dilma O mistério das oscilações de Dilma no Ibope

O que aconteceu de tão grave no país de uma pesquisa para outra capaz de justificar as abruptas oscilações na avaliação positiva do governo de Dilma Rousseff no Ibope?

Primeiro, Dilma despencou dos 63% de ótimo e bom, que tinha antes do início das manifestaçoes de junho, para 31% em 12 de julho, sua avaliação mais baixa desde a posse.

Agora, sem que de novo algo de fantástico tenha acontecido, Dilma subiu 7 pontos na pesquisa divulgada neste sábado, chegando a 38%.

São bastante semelhantes os números do Ibope e o do Datafolha, em que Dilma apareceu com 36% de aprovação na semana passada, os dois maiores e mais respeitados institutos de pesquisa do país.

Descartada a velha teoria da conspiração, levantada por alguns leitores e analistas, de que as pesquisas são também dirigidas pelo Instituto Millenium, a onipresente entidade que congrega os barões da mídia no país em defesa da "liberdade de expressão" (deles, é claro, e contra a dos outros), resta tentar entender o mistério das abruptas oscilações de Dilma nas pesquisas.

Se o Montenegro do Ibope ou o Paulino do Datafolha, dois profissionais pelos quais tenho o maior respeito e nenhum motivo para duvidar de sua seriedade, puderem me ajudar a entender este fenômeno, eu agradeço, pois confesso que não consigo concondar com as explicações dadas pela maioria dos especialistas até agora.

A queda foi atribuída aos protestos das chamadas "Jornadas de Junho", como se a presidente Dilma tivesse sido o principal alvo daquelas manifestações, com o governo vivendo uma crise profunda, o que não é verdade.

Aquele foi um movimento difuso "contra tudo e contra todos", que atacou indistintamente partidos e políticos. Em nenhum momento, as críticas à corrupção e a reivindicação de melhores serviços públicos voltaram-se para algo como "Fora Dilma", a exemplo do que aconteceu com o ex-presidente Fernando Collor, em 1992.

E qual foi o único fato concreto resultante das manifestações que levaram milhões às ruas? Apenas a redução das tarifas de transporte coletivo, exatamente a reinvidicação inicial do Movimento Pssse Livre, que detonou os protestos.

Das medidas anunciadas pelo governo, a reforma política foi jogada às calendas pelo Congresso Nacional, com a valiosa colaboração da base aliada, e o programa "Mais Médicos" ainda nem entrou em funcionamento, e já está provocando um massacre de críticas detonadas pela mídia e pelas entidades de classe.

Não foram elas, certamente, que explicam a recuperação da avaliação do governo. O que foi então? Os principais indicadores econômicos que oscilaram dentro da margem de erro (inflação, renda, emprego, crescimento econômico), com exceção do dólar que disparou? Nada isso, a meu ver, afetou diretamente até agora a vida do cidadão eleitor ouvido pelos pesquisadores.

Em tempos recentes, capas de jornais e revistas e os porta-vozes do Millenium chegaram a comemorar duas vezes o advento de um "novo Brasil", expocando rojões e anunciando que "nada será como antes", após o julgamento do mensalão e a volta do povo às ruas. E o que de concreto mudou até agora?

Assim como tem dia que chove e tem dia que faz sol, e todo dia as marés sobem e descem, na vida de um país, como na vida de cada um de nós, há bons e maus momentos que não significam a chegada ao paraíso nem o fim do mundo _ são movimentos que se alternam, e cabe aos institutos de pesquisa e a nós jornalistas fazer o retrato do momento, relatando os fatos e tentando entender o que eles representam.

Discordo de Marcia Cavallari, do Ibope Inteligência, quando ela afirma que "os protestos diminuíram de tamanho e de alvo. A presidente não está mais no foco das manifestações (...)". Para mim, ela nunca esteve no foco e, assim como o movimento começou e assustou todo mundo, de uma hora para outra sumiu do cenário, limitando-se agora a alguns pequenos grupos com reivindicações corporativas e a arruaceiros em geral.

Cavallari também constata que "nas últimas semanas houve melhoria de vários indicadores da economia", mas se esquece de dizer que também houve piora em outros, como vemos no noiticiário todos os dias. Para melhor ou para pior, nada que justifique solavancos tão fortes da população nos seus sentimentos em relação aos rumos do país e do governo. O índice de volubilidade é muito alto.

