22 16 18 611 file Em reunião, Dilma ainda decide o que vai fazer

Em tempo (atualizado às 16h40):

Durante a reunião com os ministros da Justiça e da Educação (ver abaixo) ficou decidido que a presidente Dilma Rousseff deverá fazer um pronunciamento, às 21 horas, em cadeia nacional de rádio e TV. O discurso da presidente será gravado agora à tarde no Palácio da Alvorada.

Dilma deverá se reunir ainda hoje com o presidente da CNBB, Raymundo Damasceno, governadores, prefeitos e os presidentes da Câmara e do Senado, segundo informou agora há pouco o portal de O Globo.

Continuo em contato com minhas fontes em Brasília aguardando novas informações.

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Em reunião que começou às 10 horas, a presidente Dilma Rousseff está neste momento, meio dia de sexta-feira, ainda decidindo o que vai fazer em resposta às violentas manifestações da noite de ontem, que se espalharam por mais de 100 cidades e levaram mais de um milhão de pessoas às ruas, deixando um rastro de destruição, um morto e centenas de feridos.

No momento, Dilma ainda não decidiu se fará um pronunciamento à noite em rede nacional de rádio e TV ou apenas uma declaração formal aos jornalistas no Palácio do Planalto.

Os acontecimentos da noite de quinta-feira deixaram claro para o governo que não se tratava apenas de um movimento espontâneo mobilizado contra o aumento das tarifas do transporte público, mas algo organizado com outros objetivos, que acabaram degenerando numa situação fora de controle para criar um clima de instabilidade no país.

Os confrontos sem fim entre manifestantes e policiais que se estenderam até a madrugada, especialmente no Rio e em Brasília, ameaçando a invasão de prédios públicos, inclusive o Palácio do Planalto, acendeu o alerta vermelho no governo, e a presidente Dilma, depois de cancelar as viagens que faria hoje a Salvador, na Bahia, e na próxima semana ao Japão, convocou esta reunião de emergência, da qual participam, entre outros, os ministros Aloizio Mercadante, da Educação, José Eduardo Cardoso, da Justiça, e o líder no Senado, José Pimentel (PT-CE).

O maior exemplo disso foi dado em São Paulo, onde até os líderes do MPL, o Movimento Passe Livre, que deu início aos protestos há duas semanas em São Paulo, foram hostilizados e acabaram expulsos da festa da vitória pela redução das tarifas, juntamente com militantes do PT e de outros partidos, por radicais que se autodenominam "nacionalistas",  grupos organizados na internet com os codinomes "Pátria Minha" e "Revoltados Online".

Foto de Joel Silva publicada na primeira página da "Folha" de hoje é emblemática da atuação destes novos personagens que se multiplicaram depois que o MPL recebeu o apoio da grande imprensa: mostra um manifestante todo vestido de preto, de capacete, em figurino e pose tipicamente nazistas, agredindo militantes do PT acuados na avenida Paulista, entre eles um senhor de cabelos brancos pedindo calma.

"Desde o protesto de segunda-feira, já sentíamos que a manifestação estava ganhando características conservadoras. A direita instrumentaliza pessoas que não têm informação, infelizmente. Estão organizados para expelir as organizações populares", denunciou Fátima Sandalhel, uma das representantes do Consulta Popular. Mayara Vivian, líder do MPL, criticou os ataques ao PT: "O ato é publico. Se o PT quiser vir, são convidados todos. Nosso movimento é apartidário, mas não é antipartido".

A verdade é que a sanha dos "nacionalistas" acabou sendo estimulada pela convocação de uma "onda vermelha", feita na última hora pelo presidente do PT, Rui Falcão, uma iniciativa profundamente infeliz que foi criticada até no Palácio do Planalto. E só serviu para atrair a ira dos radicais de direita contra o PT e o governo Dilma, que até então não eram alvos das manifestações.

Em cada uma das praças de guerra, chamadas repetidamente de "manifestações pacíficas" na cobertura das principais mídias, as motivações poderiam ser diferentes, mas os métodos eram padronizados, com a dispersão dos protestos para diferentes áreas das cidades, inclusive o acesso a estradas.

No Rio, a manifestação descambou para cenas e personagens que só se podia ver antes em rebeliões nos presídios, onde estão os líderes do crime organizado. Parecia até uma vingança dos comandos criminosos contra as Unidades de Polícia Pacificadora da polícia do Rio que os tirou do controle do tráfico de drogas nos morros.

"Não foi só o governo que ficou perplexo com estas manifestações de violência, mas o mundo todo", conforma-se um integrante do governo, também em busca de explicações para o que está acontecendo. Elas certamente não virão da Abin, o órgão de inteligência do governo, que só ontem decidiu "monitorar as redes sociais", depois de deixar o governo vendido estes dias todos.

Tempos difíceis para o governo e para todos nós. Ninguém sabe no que isso pode dar.

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