montagemkotsho Só Eduardo Campos escapa da queda geral no Ibope

Uma leitura mais atenta dos números da nova rodada da pesquisa CNI/Ibope com a avaliação dos governos federal e de 11 Estados revela que houve uma queda generalizada após os protestos de junho, a começar pela presidente Dilma Rousseff, que despencou de 55% para 31% de ótimo/bom, o índice mais baixo desde a sua posse.

A única exceção foi o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que se manteve no alto dos seus 58% de aprovação, o que certamente reforçará e talvez antecipe o lançamento da sua candidatura presidencial.

Todos os outros governadores ficaram abaixo dos 50% de aprovação, sendo que sete deles com índices inferiores ao de Dilma. Entre eles, estão os governadores dos dois maiores Estados brasileiros, palcos de grandes manifestações de protesto: o paulista Geraldo Alckmin, do PSDB, candidato à reeleição, que caiu para 26%, e o carioca Sergio Cabral, do PMDB, o lanterninha da lista, com apenas 12% de aprovação.

Uma questão que chama a atenção é essa diferença de índices entre Campos, o melhor avaliado, e Cabral, o pior, se os problemas denunciados nas manifestações _ saúde, educação, segurança e transporte público _ são praticamente os mesmos em todos os Estados e os serviços públicos para quem mora no Recife não são tão diferentes daqueles oferecidos a quem vive no Rio.

Só o comportamento pessoal dos governantes durante e após os protestos e das respostas que deram à crise vivida pelo país pode explicar esta disparidade. No caso do governo Dilma, 31% dos entrevistados deram nota zero às providências anunciadas pela presidente. Em razão disso, pela primeira vez, o índice negativo da sua avaliação pessoal (49%) superou o positivo (45%).

O fato de educação e saúde terem registrado as piores avaliações na pesquisa constitui outra dificuldade colocada para a presidente, já que são áreas que demandam tempo para mostrar resultados e as propostas de Dilma, como o "Mais Médicos", enfrentam dificuldades para a sua implantação.

No caso de Sergio Cabral, cuja avaliação já vinha em queda livre desde o episódio da "farra dos guardanapos na cabeça" em Paris, a revelação de que usa o helicóptero oficial do Estado para passeios familiares até a sua mansão na praia, que incluem até o cachorro Juquinha, com certeza só fizeram piorar a sua já desgastada imagem. E os manifestantes não saem mais da frente do prédio onde ele mora.

Em São Paulo, o maior desgaste enfrentado pelo governador Alckmin vem da área de segurança, que continua mostrando números alarmantes: crimes como latrocínios e roubos cresceram em junho e no semestre, embora os homicídios tenham registrado queda (de 396 para 355 mortes em relação ao mesmo mês do ano passado).

Com Eduardo Campos voando em céu de brigadeiro e Dilma vivendo seu inferno astral, quem assiste a tudo de longe é outro presidenciável, o tucano Aécio Neves. Enquanto por aqui enfrentamos o frio e a  chuva, o senador mineiro passa férias no calorento verão espanhol, sem pressa para voltar. Está certo ele... Se pudesse, também iria.

Das duas uma: ou Aécio acha que já ganhou ou desistiu da briga diante do fortalecimento da candidatura do seu amigo Eduardo Campos, com quem tem conversado bastante.

O cenário para 2014, após os protestos de junho, como podemos ver na pesquisa do Ibope, está absolutamente indefinido. Fortes emoções nos aguardam.

Bom final de semana a todos.

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