Caros leitores,

nestes quase cinco anos do Balaio no ar, não me lembro de ter sido tão criticado como na maioria dos comentários enviados para o post que escrevi sobre as manifestações do "Dia Nacional de Luta" promovido pelas centrais sindicais na quinta-feira.

"Você está muito pessimista, Ricardo...", escreveu-me o amigo Thomas Ferreira Jensen, colega de Grupos de Oração e um grande batalhador dos movimentos sociais. Thomas tem toda razão. Eu mesmo já estava percebendo isso nos últimos dias.

Otimista por natureza, às vezes até chamado de ingênuo, todos os dias acordo com a disposição de ver o lado bom das coisas e fico caçando histórias que possam melhorar o astral dos leitores neste período conturbado da vida nacional, mas está cada vez mais difícil. Ligo para minhas fontes e amigos e pergunto: "Você tem alguma notícia boa para me dar?"

Como tenho viajado menos pelo país e trabalhado muito tempo em casa no computador, ao contrário do que fiz nestes quase 50 anos de jornalismo, quando percorri várias vezes todos os estados brasileiros, também acabo sendo influenciado, como todo mundo, pelo que vejo, leio e ouço na grande mídia, nova e velha.

Sei que isso não é o ideal para o trabalho de quem sempre foi repórter, mas por diferentes circunstâncias sou hoje um comentarista multimídia que analisa os fatos a partir da matéria prima que me é oferecida pela indústria da comunicação. Não sou o único. Na edição 905 do "Jornalistas &Cia", tem um texto na página 2, sob o título "Manifestantes criticam imprensa, mas se informam por jornais, portais e tevês", que vale a pena ser lido (para acessar: www.jornalistas&cia.com).

Sabem os leitores mais antigos que sempre fui um crítico severo do comportamento da imprensa, principalmente daquela que assumiu oficialmente o papel de oposição aos governos do PT, mas não sou daqueles que veem na mídia o inimigo público número um do país e não me alio aos que procuram demoniza-la, pois a democracia nos ensina a conviver com os que pensam diferente de nós. Cobram-me para escrever sobre denúncias feitas esta semana contra uma emissora de televisão. Reservo-me o direito de não fazê-lo. Não sou juiz nem promotor, não investiguei o assunto e trabalho numa empresa concorrente.

Já trabalhei praticamente em todas as grandes empresas de comunicação do país (com exceção da Editora Abril), meu trabalho sempre foi respeitado, e nunca fui demitido até hoje, apesar de todo mundo saber das minhas velhas ligações com o PT e com seus principais líderes, antes mesmo do partido ser criado. Quando discordava da linha editorial ou recebia uma boa proposta de trabalho, simplesmente pedia as contas e ia ganhar a vida em outro lugar.

Nunca abri mão de meus princípios e nunca mudei de lado, o que não é muito comum no nosso meio. Respondo, portanto, ao leitor Manoel R. Mello Jr (das 23h50 de 11.7) que me perguntou: "Caro Ricardo, de que lado você está? Favor se comunique a favor de quem".

Não imaginava que a esta altura do campeonato alguém ainda pudesse ter dúvidas (se tiver, recomendo a leitura do meu livro de memórias "Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter", editado pela Companhia das Letras). Em meio a este crescente clima de intolerância que noto nos comentários dos leitores _ e não só os deste blog _ está cada vez mais difícil exercer meu ofício sem brigar com os fatos, por mais que me desagradem. Aprendi desde cedo a não escrever para agradar ou desagradar ninguém, mas simplesmente a contar o que sei e escrever o que penso.

