ABr180913MCA12878 Celso de Mello não cede a pressão e a Justiça vence

Em tempo:

li agora todo o noiticiário sobre o voto de Celso de Mello e não encontrei nada de novo que me animasse a atualizar o blog como anunciei no post abaixo. Cada um dos lados desta contenda repetiu apenas o que já vinha falando antes. Como estou ocupado o dia todo no Festival de História aqui de Diamantina, onde encontrei assuntos e pessoas bem mais interessantes, vou deixar para escrever na volta com mais calma. O que eu tinha para dizer está no post aí abaixo.

O anunciado fim do mundo ainda não chegou. A vida segue seu rumo normal e as águas dos rios continuam correndo para o mar, onde as marés sobem e descem conforme o previsto.

***

DIAMANTINA (MG) - São sete da noite desta quarta-feira, e acabei de chegar a esta belíssima cidade onde nasceu Juscelino Kubitschek, por acaso um presidente da República com a marca de democrata, justo e libertário, que sofreu nas mãos da imprensa da sua época.

Só agora, depois de viajar o dia inteiro, fiquei sabendo do resultado do julgamento no STF, com o ministro Celso de Mello, cumprindo sua palavra, e desempatando o jogo em 6 a 5 a favor da aceitação dos embargos infringentes e de possíveis novos julgamentos em alguns casos de 12 réus.

Escrevo no computador do escritório da Pousada Relíquias do Tempo, um casarão do século 18, de costas para a estátua de JK e de frente para a catedral, graças à amabilidade dos proprietários Leonardo e Carmem, que já me ofereceram café, rosquinhas de nata e biscoito de polvilho.

Para não abusar da gentileza deles, vou ser bastante breve neste texto, até porque nada tenho a acrescentar àquilo que disse o decano Celso de Mello ao justificar seu bem fundamentado voto.

A Justiça venceu, apesar do massacre midiático dos últimos dias, como escrevi no post anterior, e a velha imprensa, mais uma vez, perdeu.

Na paz de Diamantina e seu calçamento de pedras capistranas, onde começa amanhã o 2º Festival de História, do qual participarei junto com o historiador britânico Kenneth Maxwell e vários colegas jornalistas brasileiros, vou  apenas registrar, para ficarem na memória deste blog e dos seus leitores, três frases do ministro Mello:

"O Supremo não pode se sujeitar às pressões das ruas". Muito menos às chicanas da imprensa, acrescento eu.

"O Tribunal deve julgar com absoluta serenidade e não pode expor-se, submeter-se, subordinar-se à vontade de maiorias contingentes".

"Há questões fundamentais que precisam ser conservadas e a vontade popular não tem poder de anular garantias essenciais e liberdades fundamentais asseguradas".

Prometo voltar ao Balaio amanhã, quinta-feira, antes de participar à tarde do debate com Fernando Morais e Paulo Markun sobre "A História escrita a quente". Vida que segue.

http://r7.com/Ybba