joel silveira Garrafas ao mar: um filme imperdível, uma obra prima

Poder falar de notícias boas dois dias seguidos é muito raro, mas acontece. Acabei de assistir agora ao filme Garrafas ao mar: a víbora manda lembranças, de Geneton Moraes Neto, na Globo News, uma obra-prima de documentário, aula imperdível de jornalismo e de Brasil.

Em 90 minutos, Geneton resume a vida e a obra de Joel Silveira, "a víbora", o maior repórter brasileiro de todos os tempos. É o resultado de um trabalho que durou 20 anos de entrevistas _ o repórter mais novo arrancando do repórter mais velho, passo a passo, com paciência e método, as mais incríveis lembranças sobre os personagens que fizeram a história recente do nosso país.

Da primeira à última cena, músicas, imagens, textos (interpretados por Othon Bastos, Carlos Vereza e Fagner) e depoimentos, tudo na medida certa, no ponto certo, vão nos contando o que aconteceu nos últimos 60 anos no Brasil e no mundo, na visão sempre crítica, irônica, implacável e, ao mesmo tempo, bem humorada, de Joel Silveira.

Geneton acompanhou os últimos anos de vida de Joel até a morte, em 2007, resgatando a memória deste fantástico repórter sergipano, desde a sua vinda do Recife para o Rio de Janeiro.

O volume de informações é tamanho, emendando uma história na outra, que você não consegue despregar os olhos da tela nem para buscar um copo d´água.

Ditadura Vargas, Segunda Guerra Mundial, a vida deslumbrada dos ricos paulistas, o golpe de 1964, histórias de papas e de presidentes, de grandes escritores e vítimas anônimas, tudo vai-se sucedendo com a maior naturalidade, como se fosse um papo de boteco sem hora para acabar.

Os grandes filmes costumam passar primeiro nos cinemas e levam tempo para serem exibidos na televisão. Neste caso, acho que o documentário do Geneton sobre o Joel Silveira deveria fazer a trajetória inversa: ser logo programado para exibição nos cinemas, vendido em DVDs, adotado nas escolas de jornalismo como matéria obrigatória.

Como vocês podem perceber, escrevo este texto encantado com o que acabei de ver nesta manhã de domingo, e ainda mais apaixonado pela profissão de repórter, que nunca vai acabar, enquanto existirem jornalistas com a paixão de Joel e Geneton. Embora cada vez mais raros, eles continuam produzindo matéria-prima para os historiadores do futuro.

 

 

 

 

 

 

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13 Comentários

"“Garrafas ao mar”: um filme imperdível, uma obra-prima"

3 de February de 2013 às 12:46 - Postado por rkotscho

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Comentários
  • RGS(PESQUISADOR)
    - 4 de fevereiro de 2013 - 13:07

    O blog do jornalista Geneton Moaes Neto é bom.Falta etretanto, a participação dos leitores - Falta interatividade.

    Responder
  • Jose Emílio Guedes Lages
    - 4 de fevereiro de 2013 - 11:30

    Eu assisti gostei muito mas o Genneton poderia nos poupar da voz do Fagner, um reaça de responsa! Xô! Zé Emílio

    Responder
  • Luiz Carlos, o velho
    - 4 de fevereiro de 2013 - 09:36

    Caro Kotscho. Volto aqui, apenas para trazer-lhes boas notícias. O governo PT, Kotscho e pessoal do balaio, finalmente realizou o sonho acalentado há muitos anos pelos liberais: O PT privatizou a PREVIDÊNCIA SOCIAL DO FUNCIONALISMO PÚBLICO!!! Não é uma maravilha Kotscho? Os liberais e uma porção da direita estão rindo de orelha a orelha, pois há muito tempo eles tentam ''privatizar'' a previdência e não conseguem. O PT deu-lhes este presente. Para quem não acreditar, eis o link. http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/02/servidor-nomeado-partir-desta-segunda-seguira-regras-do-funpresp.html

    Responder
  • J. Leite
    - 4 de fevereiro de 2013 - 09:06

    Caro Ricardo Kotscho. Não assisti o filme mas. Ja li a reportagem no Blog do Jeneton Moraes neto. Acompanho o Blog dele tambem.Sem dúvida é um grandioso reporter que entrevista grandes personalidades do mundo artistico, politico e economico do Brasil e do mundo. Entre as reportagens que eu li e achei mais interessante foi a do presidente Médici. Com o Che Guevara. com o carrasco que executa as sentenças dos condenados a morte nos Estados Unidos e muitas outras. De vez em quando faço alguns comentarios no Blog dele tambem.