Tenho o maior respeito por todos ]os leitores que me criticaram _ eles são, afinal, a razão de ser deste Balaio _, mas reli o texto de ontem e não teria nada a mudar ou a acrescentar. Sei quando cometo algum erro factual e não tenho vergonha de pedir desculpas, como já fiz muitas vezes. Opinião cada um tem a sua. Com as mesmas informações a que tive acesso, o Thomas Ferreira Jensen enviou mensagem na qual comemora os resultados do "Dia Nacional de Luta".

estradas Os fatos e as críticas dos leitores ao Balaio

"Vejam primeiras repercussões sobre as massivas manifestações que ocorreram em todo o país. Sucesso total...", escreve ele, com link para várias notícias. Com baixa adesão popular, bloqueios nas principais rodovias e portos do país, protestos pulverizados, manifestantes uniformizados e alguns remunerados, e variados atos de violência, gostaria muito, mas infelizmente não posso concordar com o amigo. Cada um vê as coisas de um jeito.

Penso como a presidente Dilma, que afirmou ontem à noite, ao chegar a Montevideo, onde participa de uma reunião do Mercosul:

"As manifestações em geral, sejam de quem sejam, têm que ser respeitadas como manifestações de reivindicações, de busca de mais direitos sociais (...) Eu considero que em qualquer manifestação onde haja interrupção de rodovias e que se tenha atos de violência, eles têm de ser condenados".

Sou da paz. Vida que segue.

 

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46 Comentários

"Os fatos e as críticas dos leitores ao Balaio"

12 de July de 2013 às 12:34 - Postado por rkotscho

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Comentários
  • rodrigo souza
    - 16 de julho de 2013 - 18:39

    Quer comentar algo positivo? Escreva sobre a exposição "Mestres do Renascimento", no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Vale uma visita! Abraços.

    Responder
  • Daniel de Lima
    - 15 de julho de 2013 - 19:19

    Caro Kotscho, estão te crucificando por uma de suas maiores qualidades: a honestidade e o equilíbrio ao analisar os fatos. Há problemas com a grande mídia, há problemas com os sindicatos. Ninguém sai ileso, mas cada vez mais as pessoas querem uma visão pão/pão-queijo/queijo. Continue seguindo a sua essência. Foi por ela que você inspirou muitos estudantes de jornalismo no passado e no presente, como o que escreve este breve comentário. Um abraço,

    Responder
  • Renato
    - 15 de julho de 2013 - 18:59

    Ricardo Kotscho, apesar de considerá-lo uma pessoa lúcida e com opiniões sempre sensatas, embora nem sempre concorde, acho que você deveria rever esse conceito de "não falo sobre problemas dos concorrentes". É necessária uma apuração minuciosa sobre o assunto, mas o fato é que uma empresa, que por acaso é a Globo, devia mais de 600 milhões ao fisco, em uma operação fraudulenta, que pode ter envolvido até mesmo pagamento para que uma servidora tenha dado sumiço no processo! É importante que você tenha saído sempre pela porta da frente de todos os seus empregos, mas imagine se todos tivessem a mesma atitude que a sua de não falar sobre os "concorrentes"? Os problemas legais e até mesmo os crimes dessas empresas não seriam jamais divulgados! Agir dessa forma é querer brigar com a notícia, que existe. Abraços.

    Responder
  • Dias
    - 15 de julho de 2013 - 16:18

    Para que exigir, de quem não pode entregar o que se pede? "Vida que segue". Pois é, leio aqui no Balaio um "solidário" que pede a Kotscho que "fique ao lado do povo brasileiro e não dos petistas." Uai! Petista não é brasileiro? O PT não é o partido de preferência de 25% dos brasileiros, com o segundo tendo apenas 6%? Os Governos de Lula e Dilma, não propõe-se a favor do povo brasileiro e são há onze anos aprovados pela maioria absoluta desse povo (não imagina que esse Datafolha no calor dos protestos vá se manter)? Afinal, o Brasil, num mundo de desemprego, não apresenta índices ínfimos de desemprego? E a renda do brasileiro subiu ou caiu nesses anos todos? Não entendi o apelo ao blogueiro, ainda mais sabendo-se que o Kotscho velho de guerra, sempre esteve e continuará ao lado do povo brasileiro, desde sempre. Mas se não bastasse o neo-solidário acima, leio outro viajante, esse dito versado em Caribe com pós em Cuba, a ponto de sem medo de ser confuso, sapecar sobre a terra de Martí: "É um país muito pobre, péssimo para morar e ficar doente, mas muito organizado e solidário com seu povo." Pergunto eu, mero conhecedor bissexto da Ilha, ao cubanófilo viajante, péssimo para morar, para quem? Péssimo para ficar doente, para quem? E, ele mesmo responde no texto: "...mas muito organizado e solidário com seu povo? O cubanófilo tem razão, Cuba realmente é muito difícil para se morar, é preciso ficar dando trela aquele monte de tagarelas que só querem conversar uns com outros, e a falta de emoção e adrenalina de poder-se passear pelas ruas das cidades cubanas a qualquer hora, sem sermos assaltados e sem contar ainda que, entre milhões de crianças que dormirão à rua no mundo hoje, nenhuma é cubana. Que tédio, né?

