bento 16 Carnaval ofusca a renúncia de Bento 16

Com o maior País católico do mundo só querendo saber de Carnaval, o papa Bento 16 não escolheu o melhor dia para anunciar a sua renúncia nesta segunda-feira, em meio aos folguedos de momo. Poderia pelo menos ter esperado a Quarta-Feira de Cinzas.

Quando comentei a notícia com os amigos, lembrando que uma renúncia papal não acontecia há 600 anos, ninguém me deu muita bola. Em outros tempos, um fato desses causaria comoção mundial e não se falaria de outro assunto, mas o próprio Bento 16, nos seus oito anos de papado, tratou de esvaziar o papel da Igreja Católica, levando-a de volta à sacristia, sem se importar com a diminuição de seu rebanho, inclusive no Brasil.

O cardeal alemão Joseph Ratzinger não era propriamente uma figura carismática, como seu antecessor, João Paulo 2º, o polonês Karol Wojtyla, que deu início à guinada conservadora da Igreja Católica, retrocedendo ao período anterior ao Concílio Vaticano 2º promovido por João 23.

Ao anunciar sua renúncia, Bento 16 atribuiu sua decisão a problemas de saúde e à idade avançada, alegando que não tem mais forças para continuar no cargo. Nos próximos dias e semanas, porém, os vaticanólogos se dedicarão a descobrir outras razões para esse gesto extremo. Desapego ao poder certamente não foi, já que Ratzinger lutou muito dentro do Vaticano para ser eleito em 2005.

Na época em que a Igreja Católica ainda preservava seu poder de influência nos destinos do mundo, no final dos anos 70 do século passado, quando era correspondente do Jornal do Brasil na Europa, fiz a cobertura das mortes dos papas Paulo 6º e João Paulo 1º e a eleição dos seus respectivos sucessores, João Paulo 1º, que morreu um mês depois, e João Paulo 2º.

"Il Papa è morto". Tomei um susto quando vi esta manchete nas bancas de Turim e a cidade vazia e silenciosa em pleno dia de semana. Ao seguir viagem, parecia que a Itália inteira estava de luto.

Junto com meu colega Araújo Neto, competentíssimo correspondente do jornal em Roma e um especialista em assuntos do Vaticano, e concorrendo com centenas de jornalistas vindos do mundo inteiro, passei semanas tentando entender como funciona a engrenagem de poder que elege um Papa.

Havia uma lista de favoritos, mas acabou sendo eleito o singelo cardeal de Veneza, dom Albino Luciani, de quem ninguém falava. Agora, até o momento em que escrevo, apareceu apenas um nome, o do italiano Angelo Scola, 72, arcebispo de Milão. Seja quem for o escolhido, certamente Bento 16 terá forte influência sobre a eleição do próximo Papa, já que ele montou o colégio de cardeais à sua imagem e semelhança.

+ Leia mais sobre a vida de repórter de Ricardo Kotscho no R7 Livros 

 

 

 

 

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32 Comentários

"Carnaval ofusca a renúncia de Bento 16"

11 de February de 2013 às 11:27 - Postado por rkotscho

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Comentários
  • Victor Hugo
    - 15 de fevereiro de 2013 - 11:47

    Robson, assim como voce, outros caem nos contos do vigário do PIG. Mas voce parece gostar e continua fiel a quem abusa de sua ingenuidade. É próprio de seus textos agressões e frases infelizes ("suja tudo por onde passa"). Jamais diria isso de qualquer participante do Balaio. Voce se estressa com facilidade, pois tenta parecer o que não é. Mera coincidência com seu idolo, Geraldo Alckmin. Robson, o jornalista Paulo Moreira Leite, ex-articulista da "Época", acaba de lançar um livro desmascarando a farsa do julgamento do "mensalão". Terei prazer em enviar-lhe um exemplar de presente. Só prometa que não vai mais repetir essa asneira de que defendo corruptos. Quem vive bradando aqui mesmo no Balaio "não sou contra a corrupção" é voce. Tô mentindo ? Abração, meu fíiii.

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  • Robson de Oliveira
    - 14 de fevereiro de 2013 - 21:09

    Victor, quando eu digo "raça", eu incluo todos eles, os políticos, alguns talvez, quem sabe, até não mereçam por mérito ideológico como Cristóvão Buarque, ou um ou outro mais. Não incluo os tais tucanos pois não vejo como possam estar em enrascadas, o que vejo é o silêncio cúmplice desses. Os escândalos protagonizados por eles, os tucanos, não foram julgados ainda, portanto, nem tenho o que comentar. Diferente do caso de vocês "pardais" já que gosta de passarinhos. Quanto ao Collor, eu mesmo que havia votado nele, exigi e cobrei à época quando ainda governava. Não foi pelo fato de ter escolhido essa pessoa que me fez idiotizar. Situação bem diferente no caso de vocês que literalmente passam a mão na cabeça de todos sem exceção por piores que sejam os atos. Repetem à exaustão o que é DEFINIDO pelo partido como questão única e verdadeira. Não dispõe de opinião própria nem sequer senso crítico para contestar. Eu nunca ataquei esse ou aquele partido, nunca disse nada contra o PT, pelo contrário,até já defendi aqui a sua manutenção quando disseram (o que obviamente interpretei mal) que teria um fim. Nunca fiz ou participei de movimentos fora isso ou fora aquilo. Fora Collor, fora FHC, ou qualquer outro "fora". Porque isso NÃO É DEMOCRÁTICO!, portanto, bem diferente das militâncias desvairadas que adoram "saltitar" ululando palavras dessa ordem. No caso das ACUSAÇÕES SEM PROVAS...Vai falar isso para os advogados CARÍSSIMOS da defesa. Veja se houve algum movimento nesse sentido, se houve apelo às Côrtes Internacionais. Talvez, só a Cubana, ou a Norte Coreana se pronunciassem já que em seus países não há liberdade nem expressão individual. Portando, tudo foi feito de acordo com a lei, dentro da lei, e respeitando a Constituição. O contrário do que os acusados e condenados fizeram como foi sacramentado. Ainda tem a petulância de assumir cargos públicos pagos com nosso dinheiro. De desqualificar um órgão federal, uma instituição democrática como o STF, e por fim, demonstram o quanto são mais preconceituosos pelo fato de um Juiz vindo do povo, da pobreza e conquistado seu espaço com respeito e dignidade, não se vergou aos interesses mesquinhos e criminosos da cúpula de uma quadrilha. Outro que não aceitou as ameaças e chantagens. Nem mesmo aqueles que defenderam seus pontos de vistas encontraram amparo legal sucumbindo às evidências que vocês negam. Depois ainda dizem que eu sou o pato. Se sou enganado, assumo e cobro o que me devem, não fico de quatro aplaudindo e defendendo que mais crimes sejam cometidos e mais impunidade envergonhe cada vez mais o nosso País. Isso tudo Victor, não faz parte do assunto do post ao qual você nem lê, mas corre para importunar os outros comentaristas com suas palhaçadas. Quanto ao catar coquinho Victor, eu posso até catar, mas existe uma diferênça entre mim e você, eu tenho que me abaixar para catá-los, você, nem precisa.

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