    Responder
  • Mr. Chance (Muito Além do Jardim...)
    - 3 de fevereiro de 2013 - 20:11

    Responda com sinceridade, Kotscho... haveria espaço hoje para um repórter como Joel em algum grande veículo da Imprensa brasileira? Discordo frontalmente de você, meu caro. O problema hoje no Brasil não é a falta de grandes repórteres, é a limitação que está sendo imposta à eles pelos DONOS dos grandes veículos, que fazem mais política do que jornalismo.

    Responder
  • Alexandre
    - 3 de fevereiro de 2013 - 19:28

    Não sou jornalista, mas este documentário, de qualidade incomparável, deixou-me verdadeiramente extasiado. Na minha opinião, é obra obrigatória.

    Responder
  • Geneton Moraes Neto
    - 3 de fevereiro de 2013 - 19:06

    Caro Ricardo: Vindas de você, um grande repórter, estas palavras sobre o Garrafas ao Mar têm um significado especial. Você sempre fez parte da tribo ( pequena ) dos que não trocam a reportagem por nada. Obrigado, um grande abraço e viva a víbora!

    Responder
  • Robson de Oliveira
    - 3 de fevereiro de 2013 - 18:59

    Boa noite Ricardo! Boa noticia é esse segundo texto sem falar de política! Também percebi teu entusiasmo e fico feliz em saber que ainda existem pessoas apaixonadas por aquilo que fazem. O título do filme é bem instigante. Garrafas ao mar sugerem um pedido de ajuda, de socorro, ou simplesmente uma mensagem "para-quem-achar"... Já fiz isso uma vez. Escrevi uma mensagem apaixonada em uma folha, coloquei numa garrafa e joguei no Rio Paraguai láááaá em Corumbá - MS onde em 87 conheci a mãe de minhas filhas. Não foi ao mar, mas como todo rio vai até ele, se ninguém achou, deve estar por aí boiando...boiando...boiando... ...se puder, vou assistir esse filme indicado por teu entusiasmo... Grande abraço. Robson de Oliveira http://ecoblog-blogeco.blogspot.com.br/

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  • Ricardo Não-Kotscho
    - 3 de fevereiro de 2013 - 18:55

    Belo texto, xará, idem o documentário e equipe responsável! Ah, detalhe: Foi de Aracaju que ele saiu para o Rio de Janeiro. Abraços!

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  • Sônia Gutierrez
    - 3 de fevereiro de 2013 - 15:27

    Concordo. Além de ser uma aula de jornalismo, é um libelo à amizade, ao companheirismo, ao respeito e afetividade de um ser humano por outro. Como essas visitas deve ter alegrado Joel Silveira. Emociona esse resgate do trabalho de um repórter que estaria fadado ao silêncio e ao ostracismo eternos, não fosse a inconformidade de Geneton Morais, o seu inequívoco amor a sua profissão. Um belo documento.

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  • RGS(PESQUISADOR)
    - 3 de fevereiro de 2013 - 15:22

    O filme documentário,muito bem feito - Na minha modesta opinião supera a maioria dos filmes de ficção(mesmo os Holywdianos recentes) em termos de envolver o telespectador do começo ao fim.Também,revela um pouco da hisória recente do Brasil.

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  • simony
    - 3 de fevereiro de 2013 - 14:52

    Estou sem palavras, documentario maravilhoso

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  • Patrícia Paixão
    - 3 de fevereiro de 2013 - 14:39

    Eu também terminei de assistir ao filme emocionada, encantada e orgulhosa por ser jornalista. O documentário inteiro é uma obra-prima, mas as cenas finais do apartamento de Joel vazio, Chopin ao fundo, e a narração de trechos de uma crônica de Joel sobre o casarão vazio são de nos fazer chorar rios... Genial!! Que bom que Geneton é um memorialista incorrigível e registrou tudo. Agradecemos!!!

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