Para mim, o mistério continua. Talvez só as próximas pesquisas possam nos dar respostas para tantas perguntas que continuam no ar e me deixam naquela difícil situação de não conseguir entender o que está acontecendo, muito menos explicar. Para tristeza de alguns colegas apocalípticos, o governo Dilma não só não acabou como está em franco processo de recuperar a sua popularidade.

Como tudo é imprevisível, façam suas apostas, senhoras e senhores. Se alguém tiver as respostas para minhas dúvidas, por favor as envie para o Balaio.

Bom final de semana a todos.

 

 

 

 

 

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36 Comentários

"O mistério das oscilações de Dilma no Ibope"

24 de August de 2013 às 11:17 - Postado por rkotscho

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Comentários
  • Antonio
    - 26 de agosto de 2013 - 21:21

    eu acho que a presidenta Dilma não chega aos 10% na pesquisa se realmente forem entrevistado as pessoa serias, assim como eu.

    Responder
  • Ebenezer Andrade
    - 26 de agosto de 2013 - 17:10

    Na minha opinião essa oscilação de Dilma, nas pesquisas é pelo fato de a oposição não ter um projeto de país e nem nomes de peso no momento. Marina, apresentou o quê? Defende o quê? Aécio idem e Eduardo Campos não sabe se vai ou se fica. Ai o povo pensa assim: se não tem outro na disputa real e com projeto de nação é melhor ficar com Dilma e o PT mesmo. E PT saudações.

    Responder
  • Aristóteles
    - 26 de agosto de 2013 - 08:31

    O fato é mais simples do que se pode imaginar. Quando os protestos iniciaram, primeiramente com cunho eleitoral, os alvos seriam o governo do PT e o governo em geral, haja vista, os números de aprovação do governo e os programas sociais que estavam por vir, como por exemplo o PRONATEC entre outros. Essa onda começou muito antes de junho, nas eleições municipais, com articulações de partidos. Quem reside no Nordeste ou conhece a política dessa região, sabe muito bem, que o Sr. Eduardo Campos quer ser a todo custo Presidente do Brasil, e fez várias articulações, entre elas a que derrubou o PT em recife e colocou um candidato do ser partido PSB. Daí, pouco tempo depois, começaram os boatos pela INTERNET, a exemplo do que aconteceu na campanha presidencial entre DILMA e SERRA, onde este último estimulou boatos (nas áreas ligadas a religião) que a CANDIDATA e hoje PRESIDENTA era a favor do ABORTO e não ACREDITAVA EM DEUS. Fato esse, que até hoje norteiam os mais fanáticos. Desta forma, quando os PROTESTOS começaram, manipulado por partidos de oposição, não acreditavam que os mesmos tomariam a proporção de alcançou. É a velha história do TIRO que saiu pela CULATRA. Sendo assim, em primeiro momento o alvo principal, por motivos óbvios, é o representante máximo do EXECUTIVO, a PRESIDENTA. Assim sendo, passados alguns meses e com o calor da discussão mais amenos, começaram a VER QUE NÃO SÓ A PRESIDNETA É CULPADA, que nem só o PT é culpado e, que existe um problema muito maior. Outro ponto que deve ser levado em consideração é a falta de DIÁLOGO, para não dizer DINHEIRO entre o chefe do EXECUTIVO ( PRESIDENTE) e Congresso Nacional. Como é sabido, a PRESIDENTA, não é tão "simpática" feito o saudoso LULA, ou TÃO "cabeça" como o FHC. Por isso o descontentamento, ou seja, onde não entra dinheiro, não entra simpatia. Curiosamente, Dilma, ao contrário dos outros presidentes, consegue mostrar a população mais coerência, é inegável que os CONGRESSISTAS não tem o mesmo tratamento do governo anteriores, por isso, isso tudo. Resumindo, o PSDB queria derrubar o PT, curiosamente o tiro saiu pela culatra e, quem pode ser dar bem é o PV ou mais provavelmente o PT.

    Responder
  • Laurindo
    - 25 de agosto de 2013 - 22:30

    Kotscho, você criou outro mistério ao, de maneira polida ou medrosa, descartar a teoria da conspiração, afinal, você não justificou os motivos p/ esse descarte. Você conhece ou não a intensidade do ódio e o tamanho dos interesses que movem a turma do Milenium e dos milhares que esse soturno instituto representa?

