Em tempo (atualização às 14h05):

Atendendo a um apelo feito pela presidente Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, Henrique Alves, decidiu colocar em votação a Medida Provisória dos Portos em sessão extraordinária marcada para as 18 horas da próxima segunda-feira, dia 13

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"É mais fácil o São Paulo ganhar do Atlético em Minas nesta quarta-feira pela Taça Libertadores, depois de perder o primeiro jogo em casa, do que o governo federal conseguir aprovar a Medida Provisória 595, a popular MP dos Portos, que estabelece novos marcos regulatórios para o setor, como queria a presidente Dilma Rousseff".

Lembram-se? Começava assim meu texto do post "Governo joga toalha na votação da MP dos Portos", publicado no final da tarde de terça-feira.

Não deu outra, deu a lógica. O meu São Paulo tomou uma biabada de 4 a 1 do Atlético em Belo Horizonte, fora o baile, na mesma hora em que um confronto entre membros da base aliada do governo obrigava o presidente da Câmara, Henrique Alves, a suspender a sessão, sem que a MP de Dilma sequer pudesse ser votada. Perdeu por WO.

De vez em quando a gente acerta, costumo brincar com os colegas de redação, quando se confirmam previsões feitas aqui no Balaio, mas desta vez nem foi tão difícil adiantar o que iria acontecer. Bastou conversar com algumas pessoas bem informadas em Brasília.

Assim como o São Paulo tem apenas três problemas para montar um time de futebol competitivo _ defesa, meio de campo e ataque _ além de contratar um técnico e aposentar o ditador Juvenal Juvêncio, o governo padece de uma crônica falta de articulação política, em que a chamada base aliada sempre causa mais problemas para a aprovação de projetos do que a oposição propriamente dita.

Com estes ministros e aliados, costuma-se dizer em Brasília, o governo nem precisa de oposição. Quem comandou a articulação contra a proposta do governo e apresentou uma outra emenda que desfigurava totalmente a MP 595 foi o líder do PMDB, Eduardo Cunha, carioca como Anthony Garotinho, do PR, também da base aliada, que partiu para o ataque sem citar nomes:

"Essa MP, senhor presidente, é a MP dos Porcos. Essa MP está cheirando mal, é podre. Não é a MP original que veio. Isso aqui não pode ser transformado no show do milhão. Essa emenda é Tio Patinhas", insinuando interesses escusos na emenda aglutinativa de Eduardo Cunha, que beneficiariam atuais concessionários, novos investidores, estivadores e governadores interessados em manter o controle dos portos.

PZB 9253 MP dos Portos e o São Paulo perdem: deu a lógica

Plenário da Câmara inicia discussão da Medida Provisória 595, que cria marco regulatório para os portos

O líder do PMDB vestiu a carapuça e subiu em seguida à tribuna para contestar Garotinho e pedir um processo disciplinar no Conselho de Ética.

"Senhor presidente, gostaria que o senhor instaurasse um procedimento no Conselho de Ética. E que fizesse isso às claras e que chamasse todos para apresentarem e provarem suas denúncias. Não estamos aqui para atacar a honra dos outros. Quem usa este expediente quer esconder a sua vida".

Garotinho não se abalou e em seguida voltou à tribuna e ao ataque: "Terei o maior prazer em dizer na comissão de ética o que sei sobre esta sessão. Se quiser, pode instalar".

A esta altura, com o clima lembrando mais o de torcidas organizadas nas arquibancadas, já não havia condições para votar mais nada, e o presidente Henrique Alves resolveu suspender a sessão, sem marcar outra. Saiu do plenário desolado: "Foi uma exposição de acusações implícitas, outras explícitas, de maneira leviana e irresponsável, que deixaram muito mal esta Casa e todos nós".

Acontece que a atual Lei dos Portos, de 1993, caduca na próxima quarta-feira, dia 16. Sobraria apenas a próxima terça para colocar a PM 595 em votação, já que hoje as excelências viajam para seus Estados e só voltam na segunda.

E a MP ainda teria que passar pelo Senado antes de seguir para a sanção da presidente Dilma. Ou seja, não haverá mais tempo, e o governo terá que adotar medidas emergências, como a prorrogação das concessões, enquanto pensa em preparar nova medida provisória com mais chances de ser aprovada no Congresso, se a monumental base aliada assim o permitir.

No embate entre Cunha e Garotinho, perdeu o país.

Quanto ao São Paulo, eliminado da Libertadores e do Paulistão, ficará agora um bom tempo sem jogar, o que é um alivio para seus torcedores, já cansados de passar vexames...

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