Em apenas duas Câmaras Municipais das 26 capitais brasileiras, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, sobrevive a instituição do "auxílio paletó", uma aberração criada ainda no regime militar, que concede mais dois salários por ano para que as excelências possam comprar roupas e andar bem vestidas.

Em levantamento feito pelo repórter Ezequiel Fagundes, de "O Globo", ficamos sabendo que com o 14º e o 15º salários pagos aos seus vereadores a título de  "ajuda de custo', cariocas e mineiros não vão gastar pouco: dá um total de R$ 2,5 milhões por ano.

Quando esta jaboticaba parlamentar foi criada, destinava-se a ornar os parlamentares com ternos e gravatas, mas como eles não são obrigados a prestar contas das suas despesas, cada um pode fazer com o seu (nosso) dinheiro o que bem quiser.

"Se eu quiser comprar tudo em cueca, eu compro em cueca", reclamou ao repórter o médico Alexandre Gomes, do PSB, que já está indo para o seu quinto mandato como vereador.

Após uma breve pesquisa no Google, descobri que com os  R$ 24 mil que ganhou de "auxílio paletó", Gomes poderá abastecer seu armário com nada menos do que 1.000 novas cuecas_ sim, 1.000 unidades da marca Zorba Boxer Bambu, vendida a R$ 24,90 cada na Casa das Cuecas.

Será que esta verba não teria um destino mais útil se fosse empregada na compra de uniformes escolares para as crianças de Belo Horizonte?

Em tempo: ficarei fora do Balaio e do Jornal da Record News de 14 a 21 deste mes para fazer uma reportagem sobre o RecNov, o grande centro de produção de dramaturgia da TV Record no Rio de Janeiro.

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