sp A dura nova rotina da vida no inferno paulistano

Manifestantes em frente à Prefeitura de São Paulo durante protesto contra o aumento das passagens em São Paulo. Foto: GABRIELA BILÓ/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Dia sim, noutro também, já faz mais de duas semanas que as passeatas de protesto fecham as principais vias e viram a maior cidade do país de pernas para o ar. O paulistano está tendo que se adaptar a esta nova rotina, uma verdadeira gincana no desafio diário de ir para o trabalho e voltar para casa.

A partir das três ou quatro da tarde, lojas e escritórios dispensam seus funcionários e os congestionamentos agora começam mais cedo. Bares e restaurantes do centro expandido viram a freguesia minguar porque todo mundo tem medo de sair às ruas à noite sem saber se conseguirá voltar para casa.

Sem entrar no mérito, motivações ou objetivos das manifestações lideradas pelo Movimento Passe Livre, que conta com o apoio da maioria da população segundo as pesquisas, o fato é que a vida de quem mora em São Paulo, que já não era fácil, transformou-se num inferno nos últimos dias, com prejuízos incalculáveis de toda ordem para trabalhadores, estudantes e empresas.

Até quando isso?, perguntou-me logo cedo a Edite, nobre e tranquila senhora baiana, que há séculos trabalha com a gente, sem nunca reclamar da vida, mas agora também até ela já está perdendo a paciência.

Este é o outro lado da história que a imprensa e seus cientistas políticos de plantão ainda não abordaram, nem ninguém se deu ao trabalho de calcular os prejuízos causados à população, que não são só financeiros, mas humanos. Se fizerem as contas, podem descobrir que as perdas para a cidade já são maiores do que os ganhos para as empresas de ônibus com o aumento das tarifas.

E que nesta quarta-feira, os transtornos para os cidadãos comuns, que não estão envolvidos nas passeatas, começou mais cedo. Por volta das sete da manhã, cerca de 300 manifestantes queimaram pneus e pedaços de madeira no quilômetro 23 da Anchieta, fechando um trecho no sentido capital da rodovia que liga a região industrial do ABC a São Paulo. Só saíram de lá uma hora depois, em direção à Prefeitura de São Bernardo do Campo, fazendo com que milhares de trabalhadores chegassem atrasados ao serviço.

ruas A dura nova rotina da vida no inferno paulistano

Manifestantes lotaram a esquina das avenidas São Luiz e Ipiranga, na região central da cidade de SP. Foto: Debora Suconic/Especial para o R7

O mesmo aconteceu, também logo cedo, na região do M´Boi Mirim, na zona sul, e na avenida Francisco Morato, na zona oeste, mostrando que a agenda dos protestos mudou de horário e se descentralizou, avançando pela Grande São Paulo.

Agora, mesmo que o prefeito Fernando Haddad, depois de refletir mais um pouco e refazer contas em seu gabinete, que quase foi invadido na noite de terça-feira, decida voltar atrás e cortar o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus, o que vai acontecer? Vai todo mundo recolher seus cartazes, faixas e bandeiras, voltar placidamente para casa e devolver as ruas para quem nelas precisa circular? Motivos e pretextos certamente não faltarão para novas manifestações contra tudo e contra todos.

Não sou de acreditar em conspirações, mas tem algo de muito estranho acontecendo quando um grupo de celerados passa horas depredando a sede da Prefeitura, bota fogo no carro de reportagens externas da Record, com os funcionários dentro, e depois sai saqueando e destruindo lojas, tudo sem ser molestado _ e fica tudo por isso mesmo, até o próximo protesto.

Como diz a dona Edite, até quando?

Em tempo: não deixem de ler hoje o blog "Escrevinhador", do meu colega Rodrigo Vianna, que estava lá no Viaduto do Chá na hora do vandalismo em frente à Prefeitura de São Paulo, viu tudo e faz um relato completo e assustador.

Para acessar:

htpp://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/foda-se-o-brasil-gritava-o-rapaz-em-sp.html

http://r7.com/8fFK