CHICOCESARDDDDDD Que mancada! Meu caro amigo Chico entrou numa fria

Chico Buarque em entrevista a Paulo César Araújo / Arquivo Pessoal

Lá longe em Paris, onde está escrevendo seu novo livro, bem distante da muvuca armada pela empresária Paula Lavigne para coibir a publicação de biografias não autorizadas sobre artistas e, se possível, descolar uma graninha de editores e autores, Chico Buarque, meu caro amigo dos tempos de Colégio Santa Cruz, poderia ter ficado sem essa.

Ao se meter sem necessidade nesta confusão, com um artigo publicado no jornal "O Globo", em que se coloca ao lado de Paula, Caetano, Gil e Roberto Carlos, e critica os autores de biografias não autorizadas, Chico deixou de seguir um conselho dele mesmo, dado ao ex-presidente Lula logo no início do primeiro mandato.

Diante da profusão de ministérios e das atribulações do novo governo, o grande compositor sugeriu a criação de mais um: o "Ministério do Vai Dar Merda". A única função do novo ministro seria alertar o presidente quando alguém lhe desse alguma ideia de jerico.

Faltou alguém assim ao lado de Chico para o aconselhar a não entrar numa fria com a publicação do seu infeliz artigo, que o deixou numa situação bastante constrangedora, ao acusar o escritor Paulo César Araújo, biógrafo de Roberto Carlos, que teve sua obra proibida em 2006, de ter inventado uma entrevista com ele sobre o líder da Jovem Guarda.

"Pensei que o Roberto Carlos tivesse o direito de preservar sua vida pessoal. Parece que não. Também me disseram que sua biografia é a sincera homenagem de um fã. Lamento pelo autor, que diz ter empenhado 15 anos de sua vida em pesquisas e entrevistas com não sei quantas pessoas (175 no total), inclusive eu. Só que ele nunca me entrevistou", acusou Chico.

Quem agora deve estar se lamentando é ele. No mesmo dia, o biógrafo Paulo César Araújo enviou ao jornal fotos e um vídeo da entrevista gravada em duas fitas de VHS, em março de 1992, durante uma conversa que durou mais de quatro horas, na casa de Chico, na Gávea. Muito à vontade, de camiseta, bermuda e chinelos, Chico falou de tudo.

"O importante era restabelecer a verdade. O mundo vai ver que ele se enganou: me acusou de ter usado o nome dele sem tê-lo entrevistado. Era a minha credibilidade que estava em jogo. Acredito que ele se esqueceu", desabafou Araújo em entrevista a Jotabê Medeiros, do "Estadão".

A associação "Procure Saber", criada há algumas semanas por artistas como Chico, Caetano e Gil, Erasmo e Roberto Carlos, Djavan e Milton Nascimento, é presidida por Paula Lavigne, que já anunciou a contratação de advogados para defender as causas da entidade. Paula não trabalha como artista nem se tem notícia de alguém que esteja interessado em escrever sua biografia. Trata-se apenas da ex-mulher e empresária de Caetano Veloso, que está vivendo seus 15 minutos de celebridade.

O que eles querem, violando a liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal, é a autorização prévia do artista ou seus herdeiros para a publicação de biografias e a participação nos direitos autorais. O objetivo principal, segundo ela, é preservar o direito à privacidade dos biografados.

Para completar a lambança, Chico Buarque defendeu os herdeiros de Garrincha que, segundo ele, conseguiram uma alta indenização da editora Companhia das Letras pela publicação da biografia "Estrela Solitária", de Ruy Castro. Também neste caso, Chico foi desmentido, desta vez por Luiz Schwarcz, presidente da Companhia das Letras, que por ironia do destino publica os livros do próprio Chico.

O editor negou que a empresa tenha sido condenada pela Justiça a pagar indenização à família de Garrincha, mas, para evitar a proibição do livro, admitiu ter feito um "volumoso acordo", que custou uma grana preta à empresa. "Pela lei vigente, os herdeiros se transformam em historiadores, editores e, desculpem-me, censores, sim", escreveu Schwarcz em seu blog.

Tantas vezes vítima da censura durante o regime militar, Chico Buarque agora corre o risco de ter seu nome associado a um movimento que, em última análise, quer censurar escritores de biografias.

Faz sentido isso?

Em tempo:

reconhecendo o erro, Chico Buarque já enviou mensagem a Paulo César Araújo pedindo desculpas.

Melhor assim.

Agora só falta tirar o nome dele desta roubada obscurantista.

http://r7.com/0plZ