Caros leitores,

nestes quase cinco anos do Balaio no ar, não me lembro de ter sido tão criticado como na maioria dos comentários enviados para o post que escrevi sobre as manifestações do "Dia Nacional de Luta" promovido pelas centrais sindicais na quinta-feira.

"Você está muito pessimista, Ricardo...", escreveu-me o amigo Thomas Ferreira Jensen, colega de Grupos de Oração e um grande batalhador dos movimentos sociais. Thomas tem toda razão. Eu mesmo já estava percebendo isso nos últimos dias.

Otimista por natureza, às vezes até chamado de ingênuo, todos os dias acordo com a disposição de ver o lado bom das coisas e fico caçando histórias que possam melhorar o astral dos leitores neste período conturbado da vida nacional, mas está cada vez mais difícil. Ligo para minhas fontes e amigos e pergunto: "Você tem alguma notícia boa para me dar?"

Como tenho viajado menos pelo país e trabalhado muito tempo em casa no computador, ao contrário do que fiz nestes quase 50 anos de jornalismo, quando percorri várias vezes todos os estados brasileiros, também acabo sendo influenciado, como todo mundo, pelo que vejo, leio e ouço na grande mídia, nova e velha.

Sei que isso não é o ideal para o trabalho de quem sempre foi repórter, mas por diferentes circunstâncias sou hoje um comentarista multimídia que analisa os fatos a partir da matéria prima que me é oferecida pela indústria da comunicação. Não sou o único. Na edição 905 do "Jornalistas &Cia", tem um texto na página 2, sob o título "Manifestantes criticam imprensa, mas se informam por jornais, portais e tevês", que vale a pena ser lido (para acessar: www.jornalistas&cia.com).

Sabem os leitores mais antigos que sempre fui um crítico severo do comportamento da imprensa, principalmente daquela que assumiu oficialmente o papel de oposição aos governos do PT, mas não sou daqueles que veem na mídia o inimigo público número um do país e não me alio aos que procuram demoniza-la, pois a democracia nos ensina a conviver com os que pensam diferente de nós. Cobram-me para escrever sobre denúncias feitas esta semana contra uma emissora de televisão. Reservo-me o direito de não fazê-lo. Não sou juiz nem promotor, não investiguei o assunto e trabalho numa empresa concorrente.

Já trabalhei praticamente em todas as grandes empresas de comunicação do país (com exceção da Editora Abril), meu trabalho sempre foi respeitado, e nunca fui demitido até hoje, apesar de todo mundo saber das minhas velhas ligações com o PT e com seus principais líderes, antes mesmo do partido ser criado. Quando discordava da linha editorial ou recebia uma boa proposta de trabalho, simplesmente pedia as contas e ia ganhar a vida em outro lugar.

Nunca abri mão de meus princípios e nunca mudei de lado, o que não é muito comum no nosso meio. Respondo, portanto, ao leitor Manoel R. Mello Jr (das 23h50 de 11.7) que me perguntou: "Caro Ricardo, de que lado você está? Favor se comunique a favor de quem".

Não imaginava que a esta altura do campeonato alguém ainda pudesse ter dúvidas (se tiver, recomendo a leitura do meu livro de memórias "Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter", editado pela Companhia das Letras). Em meio a este crescente clima de intolerância que noto nos comentários dos leitores _ e não só os deste blog _ está cada vez mais difícil exercer meu ofício sem brigar com os fatos, por mais que me desagradem. Aprendi desde cedo a não escrever para agradar ou desagradar ninguém, mas simplesmente a contar o que sei e escrever o que penso.

Tenho o maior respeito por todos ]os leitores que me criticaram _ eles são, afinal, a razão de ser deste Balaio _, mas reli o texto de ontem e não teria nada a mudar ou a acrescentar. Sei quando cometo algum erro factual e não tenho vergonha de pedir desculpas, como já fiz muitas vezes. Opinião cada um tem a sua. Com as mesmas informações a que tive acesso, o Thomas Ferreira Jensen enviou mensagem na qual comemora os resultados do "Dia Nacional de Luta".

estradas Os fatos e as críticas dos leitores ao Balaio

"Vejam primeiras repercussões sobre as massivas manifestações que ocorreram em todo o país. Sucesso total...", escreve ele, com link para várias notícias. Com baixa adesão popular, bloqueios nas principais rodovias e portos do país, protestos pulverizados, manifestantes uniformizados e alguns remunerados, e variados atos de violência, gostaria muito, mas infelizmente não posso concordar com o amigo. Cada um vê as coisas de um jeito.

Penso como a presidente Dilma, que afirmou ontem à noite, ao chegar a Montevideo, onde participa de uma reunião do Mercosul:

"As manifestações em geral, sejam de quem sejam, têm que ser respeitadas como manifestações de reivindicações, de busca de mais direitos sociais (...) Eu considero que em qualquer manifestação onde haja interrupção de rodovias e que se tenha atos de violência, eles têm de ser condenados".

Sou da paz. Vida que segue.

 

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46 Comentários

"Os fatos e as críticas dos leitores ao Balaio"

12 de July de 2013 às 12:34 - Postado por rkotscho

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Comentários
  • rodrigo souza
    - 16 de julho de 2013 - 18:39

    Quer comentar algo positivo? Escreva sobre a exposição "Mestres do Renascimento", no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Vale uma visita! Abraços.

    Responder
  • Daniel de Lima
    - 15 de julho de 2013 - 19:19

    Caro Kotscho, estão te crucificando por uma de suas maiores qualidades: a honestidade e o equilíbrio ao analisar os fatos. Há problemas com a grande mídia, há problemas com os sindicatos. Ninguém sai ileso, mas cada vez mais as pessoas querem uma visão pão/pão-queijo/queijo. Continue seguindo a sua essência. Foi por ela que você inspirou muitos estudantes de jornalismo no passado e no presente, como o que escreve este breve comentário. Um abraço,

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