    Responder
  • jose emanuel lima
    - 15 de julho de 2013 - 11:32

    Já fui leitor mais assíduo do Balaio. Me afastei um pouco depois de ter manifestado aqui ( e em outros lugares) minha opinião sobre a desnecessidade de gastos exorbitantes com copas e olimpíadas e ser duramente criticado por vc e vários comentaristas.. Na ocasião foi usada repetidamente por vc. uma expressão "urubulino" para designar os que ousavam dissentir da "nova ordem" anunciada por aqueles que acabavam de anunciar nossa chegada ao paraiso.... Me senti atingido pelo depreciativo "apelido" e deixei de comentar. Lia a coluna eventualmente. Estou lendo agora depois de ver uma referencia no Ricardo Noblat. Hoje vejo que os "urubulinos" estavam certos ( e não só pela desastrada forma como foram e estão sendo tratados os jogos....). Me permita, portanto, mais essa critica: Essa parede de intolerância que vc faz referencia tem sim ( e digo com todas as letras, me desculpe....) um tijolinho seu. Na medida em que vc usou seu espaço - respeitado, por tantos - como difusor da intolerância para os que "ousaram" dissentir de uma decisão de governo, tachando-os expressamente de "urubulinos", e, de certa forma, como impatriotas, vc ajudou sim os que não sabem conviver com criticas, com as diferenças, com a oposição. Na ocasião - me lembro bem - se criou um clima quase igual ao do famigerado "Brasil, ame-o ou deixe-o" ( toc. toc. toc....) Sempre é tempo de um exame de consciência.

    Responder
  • cesarT
    - 15 de julho de 2013 - 08:56

    Quantas vezes vc citou que jornalista não briga com os fatos, neste caso a globopar usou paraiso fiscal para SONEGAR impostos (1 maracanã inteiro). Tem PTista sendo acusado e condenado pelo mesmo motivo, pagar duda mendonça "por fora".

    Responder
  • Bia de Castro
    - 14 de julho de 2013 - 22:14

    Querido Kotscho... preste atenção aos elogios que você vem recebendo por sua postura "isenta" no caso Globo. São feitas por típicos frequentadores dos Noblats, Reinaldos Azevedos e Augustos Nunes da vida. Foi para isso que você criou o Balaio? Para ser mais um blog elogiado pelo que de pior existe em nossa sociedade? Obrigado.

    Responder
  • Vannelder
    - 14 de julho de 2013 - 20:32

    Prezado RK. Sem dúvida que as reações a sua postura honesta como jornalista eram esperadas por alguém experiente como você. Você sabe quem frequenta este balaio, e pela sua veia democrática permite que os fanáticos seguidores do esquerdismo barato publiquem seus comentários, mesmo que tais estejam desprovidos de quaisquer fatos reais e verdadeiros, mas tão somente se apegando a suposições fantasiosas e lunáticas. Por exemplo: há um bom tempo atrás repetiam à exaustão a famigerada "PRIVATARIA TUCANA". Até hoje, nenhuma investigação policial, do MP ou da justiça fez esta obra de ficção virar realidade. E olha que o governo federal é do PT indo pra 11 anos. Negam o mensalão com um descaramento que beira a insanidade. Por isso, você agora se posiciona de forma correta, ao colocar claramente que você está ao lados dos fatos e da verdade, e que não vai se dobrar ao radicalismo. Parabéns RK! Tenha aqui o meu sincero apoio!

