papamovel Se o Papa ler nossos jornais, nem vem ao Brasil

Papa Francisco acena para fiéis enquanto passeia em carro aberto na Praça São Pedro (Roma) / Foto: Vincenzo Pinto / AFP / CP

Nem parece que se trata de uma festiva visita do Papa Francisco ao Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude, que começa na próxima segunda-feira. A cada dia, autoridades civis, militares e eclesiásticas apontam novos perigos no caminho da sua peregrinação pelo Rio de Janeiro e Aparecida do Norte, de tal forma que se Francisco der uma olhada nos nossos jornais vai pensar duas vezes antes de embarcar no avião em Roma.

O noticiário alarmista pode deixar não só o papa assustado, mas também os milhares de peregrinos que já começaram a chegar de várias partes do mundo, em número menor do que o esperado. Até a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), teoricamente um serviço secreto do governo, veio a público para dar uma alentada entrevista coletiva com PowerPoint e tudo sobre as possíveis ameaças de manifestações, protestos e atos de violência durante a visita papal.

Pegou tão mal que até a presidente Dilma ficou assustada e recomendou mais discrição aos seus agentes. Mas o governo também não se entende. Ao mesmo tempo em que os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Celso Amorim, da Defesa, alertavam o Vaticano da necessidade de se aumentar — e não diminuir, como ele pediu — a proteção policial ao papa, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral, que é bastante ligado à igreja, anunciou que o próprio povo vai se encarregar de garantir a sua segurança. "Não faremos nada que não agrade ao papa", acrescentou Carvalho.

O problema é que as autoridades de segurança estão pensando até em mudar o roteiro de Francisco no Rio, já que ele quer desfilar num jipe aberto sem vidros blindados "para ficar mais perto do povo", numa cidade conflagrada desde as manifestações de junho, com protestos que não poupam nem festas de casamento.

Ainda na noite de quarta-feira, em mais um quebra-quebra em frente ao prédio onde mora o governador carioca Sergio Cabral, no Leblon, com depredações e incêndios, o Batalhão de Choque teve que ser chamado.

No confronto com grupos que tinham os rostos cobertos, a polícia usou balas de borracha, spray de pimenta  e bombas de gás lacrimogêneo. O comércio fechou as portas e cinco policiais ficaram feridos. Cabral convocou nesta manhã uma reunião de emergência  com toda a cúpula de segurança do Estado (leia no R7).

Agora, em vez de se perguntar "já pensou se fosse na Copa?", os cariocas começam a imaginar o que pode acontecer com a visita do Papa Francisco. Calculando que cerca de 5 milhões de pessoas devam circular pela cidade durante uma semana, sendo 800 mil turistas estrangeiros, o prefeito Eduardo Paes não deixou por menos:

"Tudo é preocupante. Vamos ter um Natal e dois Réveillons ao mesmo tempo...". Na missa de encerramento num descampado em Guaratiba, a 49 quilômetros do centro da cidade, é esperado um público de 1,2 milhão de fiéis, que deverão caminhar 13 quilômetros a pé para chegar ao local. Paes calcula que eles levarão pelo menos 10 horas para se dispersar após a missa.

Diante deste quadro, só nos resta dizer: que seja o que Deus quiser.

Até visita de papa virou motivo de crise e preocupação no Brasil. E a presidente Dilma ainda quer que a gente seja mais otimista. Está difícil.

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