agencia brasil  Governo joga toalha na votação da MP dos Portos

É mais fácil o São Paulo ganhar do Atlético em Minas nesta quarta-feira pela Taça Libertadores, depois de perder o primeiro jogo em casa, do que o governo federal conseguir aprovar a Medida Provisária 595, a popular MP dos Portos, que estabelece novos marcos regulatórios para o setor, como queria a presidente Dilma Rousseff.

Após uma avaliação feita no final da tarde desta terça-feira pelos principais articuladores políticos do governo, a medida não deverá ser aprovada na sessão marcada para hoje mesmo que os partidos de oposição desistam de obstruir a votação.

O problema está mesmo na base aliada, que continua batendo cabeça, com os articuladores do Planalto e do Congresso não conseguindo acertar os ponteiros para manter o texto original do governo, que foi modificado na comissão especial mista. Fica uma parte responsabilizando a outra por não entender nada de portos _ e os dois lados podem ter razão.

Para se ter uma ideia da desarticulação estabelecida para a votação desta MP, que a presidente Dilma considera "essencial para quebrar os monopólios e garantir a eficiência da logística portuária no país", quem mais luta contra a medida é o deputado carioca Eduardo Cunha, líder do PMDB, o maior partido da base aliada.

Chamado ao Palacio do Jaburu na noite de segunda-feira para discutir a questão com o vice-presidente Michel Temer e os líderes do partido, Cunha tomou uma dura quando lhe perguntaram "afinal, de que lado você está?"

Hoje, ele não deu nenhum sinal de que tenha mudado de lado numa disputa que interessa a muita gente, desde estivadores e centrais sindicais a antigos  concessionários de portos públicos e a grandes empresas interessadas em investir na área a partir da aprovação da MP.

Embora tenha uma oceânica, mas apenas teórica, maioria no Congresso Nacional, o govermo errou novamente no encaminhamento desta questão, assim como já tinha acontecido nos casos dos royalties do petrõleo e na reforma do código florestal.

Comprou muita briga com muita gente ao mesmo tempo e não combinou o jogo com aliados e oposicionistas antes de enviar o projeto para os parlamentares.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) chegou a afirmar à tarde que "não existe Plano B, queremos votar a MP ainda esta semana", mas o tempo corre contra a vontade presidencial.

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, uma das negociadoras do projeto, disse que a "MP desfigurada não interessa ao Brasil. Nós teremos dificuldade de implantá-la".

Faltam apenas nove dias para se chegar a uma solução, já que a atual legislação de licitação dos portos caduca no dia 16, e a MP ainda teria que ser aprovada no Senado.

Como as concorrências de alguns portos, como o de Santos, estão vencidas desde 1993, o governo terá que tomar medidas emergenciais, como, por exemplo, renová-las precariamente por cinco anos.

A ideia é fatiar a Medida Provisória em projetos e em medidas que o governo poderá adotar sem comprar novos confrontos com o Congresso.

O mais curioso de tudo é que em nenhum momento desta história ouviu-se falar do Ministro dos Portos _ sim, nós temos um ministro dos Portos, o cearense Leonidas Cristino, ex-prefeito de Sobral, onde não tem porto, que foi indicado para o cargo pelos irmãos Cid e Ciro Gomes, do PSB do governador Eduardo Campos, que é contra a MP dos Portos, assim como Cid e Ciro são contrários à candidatura dele para presidente da República.

 

 

 

 

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14 Comentários

"Governo joga toalha na votação da MP dos Portos"

7 de May de 2013 às 18:55 - Postado por rkotscho

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Comentários
  • divaldo
    - 12 de maio de 2013 - 13:55

    J.J.Leite, gostei do seu comentario sempre apontando os erros de percurso do governo com sua equipe de ministros e concordo, mesmo porque eu atribuo ser os melhores amigos, aqueles que apontam nossos erros e nao os que nos dao tapinhas nos ombros como fazem os politicos do PMDB e depois atendendo a pedidos dos correligionarios oportunistas, atendem aos seus pedidos, sabem como e a coisa. Sobre estar acordado, tenho que ficar alerta e tambem procurar como todos os nossos colegas, alertar ao governo cada vez que a coisa comeca a sair dos trilhos. Esta e a melhos contribuicao que devemos fazer, ao Brasil e ao melhor andamento da administracao do governo do PT. Desculpe pelo atraso na resposta porque apos meu retorno ao Brasil tive que visitaros parentes e entregar os pedidos.

