papas kotscho  Quem será o novo papa? Que diferença vai fazer?

João paulo 1º, Bento 16 e João Paulo 2º

Enquanto os 115 cardeais que vão eleger o novo papa se trancam na Capela Sistina, a imprensa do mundo inteiro continua especulando sobre os favoritos para assumir o lugar de Bento 16. Quem será o novo papa?

Desde o último dia 11 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval, quando o mundo foi surpreendido pela renúncia do papa alemão, algo que não acontecia na igreja há 600 anos, parece que o destino da humanidade está sendo jogado em Roma, tal a avalanche do noticiário religioso nestes últimos dias.

À pergunta que todos se fazem, acrescento outra: Que diferença vai fazer nas nossas vidas a escolha do novo papa, seja ele quem for? Afinal, os cardeais votantes foram todos nomeados por Bento 16 ou pelo seu antecessor, João Paulo 2º, ambos da mesma escola que deu a guinada conservadora na igreja.

Faz muito tempo que as ordens emanadas do Vaticano já não comandam a vida nem do estimado 1,2 bilhão de católicos existentes no mundo, entre eles, este velho escriba, que era correspondente do Jornal do Brasil na Europa em 1978, ano em que tivemos três papas (Paulo 6º, João Paulo 1º e João Paulo 2º).

Junto com o correspondente do jornal em Roma, Araújo Neto, querido amigo já falecido, fiz a cobertura do enterro dos dois primeiros e a eleição dos dois João Paulo.

Naquela época, a Igreja Católica ainda desempenhava um papel importante na geopolítica mundial e nos usos e costumes da maioria dos seus seguidores, o que explicava toda a comoção provocada pela sucessão de um papa.

Em 1978, como agora, também havia especulações de vaticanistas e outros "istas" sobre os favoritos no conclave, mas nenhum dos dois eleitos estava entre eles.

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Sob o título "Em Canale D´Agordo, já se sabia de tudo. E se rezou contra", o JB deu uma página inteira sobre a história dos Luciani e da magnífica região do Veneto, de onde viera João Paulo 1º, o breve, como previu seu irmão Edoardo. A abertura da matéria:

Só os vaticanistas, a Igreja e o resto do mundo foram surpreendidos com a eleição de Albino Luciani para suceder Paulo VI. É esta, ao menos, a conclusão a que se chega após uma rápida viagem pela Veneza dos papas (Luciani é o terceiro papa vêneto, só neste século) e uma tarde de conversas com os moradores de Canale D´Agordo, pequena aldeia onde Albino nasceu. Entre eles, seu irmão mais novo, Edoardo Luciani, pai de nove sobrinhos do novo papa.

"Prepara teu vestido preto, porque teu cunhado vai ser o novo papa e nós teremos que ir a Roma", sentenciou Edoardo à mulher, Marinelli Antonieta, assim que soube da morte de Paulo 6º.

Desde o último inverno, quando o novo papa esteve com o irmão na aldeia, a família Luciani não só desconfiava do destino de Albino, como temia por ele. 

"Sabendo que o papa estava muito doente e dificilmente conseguiria atravessar o inverno, meu irmão pediu para que rezássemos bastante para que ele não fosse eleito seu sucessor", conta-me o mestre-escola aposentado Edoardo, 62 anos, na sala de visitas do sobradão.

"Liguei a televisão cinco minutos antes do cardeal Felici falar o nome do novo papa. Eu tinha certeza, estava seguro de que era meu irmão. Ele tinha medo de ser papa. Vivia aterrorizado com essa ideia".

_ Mas por que essa ideia? E por que esse medo?

_É muito simples. Veja, eu sou mais novo do que ele quatro anos e já estou aposentado. Me doem as costas, sinto-me cansado. Agora, você imagine o Albino, numa idade em que precisava descansar, agora com essa vida de papa. Tem que acordar às quatro horas da manhã, trabalhar até as onze da noite, com tantos problemas que tem na Igreja, no mundo... Não, não é nenhuma maravilha de trabalho, não.

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Se naquela época já havia problemas...

A premonição de Edoardo seria confirmada apenas 33 dias depois. O telefone tocou tarde da noite na minha casa em Bonn, capital da Alemanha na época. Era Dorrit Harazim, chefe dos correspondentes internacionais: "Kotscho, te prepara para voltar a Roma. O papa morreu!".

Pensei que fosse trote, ainda brinquei: "Como assim? Morreu de novo?".

Também ninguém apostava que dias depois seria eleito para o lugar de João Paulo 1º o cardeal polonês Karol Wojtyla, o primeiro papa não italiano em mais de 450 anos.

Aprendi a não dar palpite nestas horas. É melhor esperar a fumaça branca.

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