foto 1 Com 30 partidos e 39 ministérios, país é ingovernável

Presidente Dilma Rousseff cumprimenta Wellington Moreira Franco durante sua posse no cargo de Ministro-Chefe da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

O frustrante anúncio de mudanças em sua equipe feito no começo da noite de sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff, primeira fatia de uma minirreforma esperada desde o começo do ano, prova apenas que tem razão o empresário Jorge Gerdau, presidente da Câmara de Políticas de Gestão: com 30 partidos e 39 ministérios o país fica ingovernável.

"Diria o seguinte: tudo tem seu limite. Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente sai um saneamento. Nós, provavelmente, estamos no limite desse período", disse Gerdau em entrevista publicada pela "Folha" no mesmo dia das mudanças ministeriais.

Que diferença vai fazer para a vida nacional se Moreira Franco (PMDB-RJ) sai da Secretaria de Assuntos Estratégicos para a de Aviação Civil; se Antonio Andrade (PMDB-MG) substituirá Mendes Ribeiro (PMDB-RS) na Agricultura, e Manoel Dias (PDT de Carlos Lupi) entrará no lugar de Brizola Neto (PDT-RJ) no Ministério do Trabalho?

A imensa maioria dos brasileiros não sabe quem são os que saíram, nem os que entraram, nem os que ficaram no time de Dilma. Sabemos apenas que as mudanças serviram para assegurar a fidelidade dos líderes dos dois partidos aliados contemplados nesta dança da troca de cadeiras.

Parece até a seleção brasileira: depois dos 102 jogadores convocados por Mano Menezes e mais alguns novos chamados por Felipão, ninguém sabe dizer qual é o time que estreará na Copa das Confederações daqui a menos de três meses.

Num almoço de trabalho com a direção de uma das maiores agências de comunicação do país, na sexta-feira, lancei o desafio aos anfitriões: me digam o nome de um ministro, só um, que se destaque neste governo, que tenha deixado a sua marca. Ficou um olhando para a cara do outro e fez-se um silêncio constrangedor.

É verdade que o estilo centralizador da presidente Dilma faz com que seus ministros não tenham brilho próprio, evitem tomar iniciativas mais ousadas e, assim, acabem mais com o perfil de assessores do que de gestores.

Desta forma, tanto faz quais sejam seus nomes, seus perfis, seus conhecimentos, seus currículos _ o importante é saber quantos segundos de televisão o partido de cada um deles trará para a campanha da sucessão.

Para abrigar tantos apetites e interesses novos e antigos que disputam nacos de poder no governo, Dilma até resolveu criar mais um partido, o 39º, destinado à Micro e Pequena Empresa, para contemplar o recém-nascido PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, que acabou ficando de fora da mini-minirreforma de ontem.

O partido já tinha até indicado o nome para ocupar a vaga, o do vice-governador paulista Guilherme Afif. Na última hora, porém, Kassab roeu a corda e abriu mão de participar do governo agora, para não se envolver neste esquema de "troca-troca", como se o PSD fosse altamente ideológico e programático (ver post anterior).

Bom fim de semana.

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