dilma  Fim da batalha da MP dos portos: a goleada de Dilma

Agora cada um pode tirar mil conclusões, lições e análises sobre a batalha das últimas duas semanas em torno da Medida Provisória dos Portos, mas o fato concreto é que, depois de bater de frente com aliados e adversários,  fazer concessões e cobrar fidelidades, atropelar regimentos e acordos, ao final a presidente Dilma Rousseff ganhou de goleada, tanto na Câmara como no Senado. E a oposição sumiu.

Na votação do Senado, na tarde desta quinta-feira, em somente oito horas, a MP 595 foi aprovada por 53 votos a favor e apenas 7 contrários, com 5 abstenções. Detalhe: dos 5 que não votaram, 4 eram do PSDB, o partido que sempre defendeu as privatizações, um dos principais pontos da medida do governo. O presidenciável tucano Aécio Neves, depois de fazer um duro discurso de ataques ao governo Dilma, sumiu de cena e nem votou.

Mas a pergunta que fica ao final desta guerra, feitas as contas de vencedores e vencidos, mortos e feridos, é uma só: precisava de tudo isso?

A MP dos Portos tramitou na Câmara e no Senado durante 120 dias, uma comissão mista chefiada pelo senador Eduardo Braga (PMDB-AM) promoveu mais de uma centena de audiências, o governo teve tempo mais do que suficiente para montar a sua base de apoio (são apenas 90 deputados de oposição na Câmara contra 423 governistas), mas comprou várias brigas ao mesmo tempo, sem cuidar da retaguarda, e quase acabou sendo derrotado pelo líder do PMDB, Eduardo Cunha, que montou sua própria bancada e resolveu afrontar o governo. Cunha, o verdadeiro líder da "oposição governista", perdeu por pouco: suas "emendas aglutinativas", que beneficiavam basicamente antigos concessionários de portos públicos e desfiguravam a MP, foram derrotadas pela estreita margem de 210 a 175 votos.

Em absoluta minoria no Senado, a oposição ainda tentou obstruir os trabalhos e mais uma vez, recorreu ao tapetão do STF, entrando com um mandado de segurança no meio da tarde para suspender a sessão. Às 22 horas, ou seja apenas duas antes do prazo final para a aprovação da MP, o ministro Celso Mello indeferiu a liminar.

Agora, a presidente Dilma Rousseff deverá vetar pelo menos uma das emendas aprovadas no sufoco, inclusive com o apoio do PT, a que permite a renovação  por 25 anos dos contratos com portos públicos firmados depois de 1993, quando entrou em vigor a antiga Lei dos Portos.

Ficarão para a história as imagens dos senadores que aprovaram com tanta pressa a MP 595 que nem sequer leram o texto enviado pela Câmara após uma sessão que durou 22 horas,  e as cenas patéticas dos deputados comendo no panelão, dormindo nas cadeiras e vendo jogo de futebol, como se estivessem no saguão de alguma estação rodoviária.

Vida que segue.

Em tempo: ao final do texto de quinta-feira, que escrevi no meio da tarde, quando a quadro ainda não estava definido, prometi voltar a qualquer momento com novas informações. O leitor Claudio Pereira, com toda razão, enviou um comentário às 21h33 de ontem me cobrando a promessa que não cumpri. Acontece que, no mesmo horário, eu estava no ar ao vivo no Jornal da Record News, comentando exatamente este assunto na televisão, ao lado do Heródoto Barbeiro. É o problema desse negócio de ser multimídia... No fim, acabei esquecendo de atualizar o blog. Peço desculpas ao Claudio e aos demais leitores.

Por falar nisso, vou tirar uma folga neste fim de semana. Tô cansado.

Até segunda.

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