f2214ea41452fee3fe5d1e5b973d5cbb2670 Dia Nacional de Luta fracassa e lembra um filme de época
Em São Paulo, meio-dia, hora marcada para o início do principal ato de protesto organizado para o "Dia Nacional de Luta" pelas centrais sindicais nesta quinta-feira fria e ensolarada na maior cidade do País. Da avenida Paulista, a umas dez quadras de onde moro, vem um alarido que me lembra carro de som, velhas palavras de ordem entoadas pela multidão, que na verdade se resume a umas 2.000 mil pessoas (mais tarde, chegaria a 4.000 mil, segundo a PM). Luta contra quem, para quê?

Se era para ser um contraponto às oceânicas manifestações de junho convocadas pelo facebook, sem líderes nem palanques, o movimento das centrais deu com os burros n´água, como se dizia no tempo em que os sindicatos mobilizavam as massas já nos estertores do regime militar, no final dos anos 1970.

São Paulo não parou, nem qualquer outra grande cidade do País, como havia anunciado o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, boquirroto presidente da Força Sindical. Ao contrário, os congestionamentos foram muito menores do que a média dos dias normais, com ruas desertas de carros e gente como em dias de feriado _ não pela prometida "greve geral", mas pelo simples e bom motivo de que boa parte dos paulistanos preferiu não sair de casa com medo de confusão e de não conseguir voltar.

Ao ver pela televisão as imagens dos sindicalistas marchando em direção à Paulista, cada lado com seu uniforme _ os da CUT, de vermelho; os da Força Sindical de laranja _ carregando suas bandeiras padronizadas e empunhando as mesmas faixas de outras manifestações, dei-me conta de que este protesto de hoje nada tinha a ver com os que inundaram as ruas do País no mês passado, numa cacofonia de vozes, policromia de tipos e multiplicação de mensagens, sem roteiro e sem diretor.

Agora, parecia estar vendo um filme de época, em branco e preto, absolutamente previsível, trazendo de volta antigos discursos e personagens de um tempo que passou.

As máquinas não pararam nas fábricas da maioria das cidades, apesar dos bloqueios montados nos acessos a portos e em 40 rodovias de 14 Estados. Os transportes públicos funcionaram normalmente no Rio, em São Paulo e Brasília. Após a hora do almoço, mesmo em Vitória, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte, onde os transtornos foram maiores, a vida já estava voltando ao normal, enquanto a manifestação da avenida Paulista seguia pacificamente para o centro da cidade. Pelo menos por aqui, não foram registrados atos de violência nem de vandalismo.

A calmaria se deveu também, além da baixa adesão popular ao protesto, a um acordo selado na véspera entre as principais centrais sindicais. A CUT não defenderia a bandeira do plebiscito em defesa da proposta de reforma política da presidente Dilma Rousseff e a Força Sindical deixaria em casa os cartazes de "Fora Dilma", que havia ameaçado levar às ruas.

Logo cedo, ao comandar uma manifestação próxima à ponte do Socorro, na zona sul, e receber os primeiros informes sobre o esvaziamento do protesto, Paulinho, sem dar o braço a torcer, propôs à "assembleia" de sindicalistas formada diante dele uma reunião das centrais nesta sexta-feira para marcar uma greve geral de verdade em todo o País para agosto.

Aplaudido pela plateia, que começou a gritar a palavra de ordem "se a Dilma não ceder, o pau vai comer", o líder da Força Sindical não atacou a presidente, mas aproveitou a oportunidade para pedir ao menos a cabeça do seu ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Ao final, foi apenas mais um dia de prejuízos para a já combalida economia nacional, de atropelos para quem quer exercer seu singelo direito de ir e vir, seguir a sua rotina entre a casa e o trabalho e, se possível, tomar uma cervejinha depois do expediente, que ninguém é de ferro.

E tudo isso para quê? Para nada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

.

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
39 Comentários

"“Dia Nacional de Luta” fracassa e lembra um filme de época"

11 de July de 2013 às 15:30 - Postado por rkotscho

* preenchimento obrigatório



Digite o texto da imagem ao lado: *

Política de moderação de comentários:
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários; portanto, o autor deste blog reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal / familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
Comentários
  • Eduardo
    - 14 de julho de 2013 - 00:05

    kotscho, fique ao lado do povo brasileiro e não dos petistas. Mas tome cuidado, será alvo de críticas. o povo precisa de gente séria que mostre os fatos. E se leio seu texto é pq respeito a sua opinião. Mesmo não concordando com tudo, mas sabedo que é o que vc pensa! Abs

    Responder
  • Eduardo
    - 14 de julho de 2013 - 00:00

    olá. Caro kotscho, acredito que as suas expectativas em relação ao Dia nacional de luta é diferente do dos seus leitores. Vc já viu outras manifestações e esperava algo mais. Eu não vejo e/ou acompanho tais manifestações e achei que cumpriu seu papel e ocorreu em 14 Estados. Mas devemos respeitar a opinião dos outros e não ofender ninguém. Vamos em frente. kotscho, fala do nosso São Paulo F.C!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Abs

    Responder
1 2 3 4 5
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com