    Responder
  • Upc
    - 14 de julho de 2013 - 19:23

    A Cesar o que é de Cesar Nisso eu concordo contigo, conversando sempre se concorda e se discorda Sonegou, executa e pune ... Mas daí achar que todos os erros desse governo decorrem de uma conspiração é demasiado. É governo Dilma e seus 39 ministros, se colocar mais um vão chamar ela de Ali Baba, que tem alimentado a chamada impressa golpista. Na primeira ocasião que o governo sofreu pressão, acusou o golpe e saiu atirando para todo o lado. Criando planos mirabolante e se perdendo na teia da incapacidade e do assistencialismo. Ficou claro que fostes tu que nunca pisou em Cuba. Conselho de amigo, vai logo antes que acabe Bola no centro e vamos debater com argumentos Um abraço

    Responder
  • ana s.
    - 14 de julho de 2013 - 18:15

    Vejo agora que meu comentário ao post anterior foi censurado. Dá pra imaginar que o que eu acabei de enviar também será. Quem diria, heim? Que o Balaio chegaria a esse ponto... Adeusinho.

    Responder
  • Paulo Bent
    - 14 de julho de 2013 - 18:06

    Ainda não entendi o critério de bloqueio aqui aplicado às opiniões, até mesmo às favoráveis.