    Responder
  • RGS
    - 25 de agosto de 2013 - 20:38

    De pleno acordo,existe mistério nestas "propagandas" pesquisas!.E A URNA ELETRÔNICA CONFIRMARÁ OS RESULTADOS DAS DITAS CUJAS NAS ELEIÇÕES DE 2014!.

    Responder
  • Ronaldo Ribeiro
    - 25 de agosto de 2013 - 20:00

    O coro de vaias que ecoou na abertura da Copa das Confederações foi para a presidente Dilma, ela ficou bastante sem graça com a situação e inclusive abreviou o discurso, o que mostra o indicio de real queda de popularidade e mostra que as pesquisas estão próximas da realidade.

    Responder
  • claudio
    - 25 de agosto de 2013 - 19:36

    Dilma tem feito pelo pais o que muitos não conseguiram fazer em anos!!e não se interessaram. O desespero no caso do Mais Medicos não é pela vinda dos médicos e sim o que ela vai ganhar em termos eleitorais. Um projeto dessa magnitude pode lhe dar mais 4 anos de poder. E isso sem contar com o Mais Professores, que não trará professores estrangeiros mas irá reaproveitar milhares de bons professores aposentados nos mesmos moldes dos Mais Médicos. Aumentará os ganhos dos professores mantando suas aposentadorias. Esse projeto será lançado no inicio de 2014...aí, bye bye oposição....

    Responder
  • claudio
    - 25 de agosto de 2013 - 19:20

    Caro Kotscho, vc é um dos mais inteligentes blogueiros que conheço. Agora, descartar o Millenium não faz parte de sua inteligência. Não se trata de teoria de conspiração. O Millenium existe, é palpável e visa a derrocada dos governos progressistas no Brasil e no mundo. Por favor, Kotscho, abra mais os olhos com o Millenium. Eles estão presentes em muitos lugares principalmente na mídia conservadora e isso, não é teoria da conspiração....abraço

    Responder
  • Pedro Rocha
    - 25 de agosto de 2013 - 19:17

    Sem palavras... Acaba de falecer Gilmar dos Santos Neves. Um ídolo, um gentleman um de nossos maiores campeões. Descanse em paz, Gilmar. Você jamais será esquecido.

    Responder
  • Gilberto de Oliveira
    - 25 de agosto de 2013 - 19:05

    Para mim, é óbvio: a "opinião pública" é volúvel. Não deveria nem mesmo ser referida como "opinião", pois o dito cidadão médio não pensa com sua própria cabeça, ele é massa de manobra da mídia. Essa queda de popularidade de Dilma (ou do seu governo) veio com as manifestações dos "contra tudo". Vendo pela TV aquele monte de gente protestando "contra tudo", o cidadão médio extravasa seus recalques e "pensa" assim: "mas essa Dilma, heim? que decepção, não voto mais nela"... Agora as manifestações esfriam, a mídia passa a explorar outros assuntos, e o cidadão médio volta a "pensar": "é... a Dilma não é tão má, quem sabe..." Dessa forma, ocorrem as oscilações na avaliação das pesquisas. É bom não esquecer que o dito cidadão médio nunca se sente bem fazendo parte de uma minoria. Ele quer sempre estar no "time que ganha".

    Responder
  • Pedro Rocha
    - 25 de agosto de 2013 - 18:34

    Aê Kotscho... O Campeão voltou!

    Responder
  • Ricardo F
    - 25 de agosto de 2013 - 18:11

    Vou te explicar Kotscho, Primeiro Dilma caiu muito porque era quem mais tinha. Os antipetistas de extrema direita puseram uns baderneiros infiltrados como aquele na porta da prefeitura de SP. Também bombardearam a internet de boatos. Alguns se achavam fazedores de opinião e tentaram cooptar até suas empregadas domésticas de ladainhas contra o PT. Em toda rodinha de conversa tinha um falando mal do PT. Depois veio o propinuduto dos tucanalhas e a CASA CAIU. CADÊ aquela pesquisa que DAVA 54% pro Alckmin na reeleição?????? Se ele tiver 10% agora é muito. DILMA VAI RUCUPERAR TUDO. Os médicos do MAIS MÉDICOS nem começaram ainda.

