18 44 31 646 file Por que só agora tiram do armário esqueletos do metrô?Em tempo: vi agora no site do "Comunique-se" que a votação para o premio de jornalistas do ano vai até o dia 8, quinta-feira.

Sou finalista na categoria de blogs. Não sou muito de pedir essas coisas, mas se você gosta do Balaio, não se esqueça de mim. Este ano, a concorrência está muito forte.

Para votar, é preciso ser cadastrado no www.comunique-se.com.br

Fim do horário eleitoral.

Abraços,

Ricardo Kotscho

*

A cada porta que se abre, mais esqueletos são tirados dos armários onde estavam bem guardados durante muito tempo os segredos das maracutaias do metrô paulistano.

Agora que o assunto foi escancarado até na televisão e em colunas da mídia amiga, os dois jornalões paulistas disputam uma verdadeira gincana para descobrir novas provas de fraudes e anunciar as providências tomadas pelo Ministério Público Estadual (por onde andava durante todos estes anos?), depois do "vazamento de informações", que teria sido promovido pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a partir da delação feita pela Siemens, a líder do cartel.  Por que só agora?

Vejam só as manchetes:

"MP apura se cartel do trem enriqueceu servidores" (Estadão).

"Força-tarefa investigará 45 inquéritos de trens e metrô" (Folha)

Ficamos sabendo agora que:

* Dos 45 inquéritos abertos pelo Ministério Público Estadual que envolvem empresas suspeitas de fraudes em licitações de trens e metrô em São Paulo, serão reabertos 15, que estavam arquivados nos armários "por falta de provas". Estão em andamento outros 30 inquéritos, informa a Folha.

* O MPE agora quer saber quem foi, nos governos dos tucanos Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, em que o cartel atuou, que se beneficiou do esquema antes e durante a execução dos contratos. Três empresas de offshore com sede no Uruguai constam de papéis em poder do MPE. Seria por meio delas que supostas propinas foram pagas a agentes públicos em troca de contratos com o Metrô e a CPTM, acrescenta o Estadão.

Os caciques do PSDB parecem atônitos diante das últimas revelações. Com ar de indignado, o governador Geraldo Alckmin disse que "o Estado é vítima no caso" e, se houver a participação de agentes públicos beneficiados pelo cartel, "devem ser imediatamente punidos".

Por que só agora, se o esquema atuou em administrações tucanas em São Paulo entre 1997 e 2008? Ninguém se interessou em perguntar antes ao procurador-geral do Estado, que é nomeado pelo governador do Estado, a quantas andavam as investigações sobre o Metrô no Ministério Público Estadual?

De volta de um giro turístico pela Europa, o presidenciável Aécio Neves, tratou do assunto durante um festival de gastronomia mineira no Palácio dos Bandeirantes, que reuniu o alto tucanato ontem em São Paulo. Aécio acredita que "parece ter ocorrido um conluio entre empresas", como se isso fosse possível sem a participação de gente graúda do governo estadual.

"Parece extremamente estranho que não tenham chegado estes documentos do Cade ao governo de São Paulo. Obviamente não podemos aceitar esse vazamento direcionado de informações", queixou-se. O ex-governador José Serra, também presente ao evento, não quis comentar o caso.

Será que durante estes anos todos, levando-se em conta a "teoria do domínio do fato", nenhuma autoridade estadual dos diversos escalões do governo tenha se dado conta de que São Paulo estava pagando mais caro para receber menos quilômetros de Metrô e que a manutenção deficiente provoca seguidas interrupções do sistema, como aconteceu ainda nesta segunda-feira, quando um trem descarrilou na Estação Barra Funda e interrompeu a circulação da linha por quase nove horas?

Qualquer pessoa que vá comprar um carro, uma casa ou um avião procura antes fazer uma pesquisa de preços praticados no mercado e, se lhe pedirem algo muito acima da média, vai certamente desconfiar do negócio.

Imagine-se então quando se trata de comprar equipamentos para o Metrô, avaliados em quase R$ 2 bilhões só no período investigado, com um superfaturamento que causou prejuízo de R$ 557 milhões aos cofres públicos, segundo cálculos feitos pelo Estadão.

O vereador Andrea Matarazzo, bastante ligado a José Serra, é o único tucano graúdo que até agora foi citado e indiciado nesta história. "Polícia diz que vereador do PSDB recebeu propina da Alstom em 98", informa a Folha desta terça-feira. A multinacional francesa Alstom é uma das empresas envolvidas no cartel comandado pela Siemens e estava sendo investigada pela Polícia Federal desde 1995.

Segundo o jornal, "o trabalho da polícia se baseou em informações obtidas pelo Ministério Público da Suíça. O inquérito foi concluído em agosto de 2012 e está desde então sob análise do Ministério Público Federal.

No relatório final do inquérito, o delegado Milton Fornazari Júnior cita como evidência para indiciar Matarazzo uma troca de mensagens de 1997 em que executivos da Alstom discutiriam o pagamento de vantagens para o PSDB, a Secretaria de Energia e o Tribunal de Contas." O  atual vereador negou que tenha recebido propina e disse que não participou das negociações do contrato.

Arrombadas as portas, 15 anos depois do início das  investigações, quando Andrea Matarazzo era secretário estadual de Energia, agora o governo do Estado bate às portas da Justiça para ter acesso às informações do Cade, mas o pedido foi negado pelo juiz Gabriel Queiroz Neto, da 2ª Vara da Justiça Federal de Brasília, alegando quer , mesmo sem acesso aos documentos considerados sigilosos, o Estado de São Paulo poderia realizar investigações próprias.

Por que só agora?

Quem tiver respostas para esta pergunta pode encaminhar para a área de comentários aqui do Balaio, logo aí abaixo.

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