    Responder
  • ana s.
    - 14 de julho de 2013 - 18:03

    Um bom contraponto a sua posição, Kotscho: “Novo”, “velho”? Não vale fazer papel de bobo por Paulo Moreira Leite, em seu blog Procura-se minimizar o Dia Nacional de Luta convocado pelas centrais sindicais a partir de uma comparação cinematográfica com os protestos de caráter político ocorridos em junho. É uma comparação indevida. A nova moda ideológica é falar em “velho” e “novo.” Aquelas mobilizações tiveram clara natureza política, apontando, difusamente, para autoridades constituídas – fosse o prefeito, o vereador, o guarda da esquina, o governador, a presidente da República e assim por diante. Eram formadas por uma massa de jovens, em sua maioria estudantes, com ideias diversas e até antagônicas. Sua direção era semi-secreta, movimentando-se por sites, vídeos e blogs da internet. Havia anarquistas, libertários e fascistas, que chegaram a carregar faixas pedindo a volta dos militares ao poder. Vídeos com audiência nos milhões de pessoas pediram boicote a Copa e até a suspensão de investimentos no país. Interessada em manter Dilma Rousseff sob pressão, os grandes grupos de mídia adoraram. Divulgaram datas e locais dos protestos como se prestassem um serviço para shows e peças de teatro. Os protestos trouxeram benefícios palpáveis, como redução nas tarifas. Também obrigaram as instituições políticas a responder a demandas há muito tempo ansiadas pela população. Mas também deram curso a atos de demagogia e grande oportunismo. O Congresso Nacional transformou-se numa usina de projetos aprovados a toque de caixa, apenas para agradar a multidão. Uma das principais questões colocadas pelas ruas – uma reforma de fundo em nosso sistema político – pode ser destruída, ponto a ponto, em negociações destinadas a bloquear a participação popular nas decisões. Velho? Novo? O Dia Nacional de Luta foi um ato das lideranças de trabalhadores, que, como apontou o jornal espanhol El País, pela primeira vez em 22 anos foram às ruas numa mobilização nacional para defender seus interesses e cobrar providências do governo. Não foi um grande espetáculo nem um ato de ruptura com o governo Dilma, como gostaria a oposição. Mas foi um aviso definido numa situação bem específica. Em vários pontos de São Paulo, viveu-se um clima de feriado – ainda mais notável porque as linhas de ônibus e o metrô funcionaram normalmente. Os protestos em grandes empresas, no Paraná, em Goiás, foram vigorosos entre categorias importantes. Um ato reuniu 15 000 pessoas no Recife e 10 000 em Belo Horizonte. Ocorreram marchas em Cuiabá e em Brasília mas também em São Luís e Fortaleza. Quatro mil trabalhadores de São Bernardo do Campo desfilaram pela Via Anchieta. Se cabe registrar a denúncia de pagamento de ajuda de custo cachê recebido por manifestantes da avenida Paulista, convém não tomar a árvore pela floresta. A 25 de março, maior centro de comércio do país, foi paralisada, evento nada desprezível. O Rio de Janeiro assistiu a um protesto de 20 000 pessoas. É preciso muito esforço para não enxergar sua importância – apesar da desvantagem numérica e da falta daquele glamour midiático de uma ação comandada por pessoas com menos de 24 anos. No Brasil de 2013, os juros estão em alta, o crescimento econômico encontra-se em queda e os trabalhadores estão preocupados com o futuro de suas famílias. Ninguém sabe até quando o desemprego permanecerá baixo. Nem até quando os salários poderão subir sempre um pouco acima da inflação. Coisas “velhas”, com certeza. Mas imagine o “novo” que pode estar a caminho. Antes de acreditar nos ideólogos que em menos de 24 horas descobriram a nova divisão do mundo e das pessoas, é bom lembrar que o trabalho assalariado não foi abolido, apesar do desemprego estrutural crescer em vários países e versões inesperadas de trabalho escravo terem surgido. Ter um bom emprego continua sendo a principal referência de existência e conforto para a imensa maioria da população, ao menos enquanto o mundo viver sob regras da economia atual e não for possível criar uma sociedade do lazer ampla e irrestrita. As questões deste universo, do trabalho foram colocadas pela manifestação de ontem. Nada “novo,” é verdade. Mas dolorosamente real. Os sindicatos pedem atenção às aposentadorias, questão essencial num país em processo acelerado de envelhecimento. Também denunciam as políticas de terceirização, que ameaçam progressos históricos obtidos a partir da CLT. Não querem o “novo”, se isso significa criar um mundo pior que o “velho.” Enfraquecer as organizações do movimento sindical de todas as maneiras constitui um objetivo estratégico do conservadorismo brasileiro desde 1954, quando Getúlio Vargas foi arrancado do Catete pelo tiro do suicídio. Essa meta alimentou o golpe de 1964, e, com todas as nuances e correções, encontra-se por trás de campanhas permanentes contra o sindicalismo brasileiro nos dias de hoje. Como a CLT foi assinada em 1944, é vista como símbolo do “velho.” Mas era o “novo” em relação a 1930, quando a questão social era “caso de polícia.” Novo, velho? Não vale fazer papel de bobo. Convém não esquecer que o atual governo não foi gerado em gabinetes da FIESP nem em piqueniques acadêmicos mas tem raízes nas greves de trabalhadores dos anos 70. E é evidente que dividir e enfraquecer o movimento sindical será um objetivo essencial da oposição para 2014, quando se joga a sucessão presidencial de Dilma Rousseff, desde já a mais difícil disputa política para os trabalhadores desde 2002. A principal crítica que se faz aos protestos foi ter, supostamente, um caráter governista, de quem teria sido cooptado pelo governo em troca de favores e presentinhos. Em tom de lamúria, lamenta-se que o sindicalismo tenha perdido a vocação “autêntica” para assumir velhas práticas de conciliação e submissão. Numa versão verde-amarela da estratégia thatcherista de deixar as entidades sindicais sem recursos, estrangulando sua atividade com a falta de dinheiro, volta-se a criticar o imposto sindical, que todo trabalhador pode se recusar a pagar, sendo devidamente estimulado a fazer por funcionários de RH de grandes empresas. Falar em “acomodação” e “peleguismo” é uma ação de fundo eleitoral, para ajudar aquele “novo” que ninguém sabe quem será. Tenta-se, com ela, esconder benefícios reais conseguidos nos últimos anos. A maioria dos trabalhadores votou na eleição de Dilma em 2010, assim como assegurou as duas eleições de Lula. Obteve conquistas importantes, ainda que o país não tenha, obviamente, chegado ao paraíso. A renda média do cidadão brasileiro continua muito baixa. O salário médio não permite à maioria dos brasileiros ter acesso a bens e confortos que são padrão neste início de século XXI. A falta de qualidade nos serviços públicos atinge um padrão vergonhoso. Apesar disso, na última década os trabalhadores conseguiram melhorias importantes, muitas inéditas. O desemprego caiu a um nível nunca visto. O salario mínimo não parou de subir. O emprego formal cresceu e a desigualdade regional diminuiu. Apresentado como filantropia de fins eleitorais, o Bolsa Família nada mais é do que uma resposta dos poderes públicos à condição de miséria na qual sobrevivem milhões de famílias de trabalhadores sem emprego decente, sem estudo formal e sem qualificação profissional, a que todos deveriam ter direito. O problema real é outro. Entregue aos solavancos e misérias do mercado, o mundo encontra-se em sua pior crise desde 1929. Em toda parte, conquistas históricas da se encontram sob ameaça – quando não foram simplesmente revogadas. A regressão é geral e muita gente repete que não há outra saída. É o novo conformismo. Novo? Este é o mal que ronda a Terra, como assinalou Tony Judt, um dos principais historiadores de nosso tempo. O debate realmente novo é impedir este processo de chegar ao País. A oposição, em suas várias faces e muitas máscaras, está pronta para cumprir seu papel. Recebe estímulos, favores e até carinhos. Fala através de eufemismos e encontra-se bem protegida. Por trás dela encontra-se o rumo das conquista arrancadas depois de 2002 – e o que será feito com elas no pós-2014. Este é o debate que o Dia Nacional de Luta colocou. Convém não desprezá-lo.

