sessao camara MP dos Portos: a decisão em clima de barata voa

Por falta de quórum, às 4h55 da madrugada desta quarta-feira, após 18 horas de uma das mais tumultuadas votações da história da Câmara, o presidente Henrique Alves decidiu suspender mais uma sessão extraordinária. A esta altura, já havia sido aprovado o texto principal da MP dos Portos, mas ainda faltava votar 14 destaques. Nova sessão extraordinária foi marcada pela Câmara para as 11 horas de hoje e o Senado só tem prazo para tomar uma decisão final até amanhã, data-limite  para discutir e votar a matéria antes que a MP caduque.

É neste clima de barata voa que o País decide o destino da MP 595, um projeto fundamental para atrair novos investidores e promover a modernização do transporte marítimo no País, a primeira proposta séria feita por um governo para evitar o colapso do setor desde a abertura dos portos feita por D. João 6º, no século 19.

Quem melhor resumiu o que aconteceu na Câmara nesta quarta-feira foi o líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio, de São Paulo: "O que estou vendo aqui é inédito em toda a minha vida parlamentar. Líderes do PT estão pedindo apoio aos partidos da oposição e não da base aliada, para derrotar seu maior aliado, que é o PMDB".

De fato, não foram os minguados partidos de oposição que impediram a aprovação da matéria, mas a guerra aberta entre os dois maiores partidos da base aliada, que certamente deixará sequelas na formação da aliança entre PT e PMDB para 2014.

"Parecia que íamos ser batidos de goleada e não fomos. Diante de uma obstrução permanente, conseguimos votar e ganhar, mas ainda não conseguimos terminar", conformava-se o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Derrotada por 210 votos contra 172, a chamada emenda aglutinativa apresentada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que desfigurava completamente o texto-base da MP dos Portos e beneficiava os atuais concessionários, levou o líder do partido a comandar a obstrução da votação dos demais destaques, pedindo a votação nominal de cada uma, o que tornou o processo interminável, e levou Henrique Alves a suspender a sessão.

Para completar, Paulinho da Força, do PDT, outro partido da base aliada, anunciou que os trabalhadores dos portos de Santos, Paranaguá e Rio de Janeiro entrariam em greve por tempo indeterminado para pressionar o governo. É que ele quer manter o controle dos sindicatos, quer dizer, da sua Força Sindical, sobre a contratação de estivadores tanto nos antigos portos públicos como nos novos a serem implantados pela iniciativa privada.

No final do dia, a votação da MP dos portos mostrou mais uma vez que a chamada base aliada do governo é uma fantasia, como já havia acontecido nos casos do novo código florestal, da lei dos royalties e da aprovação do orçamento de 2013, que só saiu em março deste ano.

Quem entrou no plenário no meio dos tumultos de quarta-feira, em que um chamava o outro de ladrão e chefe de quadrilha, já não conseguia saber quem é governo e quem é oposição. No meio da madrugada, já sem saber o que fazer para manter a sessão aberta, o presidente Henrique Alves enviou um SMS ao líder Eduardo Cunha querendo saber onde estava o PMDB. A esta altura, Cunha, hoje mais feroz líder de oposição ao governo Dilma, já estava levando a sua bancada embora para melar a sessão. "O PMDB não precisa de babá. Faz 12 horas que eu não saio do plenário, discutindo, debatendo", retrucou Cunha.

Só restou a Alves se lamentar mais uma vez: "Queremos cumprir com o nosso dever e votar o texto, mas está muito difícil".

No final, ninguém pôde sair comemorando porque a votação da MP 595 ainda não terminou, e ninguém sabe o que pode acontecer nas próximas horas, mas uma coisa é certa: o País mais uma vez perdeu. Aliás, o que menos parece preocupar os gladiadores do Congresso Nacional são os superiores interesses do País, que há muito tempo aguarda por reformas estruturais profundas para entrar no mundo do século 21.