    Responder
  • nona fernandes
    - 25 de agosto de 2013 - 17:49

    Às vezes sou até muito radical, pois acho o jornalismo brasileiro e de todo o mundo, lixos puros. Pior, pois o lixo pode ser reciclado e dar sustento a muitas famílias. Todas as grandes empresas jornalísiticas conduzem as pessoas a verem as coisas do jeito que elas querem, ou seja, sempre pensando nos seus interesses econômicos. E infelizmente essas empresas agem assim, porque a maioria das pessoas menos antenadas lhes dão credibilidade.Para mim, os jornalistas são piores do que os políticos, já que alguns políticos ainda se salvam, enquanto os jornalistas nunca informam nada em defesa de ninguém, a não ser deles mesmos. Algum jornalista, descaradamente diz para mim, mas você se informa através do jornalismo. Eu digo, claro, pois quanto pior o inimigo, mais precisamos conhecer as suas intenções. Hoje assisti a um debate na TV, onde o jornalista apresentador pergunta e se pergunta mais ou menos assim "com essa multiplicidade de mídias e de conteúdos jornalísticos, ainda é possível acreditar em alguma informação"? Veja a que ponto nós chegamos. Acho que o mundo seria bem melhor sem jornalismo, ou que ele fosse limitado a infomar somente o necessário. Tudo hoje virou espetáculo. É a desgraça do mundo moderno. Tudo virou espetáculo.

    Responder
  • cesarT
    - 25 de agosto de 2013 - 17:02

    Acredito que um pouco desse misterio se deve ao programa mais medicos, ao se posicionar contra, a oposicao devolve o eleitor moderado (flutuante)ao "ninho" PTista.

    Responder
  • paulo
    - 25 de agosto de 2013 - 15:25

    Wilson Garcia: corre o risco de ganhar por W.Ohhhh!!

    Responder
  • José Luiz
    - 25 de agosto de 2013 - 11:28

    Ora, essa é fácil de explicar, os institutos baixarmos artificialmente os números da Dilma e agora, lentamente, estão fazendo as correções, afinal, eles ainda tem um pouco de credibilidade a preservar

    Responder
  • Mateis
    - 25 de agosto de 2013 - 11:18

    Querido Kostcho. Normalmente eu odeio seus textos. Sabe porque? Porque você em geral lê o jornal e diz "é, como podemos ver...." e resume exatamente o que o jornal diz. Eu não sou jornalista. Mas tou vendo que o jornalismo brasileiro está no lixo total. Reproduzir/Resumir o que a mídia escreve (como você estava fazendo) não só é preguiça, como na maioria das vezes nem mesmo reflete a realidade. Usar o jornalismo da grande imprensa brasileira como fonte é, atualmente, impraticável. Eu parei de ler sua coluna há alguns meses, por causa disso. E aqui temos você, Ricardo Kostcho, questionando, duvidando, buscando respostas que a imprensa brasileira não tá nem um pouco a fim de buscar. Te dou os parabéns, e espero que você continue nessa onda.

    Responder
  • Eudes Gouveia
    - 25 de agosto de 2013 - 10:31

    e-mail correto: eudesgouveia@ig.com.br

    Responder
  • Eudes Gouveia
    - 25 de agosto de 2013 - 10:06

    Simples as respostas para suas indagações. Antes as informações unificadas da mídia eram interpretadas pelos diversos grupos e seguimentos da sociedade de forma estratificada. Sobre estes grupos e suas interpretações (e consequentes desdobros em tendências) se criaram e aperfeiçoaram as tabulações das pesquisas. É loucura e insensatez querer aplicar as mesmas regras de interpretação tradicional de pesquisas ao público atingido por um turbilhão de informações e tendencias difusas das redes sociais sem o "norte" comum (e tendencioso) dos barões da mídia. A divulgação da informação teve um turbilhão de pessoas se expressando livremente e outro turbilhão interpretando. Sem efeito manada. Se as mesmas perguntas fossem direcionadas às redes de TV o resultado seria o mesmo, até porque eram "contra tudo isto que está aí".

    Responder
  • Pedro Rocha
    - 25 de agosto de 2013 - 07:36

    Nessa, tenho que ficar do lado do Kotscho... Não só a manchete do post mas a íntegra do texto, está recheada da mais fina ironia, até mesmo quando ele afirma ser amigo do Montenegro. Mais do que ninguém, Kotscho sabe daquele antigo ditado Pullitzeriano que reza que jornalista, de verdade, não pode ter amigos. Um bom domingo a todos com o início da grande reação do Tricolor do Morumbi.

    Responder
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