    Responder
  • Victor Hugo
    - 14 de julho de 2013 - 17:02

    Upc, participo do Balaio antes mesmo da primeira de suas seguidas viagens imaginárias a Cuba e jamais acusei qualquer participante de ser assalariado do PIG, dos tucanos ou de quem quer que seja, pois isso pouco me importa. Preocupo-me, isso sim, com os argumentos favoráveis ou contrários ao tema proposto pelo Kotscho. O tema atual, por exemplo, entre outros tópicos, cita a sonegação fiscal de Rede Globo e de suas afiliadas e tanto seu texto como o da Yane não aborda esse tema espinhoso para os limpinhos anti-PT's do Balaio. Então, tome blá blá blá blá Cuba, blá blá blá Venezuela, blá blá blá Hugo Chaves, blá blá blá Fidel Castro, blá blá blá Stalin, blá blá blá . . . . . E durma com um barulho desses !!!!!!

    Responder
  • Yane
    - 14 de julho de 2013 - 12:33

    Isso mesmo Ricardo, mantenha-se com a consciência limpa e não se deixe abalar por esse retrógrados que culpam as zelites, a mídia golpista, o saci Pererê e outras ulusionices para tentar diminuir o tombo. A "greve" do dia 11 foi sim um fracasso, apesar de algumas reinvindicações serem muito pertinentes. Mas a repercussão foi bem menor do que o impacto que as varias manifestações feitas pelo MPL causou. Os radicais estão desesperados, pois sentem na pele que o projeto de PODER do PT está caindo por terra. O país vai mal, infelizmente, a Petrobras está em situação perigosa, em 2013 a projeção do PIB já está em - de 2.0%, a popularidade da presidente está despencando, mas os entrincheirados órfãos de Stalin, Fidel, e outros ditadores insistem em não enxergar a real. Confortavelmente, ou não, culpam o tal PIG, as zelites, DEUS, mas não admitem a incompetência da gestão petista mais a corrupção endêmica instalada hoje. Parabéns pela isenção na analise dos fatos.