 

 

 

 

 

 

 

 

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9 Comentários

"MP dos Portos: a decisão em clima de barata voa"

15 de May de 2013 às 10:57 - Postado por rkotscho

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Comentários
  • alfie
    - 16 de maio de 2013 - 12:04

    O que aaconteceu no Congresso é a demonstração clara de quanto essa instituição está abangunçada,uma chanchada. Não vi alguém na mídia questionar porque a aprovação da MP dos Portos chegou até a data limite. Esse atraso evidencia que trabalho é bom, é raro no Congresso. Eles vão ao plenário de terça à quinta. Dedpois, sessões extras e com valores de horas extras pagos. Daí ser natural que os projetos atrasem, a aprovação das MPs atrasem (há mais de mil na fila) e o Brasil atrase. Está na hora do nosso caro Congresso, repleto de funcionários e de despesas (tem garçom ganhando cerca de 8 mil por mês) entrar na linha. Ser funcional e não um desperdício de dinheiro público. Uma reforma política que diminua o número de deputados (todos não cabem no plenário concebido por Niemeyer) e que seja ágil. Nesse campeonato de lerdeza, fica dificil dizer qual a maior tartatura: o poder legislativo ou o judiciário. Mas quem sofre é a nação.

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  • RGS(PESQUISADOR)
    - 16 de maio de 2013 - 10:35

    Desculpe-me,mais uma vez jornalista Ricardo Kotscho.Mudando um "pouquito" do assunto abordado.Depois de ouvir que no país amigo Venezuela, está FALTANDO até mesmo papel higiênico!!!.Embora,com poucos alimentos á disposição daquela nação - Esta situação não é relevante.Fico a imaginar os defensores do Fudel,do Lula,da Cristina,do H. Chaves e agora do seu sucessor Maduro e sobretudo da REVOLUÇÃO "BOLI - VARIADA" - O que os mesmos tem a dizer.

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  • Helena/S.André (SP)
    - 15 de maio de 2013 - 17:51

    A desgraça desse país tem nome: Daniel Dantas. Neste imbróglio todo vemos que a culpa é toda do FHC que deu de mão beijada o porto de Santos para esse infeliz explorar. Agora temos que aguentar seu poder de influência no Congresso, no stf... tudo visando atrapalhar o governo Dilma. Essa praga chamada Daniel Dantas tem que ser banida do país.

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  • nona fernandes
    - 15 de maio de 2013 - 16:02

    Acho que boa parte do que está acontecendo é terrorismo puro da mídia venenosa, e agora com a ajuda luxuosa de Ricardo Kotscho

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  • josé maria de souza
    - 15 de maio de 2013 - 16:02

    Talvez fosse mais produtivo para o governo colocar algum deputado do PSDB ou do DEM como líder da situação! josé maria

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  • J. Leite
    - 15 de maio de 2013 - 13:24

    Na minha modesta opinião acredito que o ideal seria o governo investir em infraestrutura. Portos, aeroportos, ferrovias e estradas, mesmo que fosse para privatizar depois. Deixar o setor privado livre para investir na industrialização do país mas. Como temos um estado podre. Tudo o que o governo faz vira um mar de corrupção, coloca pessoas incompetentes para administrar só resta ficar esperando que o setor privado tomem conta da economia do país. Criticam as empresas estatais mas. é preciso entender que o problema não está nas estatais. O problema é o estado brasileiro que é dominado por uma leva de incompetentes. Nada que o governo inventa da certo. Agora surgiu denuncia de corrupção na minha casa minha vida. Tudo envolvendo políticos aliados do PC do B. Além de casas que estão toda rachadas, muitas delas tem que ser derrubadas antes de ser usadas. O brasileiro precisa aprender a votar. Tem que eleger políticos compromissados com o país. Se o país vai bem o resto também vai bem.

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  • Roberto de Souza
    - 15 de maio de 2013 - 12:56

    Em meio a tanta baderna, o PT procurando a oposição e seu aliado tornando se oposição, valeu Garotinho ter mencionado o nome proibido, por trás e pela frente de Eduardo Cunha, e do PMDB, Daniel Dantas, pura trevas.

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  • dalvo
    - 15 de maio de 2013 - 11:58

    Luis Nassif lembrou a trajetória política de Eduardo Cunha que começa com PC Farias e continua a praticar traquinagens contra a sociedade... e ninguém faz nada contra esse fora da ordem que se alimenta com a impunidade... Paulinho da Força???? Quanta liderança dessa inutilidade movida a oportunismo... Fica a lição para Dilma se afastar de Sergio Cabral e cia e, com sua liderança apoiada pelo eleitor, construir outra composição sem o PMDB, pois ela tem potencial para mudar essa imoralidade que há muito tempo se chama política partidária no Brasil

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  • RGS(PESQUISADOR)
    - 15 de maio de 2013 - 11:34

    Caso a presidente Dilma tivesse força política sufiente e a lei eleitoral estabelecesse esta possibilidade-Mudaria de vice presidente!

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