda Baixa", vai em cima dele. Garrincha faz que vai, mas não vai, a torcida dá risada. Era ele mesmo, Mané Garrincha em pessoa, não havia mais dúvidas. Viajou 1100 quilômetros, oito horas e meia de ônibus, para jogar 45 minutos e ganhar 6 mil cruzeiros de cachê. Saiu de campo suado, sujo e feliz".

Não há registro de que Garrincha tenha voltado a entrar em campo alguma outra vez depois desta passagem por Pirapozinho.

(*) Informações tiradas do meu livro de memórias "Do Golpe ao Planalto - Uma vida de repórter", da Companhia das Letras.

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

metro Uma  semana vendo o Rio virar outra cidade

As obras começam na entrada pela avenida Brasil e só terminam na saída da cidade nos acessos à Rio-Santos como se fossem uma só.

Aqui só se fala em Copa e Olimpíada, os dois grandes eventos programados para 2014 e 2016, para justificar a verdadeira revolução urbana pela qual está passando o Rio de Janeiro.

Um paulista como eu, que faz algum tempo não vinha aqui, fica perdido. Passei a última semana trabalhando no Rio e vendo a cada dia a antiga Cidade Maravilhosa virar outra cidade.

Nem meu colega Domingos Fraga, daqueles cariocas da gema, como se dizia, que está há 23 anos em São Paulo, conseguiu acreditar no que via quando saímos da zona sul em direção à Barra, o nome genérico dos muitos bairros que foram se espalhando ao longo da avenida das Américas e dali para a frente.

Mistura de Miami e Brasília, com suas avenidas largas, shoppings, palácios verticais suntuosos, varandas magníficas e condomínios pipocando a granel, convivendo com paisagens de subúrbio paraguaio, a Barra nada tem a ver com o velho Rio de Janeiro para onde fui pela primeira vez em 1967, também a trabalho, na cobertura da inauguração da segunda pista da Via Dutra para o "Estadão".

Fiquei tão encantado com a cidade, que não queria mais voltar para São Paulo. Cheguei a consultar o jornal sobre uma transferência para a sucursal carioca, mas até hoje não consegui realizar meu sonho de um dia morar no Rio.

Com as obras que se espalham por toda parte, qualquer que seja a alternativa escolhida para fazer a travessia, ficou ainda mais difícil ir de uma cidade a outra, apesar dos altos investimentos em transportes coletivos, túneis e viadutos.

Tornaram-se cidades completamente diferentes, até nos usos e costumes dos seus habitantes. No velho Rio, ainda dá para cuidar de boa parte das coisas da vida a pé, enquanto na Barra você precisa de carro até para ir à padaria ou comprar jornal.

No caminho, dá para ver os esqueletos dos Jogos Panamericanos, o Estádio de Natação Maria Lemke fechado pelo jeito para sempre e os prédios da vila dos atletas completamente abandonados e, logo adiante, enormes placas anunciando novas obras para as Olimpíadas de 2016.

Em ritmo alucinado, a paisagem vai mudando e, no meio de tudo, tropeça-se no enorme elefante branco de concreto da Cidade da Música de Cesar Maia. Rebatizada de Cidade das Artes, a obra foi provisoriamente inaugurada dias atrás ainda inacabada, perdida em meio a terminais de ônibus, viadutos e pistas de alta velocidade.

Segundo levantamento publicado neste domingo pelo jornal "O Globo", 18.090 unidades residenciais foram licenciadas pela Secretarisa Municipal de Urbanismo na Barra da Tijuca somente no ano passado _ mais do que o dobro das 8.862 licenças concedidas em 2011. Até o final de 2015, 14 novos hotéis deverão ser inaugurados, com 3720 novos aposentos.

O Instituto Pereira Passos mediu o tamanho deste crescimento em relação ao velho Rio. Enquanto a Barra deve ter um crescimento populacional de 21,4%, chegando a 990.288 habitantes, o Rio pelo qual me apaixonei quase meio século atrás crescerá apenas 3,73%. E o metrô ainda não chegou à Barra, que hoje já enfrenta sérios problemas ambientais pela falta de saneamento basico na maioria das áreas habitadas, provocando a poluição de praias e lagoas. É o preço do progresso....

Apesar de tudo, neste dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, viva o Rio! O único lugar do mundo onde até mulher feia acaba parecendo bonita e as praias ficam lotadas de gente feliz em plena sexta-feira.

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

 

"Bem verdade que a mídia, a impressa e a eletrônica, aprecia a poeira, dando mais importância ao pó do que à ideia em si" (Quincas Borba, o grande personagem de Machado de Assis, citado na coluna dominical de Carlos Heitor Cony, na "Folha").

luz Choveu, a luz não apagou e a vida segue igual

De volta ao batente esta semana, depois de uma breve folga, alguns leitores do Balaio reclamaram, com razão, do meu pessimismo, só vendo problemas nas coisas e não falando das coisas boas da vida nas minhas primeiras colunas.

Passei alguns dias na praia pensando exatamente nisso: por que nós, jornalistas, não podemos encontrar outros assuntos na vida fora daqueles que vivem prevendo o fim do mundo, a crise de todas as crises, com ou sem calendário maia, anunciando sempre um apocalipse semanal?

Por isso, voltei à cidade disposto a mudar o disco do Balaio, dar uma virada neste jogo que está se tornando enfadonho para mim mesmo e, imagino, também para os leitores.

Acontece que eu também leio jornais e revistas, acompanho televisão e internet, e acabo como todo mundo impregnado pelas nuvens cinzentas do noticiário negativo sobre os rumos das nossas vidas aqui dentro e lá fora.

Não tenho uma linha direta com Deus para saber o que vai acontecer. Procuro apenas tentar entender o que está acontecendo e o que pode acontecer a partir dos fatos dados pela realidade que nos é retratada pelos meios de comunicação.

Para conseguir isso, busco sempre falar com pessoas de todas as áreas, do governo e da oposição, mas elas também têm suas opiniões próprias, também são infuenciadas pelo meio em que vivem e procuram puxar as sardinhas para as suas brasas.

Todo começo de ano é a mesma coisa. Não é porque a folhinha do calendário passou de um ano para outro que de uma hora para outra o que era feio vai ficar bonito e o que não tinha solução vai ficar resolvido.

Seca no nordeste, enchentes no sul, mortes e violência para todo lado, níveis dos reservatórios baixando, o que não falta é coisa ruim, problema, desgraça.

Como o Quincas Borba, continuamos dando mais importância ao pó do que à ideia em si. E qual é a ideia em si?

A vida continua seguindo igual, chove mais aqui e menos ali, a luz não apagou, os aviões continuam subindo e descendo, assim como as marés, a presidente Dilma marca novas reuniões para melhorar o desempenho da economia, os novos prefeitos começam a colocar ordem na casa, nas padarias tem pão quente na chapa e logo volta o futebol dos domingos.

Prometo pelo menos hoje não falar do embate político que segue feroz, está por trás de tudo isso e vai seguir assim até 2014, mas a vida não pode ser só isso. Lá fora as pessoas continuam passeando pelas calçadas e pensando nas suas próprias vidas, e é isso que vou fazer agora.

Bom domingo a todos.

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com