    Responder
  • MP dos Portos e o São Paulo perdem: deu a lógica | Ricardo Kotscho
    - 9 de maio de 2013 - 11:50

    [...] perdem: deu a lógicaDias em MP dos Portos e o São Paulo perdem: deu a lógicaTereza Soares em Governo joga toalha na votação da MP dos PortosJ. Leite em Governo joga toalha na votação da MP dos PortosFabio Sp em Governo joga toalha na [...]

    Responder
  • Tereza Soares
    - 9 de maio de 2013 - 09:59

    É Ricardo... O governo jogar a toalha num assuntos desses pode provocar muita confusão: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-05-09/sessao-tumultuada-inviabiliza-a-votacao-da-mp-dos-portos.html Também... com essa base "aliada", quem precisa de oposição? Mudando de assunto: e agora que pela primeira vez na história desse país temos um ministro que oficialmente não pode trabalhar em Brasília porque é vice-governador de SP. Imagina quando o Alckimin viajar e houve alguma negociação entre o Ministério das Pequenas empresas e os governadores. O Afif vai ter que ficar correndo de um lado para outro da mesa, pois em cada momento da reunião ele vai responder por um "lado do balcão". Pode?

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  • J. Leite
    - 8 de maio de 2013 - 22:32

    Caro Divaldo. Parece que você está acordando. Ministério de portos, ministério de pesca, ministério de diferença racial e mais uma dezena de outros ministério são tudo de fachada. Só para criar empregos para a cumpanheirada e comprar apoio politico. É o mensalão legalizado.

    Responder
  • Fabio Sp
    - 8 de maio de 2013 - 21:05

    "afinal, de que lado você está?" Reposta básica que devia ser ouvida: "Do lado dos meus eleitores!!!?"

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  • divaldo
    - 8 de maio de 2013 - 19:11

    Confesso que eu não sabia que havia um ministerio dos portos e há um ministro, foi uma surpresa. Agora, cá entre nós, ter um ministro que a gente nem sabe seu nome, fiquei sabendo por seu intermédio e exatamente por falta de interação com os eleitores, foi demais. Eu sempre fui a favor do esquema ;"cada macaco no seu galho" e nunca fui a favor de indicações apenas politicas em lugar das técnicas. Justamente o governo ficar numa saia justa por causa do ministro não ser do mitiê é lamentável. Agora, o governo ter que enfrentar esta saia justa só porque não há uma definição do responsável por esta pasta dando o ensejo de saber que o ministério fica paracendo de fachada é uma coisa triste e sabemos que há um Sindicato dos Portuários cheio de gente competente, que sabe como é a sua extrutura, como funciona, que sabem o que é preciso fazer e não ter ninguém fazendo parte do ministério como ministro? Nenhuma indicação? Já era hora de ter um relatório completo sobre a mesa da Presidenta para ela tomar deliberações! Este ministro, como o Bernardo das comunicaçoes e outros, bem que mereciam estar na lista dos futuros substituídos por ineficiencia. Agora vi também que a notável presidenta Dilma nomeou o vice-governador tucano paulista para um posto de ministro foi demais prá mim. Este vice do Alckmim não me sai da lembrança quando há alguns anos atráz, ainda era presidente o FHC, juntamente com o Abrahão Szaimann veio em frente as cameras de Tv dizer que o culpado pela inflação naquela época era da supervalorização do dollar mas fazer algo, dar uma sugestão de como contornar tal fato não surgiu de sua parte qualquer alternativa durante a entrevista. Para mim este futuro ministro será mais um ao tipo deste do ministério dos portos. Chega de incompetentes, ainda mais do PSDB que não consegue nem levar adiante o governo de São Paulo, um fracasso incrível. Nossa notável Presidenta precisa olhar com mais agudeza para o seu partido, o PT porque lá há muita gente competente e tem pelo menos responsabilidade com o partido, coisa que os que o apoiam, não tem, vide o PSB que de socialista não tem nada, só fachada.

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  • alfie
    - 8 de maio de 2013 - 18:17

    Se não me engano, chanchada vem de uma palavra italiana que quer dizer bagunça. Pelo jeito, nosso congresso está em clima de chanchada com a cumplicidade do governo. Não sabia que existe um ministro dos Portos, não tinha ouvido falar dele. Estranho ainda o sujeito ter sido prefeito de uma cidade sem porto. Essa nossa política(Afif na oposição e na situação, querendo acumular cargos executivos) é uma chanchada.

    Responder
  • Dias
    - 8 de maio de 2013 - 17:02

    Sei não, acho que vai dar barba e cabelo, em Bel Orizonte e Brasília.

