kotscho Reforma política sobe no telhado e Dilma fica só

Atualizado às 8h55 de 5.7.2013

Como antecipado no texto abaixo, o plebiscito para a reforma política não sairá mais este ano _ talvez, no ano que vem. Depois de muitas idas e vindas, mentidos e desmentidos, a iniciativa da presidente Dilma Rousseff foi derrubada pela maioria no Congresso Nacional e pela falta de tempo para aprova-la até o dia 5 de outubro para que pudesse valer já nas eleições de 2014.

A relação da presidente com sua base aliada no Congresso e com o vice-presidente Michel Temer, que já não era das mais amáveis, só tende a piorar. Até o PT está dividido.

Só resta saber como vai reagir o bloco do "povo nas ruas", que tinha se recolhido nos últimos dias fazendo apenas manifestações setoriais, e o que acontecerá no próximo dia 11, quinta-feira, com a greve geral marcada pelas centrais sindicais.

Dias mais tranquilos para o governo e para o país parecem ainda distantes. Viajo daqui a pouco para Petrópolis, no Rio de Janeiro, e volto no domingo.

Se for possível, um bom final de semana a todos.

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Nem os governadores e prefeitos de capitais reunidos no Palácio do Planalto, na semana passada, nem os 36 ministros (três faltaram) que foram ouvir a presidente Dilma Rousseff na Granja do Torto sobre a reforma política, na última segunda-feira, nem os líderes dos partidos aliados (só sobraram PT e PC do B no apoio discreto à proposta), parece que ninguém se animou a defender o plebiscito ainda este ano.

A cada dia, surgem novas dificuldades para que os eleitores possam votar a reforma e o Congresso aprova-la antes do dia 5 de outubro, o prazo fatal para que as mudanças  entrem em vigor já nas próximas eleições. É jogo jogado _ e o governo perdeu a parada.

Do prazo de 70 dias solicitado pelo TSE para organizar o plebiscito à falta de consenso no Congresso sobre as questões que devem constar na urna eletrônica, tudo conspira contra a iniciativa de Dilma, que está ficando cada vez mais sozinha, faltando ainda um ano e meio de mandato.

O fato é que os parlamentares não querem abrir mão da prerrogativa de fazer a reforma política do seu gosto e em benefício próprio _ e não têm nenhuma pressa em mudar o sistema político-partidário-eleitoral.

Faz mais de duas décadas que ameaçam votar alguma mudança, emendas sobre o tema se acumulam nas prateleiras e, em meio a qualquer crise, o assunto volta aos discursos na tribuna, como a grande solução para todos os problemas nacionais, mas nada acontece.

Dei aqui mesmo os parabéns à presidente Dilma por seu ato de coragem no dia em que ela incluiu a reforma política entre as cinco prioridades apresentadas na reunião com prefeitos e governadores e cheguei a me animar com a ideia. A realidade dos fatos, porém, mostra a inviabilidade de se fazer a consulta popular, pelo menos ainda este ano.

O plebiscito em 2013 já tem até dia marcado para cair do telhado e sumir de cena: os líderes na Câmara marcaram uma reunião para a próxima terça-feira quando decidirão o destino que vão dar à proposta de Dilma. Adivinhem qual será?

Como o mais provável é derrubar a ideia da presidente, já que a maioria defende uma reforma política criada no Congresso e depois submetida a referendo, devem aprovar o "Plano B" de Henrique Alves, aquele presidente da Câmara que pede jatinhos da FAB para passear como quem chama um táxi (leia no blog do Heródoto Barbeiro): montar mais uma comissão especial para apresentar uma proposta em 90 dias.

Se depender deles, já sabemos, podemos tirar o cavalinho da chuva que nada vai mudar.

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