jornais ingleses  Governo e partidos regulam a mídia. Na Inglaterra

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Por aqui, não se pode nem tocar no assunto que os bate-paus da liberdade de imprensa deles (só para os barões da mídia) já saem logo correndo e gritando "fogo na floresta!", "censura!", "controle social!".

Pois, vejam só, lá na nossa velha Inglaterra a coisa funciona um pouco diferente.

Depois de quatro meses de debates, e de passar o último fim de semana acertando os últimos detalhes com os líderes dos três principais partidos do país, o primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou nesta segunda-feira a criação de um novo orgão para a regulação da mídia, que prevê multas de até R$ 3 milhões para quem pisar na bola e não se retratar dos seus abusos.

Acabou a terra de ninguém dos Murdoch da vida, que por aqui sobrevive firme e forte, enquanto dormem no Congresso e no governo projetos destinados a criar marcos regulatórios do setor de comunicações.

O novo sistema adotado pela Inglaterra prevê a instalação de um orgão regulador independente, código de normas bastante rígido, serviço de arbitragem livre, direito de resposta e pedido de desculpas. A adesão dos veículos é voluntária, mas quem repetir algo como o uso de grampos ilegais, a exemplo do que aconteceu no escândalo do tablóide "News of the World", do magnata  Rudolf Murdoch, que levou a denúncias contra outros veículos, será mais severamente punido.

"É certo que vamos colocar em prática um novo sistema de regulação de imprensa para garantir que esses atos terríveis nunca possam acontecer novamente. Devemos fazer isso rapidamente", afirmou o primeiro-ministro Cameron.

Quem mais bufou contra a regulamentação? O tabloíde "Sun", que citou até Churchill em defesa da liberdade de imprensa absoluta, "guardiã dos homens livres", "inimiga mais perigosa da tirania", na mesma linha das manifestações do Instituto Millenium e da SIP (Sociedade Interamenricana de imprensa), para quem a regulamentação da mídia é coisa de ditaduras atrasadas.

E de quem é o "Sun"? Do mesmo Rudolf Murdoch, que se viu obrigado a fechar o "News of the World" e acabou sendo o principal responsável pela criação do novo sistema, em substituição ao PCC (Press Complaints Comission), o antigo orgão autorregulador que não sobreviveu ao mais poderoso barão da imprensa mundial.

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