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  • Luiz Carlos, o velho
    - 8 de maio de 2013 - 14:27

    Muito triste isso ,pois trata-se de uma importante área da economia que o governo está passando para a iniciativa privada. Esta área é conhecida pelo alto custo operacional e absoluta ineficiência do estatismo anacrônico e de corporações sindicais. Para quem não sabe, eis a base do texto da MP: MEDIDA PROVISÓRIA Nº 595, DE 6 DE DEZEMBRO DE 2012. Art. 1o Esta Medida Provisória regula a exploração pela União, direta ou indiretamente, dos portos e instalações portuárias, e as atividades desempenhadas pelos operadores portuários. § 1o A exploração indireta do porto organizado e das instalações portuárias nele localizadas OCORRERÁ MEDIANTE CONCESSÃO de bem público. Se eu fosse parlamentar, o meu voto seria com o governo e com entusiasmo. Qualquer medida desestatizadora, TÔ DENTRO.

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  • jose
    - 8 de maio de 2013 - 10:09

    As concessões dos portos é uma das heranças do governo FHC: o gênio Mailson da Nóbrega não se pronuncia sobre essa marmota? De que lado está Eduardo Cunha? Ora, esse deputado carioca é uma daquelas figuras que não causa NENHUMA notícia positiva a seu respeito. É só revificar quem tem interesse por manter essas concessões nas regras atuais... Quando Eduardo Cunha e Paulinho da Força estão juntos podem garantir que interesse público não há.

    Responder
  • Gersier
    - 8 de maio de 2013 - 09:53

    Nem a mídia e muito menos certos políticos NUNCA pensam grande.NUNCA pensam no Brasil.A única coisa em que preocupam é em atender os seus interesses mesquinhos e de grupelhos.Meu DEUS, quando ficaremos livres desses parasitas?Dessas pragas?

    Responder
  • Vannelder
    - 7 de maio de 2013 - 21:21

    Prezado RK. Há algum tempo atrás, com a vitória do PMDB para as presidências da Câmara e do Senado (vitória esta apoiada pelo PT e pelo Governo Federal), eu comentei aqui que eles iam transformar a Dilma em "Sugar Spun Sister". E é isso o que estão fazendo nesse exemplar caso da MP dos Portos. Mas isso também revela a incompetência desse governo que tem tantos Ministérios, quase 40 - incluindo o Ministério dos Portos comandado por um indicado político sem experiência nenhuma no assunto - e não consegue se articular para aprovar uma medida de tamanha importância. Aí estão os fatos que qualquer pessoa com um mínimo de inteligência enxerga. Só não enxergam os fanáticos seguidores do esquerdismo barato, que cegados por uma ideologia utópica reagem de maneira agressiva aos que não se alinham às suas baboseiras.

    Responder
  • RGS(PESQUISADOR)
    - 7 de maio de 2013 - 21:11

    Por mais esperançosos que podemos ser - A realidade nos mostra a dureza dos fatos!.Surpreendente e até mesmo incrível na minha modesta opinião- Foi a escolha do vice -governador de São Paulo,escolhido pela presidente Dilma,para assumir o ministério da Micro Empresa - Domingos Afif.E o mesmo continuará sendo vice-governador do Estado de São Paulo.Oposição mesmo é o povo,depois das eleições.Se fosse possível,eu fundaria o Partido do Povo Brasileiro!.

    Responder
  • Tereza Soares
    - 7 de maio de 2013 - 19:11

    Kotscho, A Dilma está tão ausente dessa e outras discussões que dá a impressão que ela só fica assistindo a tudo de camarote, alheia ao que está acontecendo ou não querendo participar de verdade das questões para não correr risco de comprometer sua popularidade. Votei na Dilma e confesso que esperava que ela fosse mais presente. Dá a impressão que o país está sem comando. Enquanto isso várias situações bizarras e muito simbólicas vão acontecendo e se estabilizando no país: a intolerância religiosa se apossando da discussão (e comissão) dos direitos humanos, ocupação militar pra garantir obra de Belo Monte atropelando direitos indígenas e trabalhistas, violência física e cada vez mais brutal contra a mulher ficando comum nos coletivos do rio de janeiro, UPPs atropelando o direito das pessoas (vide o caso da fotógrafa da Maré que teve sua casa invadida e saqueada pela polícia), disputas sem fundamento entre judiciário e legislativo (como vc já bem abordou em seu blog). Enquanto velhos problemas persistem. Será que a Dilma vai ficar só administrando resultado de pesquisa, como se fosse um jogo de futebol já ganho? Onde está a inteligência do atual governo para colocar as coisas no trilho, garantir realmente as conquistas sociais e cidadãs do governo Lula? Abraços com dose de desilusão, Tereza

    Responder