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Por que não uma reforma para valer no ministério?

Postado por rkotscho em 11/01/2013 às 11:55 em Sem categoria | 30 Comments

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A presidente Dilma Rousseff deixou Brasília no final do ano passado para tirar uns dias de descanso na Bahia disposta, na volta, a fazer uma reforma mínima em seu ministério.

Estava mais ou menos decidida a abrir apenas duas vagas para abrigar os aliados Gilberto Kassab, do PDS, e Gabriel Chalita, do PMDB.

Fora disso, a ideia era não fazer muita marola e tocar o barco com o que tem nos dois anos que lhe faltam de mandato.

Em apenas duas semanas, porém o cenário mudou. No seu retorno ao Palácio do Planalto esta semana, Dilma encontrou um balaio de más notícias em várias áreas, em especial no setor de energia, com a redução do volume dos reservatórios e frequentes interrupções no fornecimento.

Reuniões foram rapidamente marcadas, providências mais uma vez anunciadas, as mesmas de sempre, e o ministro metereologista Edison Lobão indo à televisão para garantir que vai chover logo e os problemas estarão resolvidos.

Vamos começar por aí. Por que Edison Lobão, um veterano jornalista maranhense que entrou para a política pelas mãos de José Sarney, precisa ser o ministro das Minas e Energia do Brasil, um cargo que a própria Dilma já ocupou no início do governo Lula?

O prolema é que ninguém mais dá confiança ao que Lobão fala, pois ele deve entender tanto do assunto quanto eu de nanotecnologia. Será que não há nenhum outro cidadão no Brasil, técnico ou político, capaz de devolver aos brasileiros a certeza de que este setor tão sensível da nossa economia está em boas e competentes mãos?

A política, como bem sabe a presidente Dilma, é feita não só de nomes mas também de símbolos, e esta é a época certa para promover mudanças que possam devolver a confiança tanto aos investidores como aos cidadãos contribuintes: Ano Novo é tempo de mudanças, caras novas, novas ideias, novos projetos, novas esperanças, enfim.

E, no entanto, estamos começando o ano do mesmo jeito que terminamos o anterior, dando ao governo uma imagem envelhecida, embora tenha completado apenas dois anos.

Em diferentes áreas do governo, as coisas não andam, ou vão muito devagar, decisões importantes estão sendo adiadas, como a dos royalties do petróleo, e outras nem são aventadas, como a fundamental discussão de uma profunda reforma política.

Os bons índices de renda e emprego continuam preservados, mas a inflação em 2012 chegou a 5,84%, bem acima da meta prevista de 4,5%, criando um clima de instabilidade para os agentes econômicos já que os preços deverão continuar subindo.

Que o Ministério Dilma, em boa parte herdado do governo Lula, não é nenhuma Brastemp, ela e todos nós sabemos desde o começo, mas por que não aproveitar o momento da virada do ano e fazer uma reforma para valer?

É verdade que o país vive uma crise de lideranças e competências, e não é de hoje, como tive a oportunidade de conversar tempos atrás com a presidente Dilma num almoço aqui em casa.

Se você aponta um nome que considera fraco, logo ela questiona: e quem você tem para colocar no lugar? Não se trata só de um problema de governabilidade, quer dizer, contemplar o maior número de partidos para garantir a base aliada, mas da falta mesmo de profissionais que possam entrar no time e sair jogando como titulares.

Quem são hoje as grandes lideranças do país no meio sindical, empresarial, acadêmico, cultural, científico, que estariam dispostos a largar seus afazeres e compromissos para dar sua contribuição ao governo brasileiro?

Ouso sugerir uma reforma mais ampla do que apenas abrigar Kassab e Chalita na Esplanada, mesmo sabendo das enormes dificuldades que a presidente Dilma encontraria para encontrar os nomes certos e convencer seus parceiros de governo de que é necessária uma mudança mais ampla na equipe ministerial.

Alguns ministros, como o da Fazenda, Guido Mantega, velho amigo com quem encontrei numa feijoada no final do ano passado, já estão no governo federal há mais de 10 anos. Por mais brilhantes que sejam, chega uma hora em que cansa enfrentar sempre os mesmos problemas com a velha caixa de mágicas que já não chega mais a surpreender a plateia. Foi a impressão que ele me deu.

Ainda que não seja para já, pois as emergências se avolumam no dia a dia do governo, a presidente Dilma poderia pensar num estoque de talentos para trocar algumas peças capazes de dar mais agilidade ao governo, no momento em que a oposição já começa a colocar seu bloco nas ruas, mesmo sem ter ainda encontrado um candidato ou qualquer ideia de campanha.

É bem possível que Dilma tenha tocado nestes assuntos nas conversas que teve al mare na Bahia com os governadores Eduardo Campos e Jaques Wagner, este cada vez mais ocupando o papel de conselheiro político da presidente.

De repente, vêm mais mudanças por aí e eu não sabia...

Em tempo:

lembrei-me, depois de terminaro texto, que fiz a mesma pergunta do título deste post ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando ele já ia em meio ao seu segundo mandato, e vivia se queixando da sua base aliada.

"Por que não? Porque eles me derrubam no dia seguinte..."

Não ficou claro nem quem nem como derrubariam o presidente, mas a dúvida ficou pairando no ar e nunca mais me esqueci da resposta.

http://r7.com/fLkS

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Artigo impresso de Ricardo Kotscho: http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho

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