    Responder
  • Upc
    - 14 de julho de 2013 - 12:06

    Alexandre Padilha está sendo alvo de um processo no CRM do PA Comunicou a polícia federal para investigar o vazamento da informação, que deveria transitar em segredo de justiça Sera que foi o Palocci ? O governo vai destacar o Victor Hugo, a versão Dilmista da velhinha de Taubaté, junto com a G2 para investigar o caso. Mesmo que ele nunca tenha ido a Cuba, o mais próximo que chegou foi na charutaria, e que nem saiba o que é a G2, o caso está resolvido: A culpa é da Globo

    Responder
  • Ulisses
    - 14 de julho de 2013 - 11:37

    A muito venho escrevendo sobre o comportamento reacionario da sua coluna. Ao ponto de ser agora meus comentários excluidos, coisa que os Noblats, Josias e cristina lemos, típicos bloguistas do PIG praticam abertamente, só publicando comentários favoraveis a eles. Infelizmente você hoje virou um deles. Fique feliz assim então. O futuro dirá quem tem a razão. Mas lembre, leia o comentário do Eduardo Guimaraes. Ninguem é tão idiota para trocar um governo que está funcionando na maior crise mundial de sua história por aventuras com conhecidos que já afundaram o Brasil em tempos muitos melhores. Lula em 2005 e 2006 mostrou isto.

    Responder
  • Remindo Sauim
    - 14 de julho de 2013 - 10:35

    Aqui na grande Porto Alegre a greve foi um sucesso, parou o transporte parou tudo. A classe média aproveitou como feriado e o povão como um dia de descanso. O recado aos patrões foi dado e estes amargaram um dia de não exploração. E quanto ao governo, este e a Cut formam uma tabelinha: os dois saíram contentes.

    Responder
  • nona fernandes
    - 14 de julho de 2013 - 08:34

    Erro grave. Onde se lê "mais" que tentam confundir a opinião pública..., leia-se mas que tentam confundir.... É muito desagradável quando um erro gramatical escapole do nosso controle, mesmo quando sabemos de antemão que não é assim que se escreve ou coloca determinada palavra.Obrigada!

    Responder
  • Victor Hugo
    - 13 de julho de 2013 - 19:38

    Kotscho, permita-me saudar o retorno do Honorável Indignado. HI, que alegria receber boas noticias sobre sua saude. Parabens pelo texto no post anterior. Ótimo domingo a todos. Abração, Honoravel.

    Responder
  • nona fernandes
    - 13 de julho de 2013 - 18:44

    Acho a maioria dos comentaristas, deste e de outros blogs, bastante imediatista, tanto quanto os jornalistas da chamada grande imprensa. Os jornalistas, não por falta de capacidade de análise, mas sim, como forma tentar "derrotar" quem atrapalhe os seus caminhos, ou os caminhos dos seus patrões. Derrotar, muitas vezes eles não conseguem, mais que tentam confundir a opinião pública, isso acontece sempre, especialmente quando essa "derrota" lhes é conveniente. Agora, os comentaristas menos experientes com essas malandragens da imprensa, talvez porque sejam ansiosos e desprotegidos emocionalmente para dar um tempo, esperar o barco correr, e ver para onde ele vai. Eu sou do tipo que não acredita de primeira em quase nada que parte da grande imprensa. Tem sempre um grande interesse escuso por trás. No caso Dilma, só poderei mudar de ideia, se essa queda dela, em aprovação, for constante até meados do ano de 2014. Fora isso, para mim ainda não tem para ninguém. Acho que ela não está fazendo nada errado. A imprensa está aproveitando o momento difícil, para tirar as suas casquinhas ou cascões, pois por contra própria não consegue nada, Perde tudo. Não elege mais nem um síndíco de condomínio.

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