Pesquisa interna do PT publicada na edição do "Estadão" desta segunda-feira mostra que o partido sofreu uma queda de 12 pontos no apoio da periferia de São Paulo, a sua principal base eleitoral, após as manifestações de junho. Antes dos protestos, o PT contava com o apoio de 34% do eleitorado e, agora, tem 22%.

Mas engana-se quem pensar que os votos perdidos pelo PT foram para algum outro partido _ um dado importante que não foi destacado na matéria de quase uma página de Roldão Arruda: mesmo com a queda, o partido continua tendo 8 pontos a mais de preferência do que todos os outros somados (14%).

O que aumentou foi o índice de eleitores que declararam não ter preferência por nenhum partido: passaram de 52% em maio e foram para 64% em junho. Ou seja, praticamente dois terços dos eleitores paulistanos neste momento estão sem partido para apoiar.

Na apresentação do seu trabalho,  a pesquisadora Marisol Recamán, que presta serviços para o PT, ressaltou que o apoio popular às manifestações mostra sua profunda insatisfação com os serviços públicos: "O morador da periferia não foi à rua, mas estava lá, de coração, apoiando".

Os números de São Paulo não devem diferir muito daqueles de outras regiões do país, como mostraram as recentes pesquisas do Ibope e do Datafolha para as eleições de 2014: a abrupta queda da presidente Dilma Rousseff não foi acompanhada por uma correspondente subida dos outros candidatos, fazendo crescer o índice do "nenhum deles", como já apontei em recente coluna aqui no Balaio.

O que as manifestações de junho deixaram claro é que há um descontentamento generalizado com os partidos e os políticos de todos os matizes. Um sintoma deste sentimento é que foram incluídos nas listas de presidenciáveis, algo inédito em pesquisas, dois nomes que nem partido tem _ a ex-senadora Marina Silva e o presidente do STF, Joaquim Barbosa. E foram justamente eles os que mais cresceram.

Não por acaso, Barbosa incluiu entre as suas propostas para a reforma política que apresentou à presidente Dilma a criação da figura do "candidato avulso", quer dizer, pessoas sem qualquer filiação partidária poderiam disputar eleições até para presidente.

Como a reforma política foi jogada para as calendas e Marina Silva ainda não conseguiu a sua Rede Sustentabilidade, e o governador Eduardo Campos colocou sua candidatura para hibernar, tudo nos faz acreditar que, apesar do tsunami do mês passado, que jogou todos no mesmo balaio furado, ainda na próxima eleição o embate se dará entre PT e PSDB, mesmo com o desgaste de ambos.

Assim como no plano federal as queixas contra os serviços públicos atingiram a popularidade de Dilma, os petistas acreditam que o mesmo se dará nas eleições em São Paulo, onde o governador Geraldo Alckmin é candidato à reeleição.  "O PSDB vive o seu pior momento no Estado. A segurança pública está desmantelada", afirmou o presidente do PT paulista, deputado estadual Edinho Silva, durante o encontro com 600 militantes no último final de semana.

Por maior que seja a desilusão com o atual quadro partidário, o fato é que não se cria candidatos e partidos de um dia para outro, mesmo com o apoio de setores da mídia que estão em busca de qualquer alguém para acabar com a hegemonia do PT no governo federal.

As chances de reeleição, tanto de Dilma como de Alckmin, portanto, dependem, daqui para a frente, muito mais do que eles conseguirem fazer para melhorar a vida das pessoas, especialmente nas grandes cidades, do que do surgimento de adversários competitivos capazes de ameaça-los, que até agora não apareceram.

E onde foram parar estes votos?

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