industria Só faltava essa: caem a renda e a criação de empregos

Emprego e renda. Desde os tempos do governo Lula, estes eram os paus da barraca da política econômica sempre lembrados em tempos de crise para justificar a alta aprovação popular nas pesquisas, mesmo quando o crescimento do PIB era pífio e a inflação ameaçava subir.

Enquanto os índices de emprego e renda se mantivessem positivos, tanto o ex-presidente Lula como a presidente Dilma não mostravam maiores preocupações com os rumos da economia, confiando que estes dois eixos seriam suficientes para garantir a estabilidade.

Nesta quinta-feira (22), porém, foram divulgados números que certamente acenderam todos os alertas no Palácio do Planalto: ao mesmo tempo, caíram os níveis de renda e de geração de empregos, entre outras notícias negativas na economia.

Pela primeira vez em dez anos, foram fechados 11 mil postos de trabalho em nove regiões metropolitanas do País. E a renda média dos trabalhadores, que foi de R$ 1.848,40 em julho, caiu 0,9% em relação ao mês anterior. Foi a quinta queda consecutiva, segundo o IBGE. De outro lado, o índice de desemprego caiu de 6% em junho para 5,6% em julho.

Por maior que seja meu esforço diário para encontrar notícias boas capazes de animar os leitores, não tem sido fácil. Ainda mais depois de ler o caderno Mercado, da "Folha", que da primeira à última página torna mais difícil manter o otimismo e a esperança em dias melhores. Vejam os títulos:

"Vagas encolhem nas regiões metropolitanas".

"Retomada dos EUA leva dólar a R$ 2,45, maior valor desde 2008".

"Alta do dólar reflete também a queda do dinamismo da economia brasileira".

"Novo reajuste de combustíveis neste ano é dado como certo no governo".

"Alimento cai menos e IPCA-15 tem alta maior _ Prévia da inflação sobe 0,16% em agosto".

"Desvalorização do real dá prejuízo à dona da TAM".

"BNDES injeta R$ 82 mi em empresa de Eike".

Só uma perguntinha que me ocorre: Será que o BNDES não teria nenhuma empresa melhor para aplicar o dinheiro que pagamos ao governo em impostos?".

Alguns leitores, como de hábito, poderão argumentar que eu me fio muito no noticiário da grande imprensa, mas neste caso não se trata de opinião nem de sacanagem com o governo petista, pois as informações são baseadas em números divulgados por órgãos oficiais.

Os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), órgão do Ministério do Trabalho, mostram que foram criados apenas 41,5 mil empregos com carteira assinada no País em julho, o pior resultado em dez anos, ao mesmo tempo em que eram fechadas 13.334 vagas em Salvador, Belo Horizonte, Recife, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Economistas divergem sobre as causas, mas o desalento é o mesmo.

Para Rodolfo Torelly, diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho, "o emprego nas grandes cidades sofre mais influência da crise externa porque concentra mais investimentos estrangeiros".

Professor da PUC-RJ, José Márcio Camargo aponta outros motivos: inflação alta e incerteza sobre a política econômica, que reduz os investimentos. "A geração de empregos está em queda desde janeiro de 2010. Agora, chegamos a um resultado como havia muito não se via".

É um círculo vicioso: as más notícias na economia, do câmbio à inflação, passando agora também por renda e emprego, desanimam os investidores que, por sua vez, não parecem dispostos a criar projetos para gerar novos postos de trabalho. Com mão de obra ociosa no mercado de trabalho, a tendência é, quando necessário, demitir quem ganha mais e contratar empregados com salários menores, fazendo cair a renda média dos trabalhadores.

Como romper este círculo é o maior desafio do governo Dilma Rousseff  no momento e a presidente não parece disposta a mudar sua equipe econômica para testar novos remédios.

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