Em poucas horas, durante a madrugada desta quarta-feira, tivemos mais dois episódios mostrando que, para certos grupos organizados em torno de diferentes reivindicações, vivemos numa terra sem lei, em que a violência não tem mais limites.

Eles são poucos, mas causam prejuízos de bom tamanho. Quando os 50 homens da PM chegaram à reitoria da USP, na Cidade Universitária, para cumprir a ordem de reintegração de posse, após 42 dias de ocupação, restavam apenas 30 estudantes e um rastro de destruição: equipamentos quebrados, documentos, troféus históricos e computadores desaparecidos, paredes pichadas, mesas reviradas, armários arrombados e extintores de incêndio espalhados pelo chão, como se tivesse passado um furacão por lá.

 USP depredada, instituto invadido: violência sem limite

Depredação na Reitoria da USP / Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo

Apenas dois estudantes foram detidos e indiciados por furto qualificado, dano ao patrimônio e formação de quadrilha. Advogados dos estudantes, que se declararam inocentes, denunciaram que eles foram "abordados com truculência e sofreram agressões físicas e psicológicas, que pela lei configuram a prática de tortura". Mais tarde, cerca de 60 estudantes protestaram diante da delegacia do Jaguaré para onde foram levados os presos.

Para a USP, o cenário encontrado era de "barbárie, com cenas de vandalismo e depredação". Em nota, a direção da instituição afirma que "a sociedade se cansou desse método violento e ilegal utilizado por certas minorias". Ao invadir a reitoria a golpes de marretadas, no dia 1º de outubro, os estudantes reivindicavam eleições diretas para indicar o novo reitor da USP, que será escolhido no dia 19 de dezembro.

Só para lembrar: no último dia 15 de outubro, o desembargador José Luiz Germano, da 2ª Câmara de Direito Público do TJ de São Paulo, havia concedido um prazo de 60 dias para os estudantes desocuparem o prédio da reitoria, com o objetivo de "permitir que as partes dialoguem para chegar a um acordo e evitar a intervenção policial". A direção da USP e representantes do Diretório Central dos Estudantes fizeram cinco reuniões. Ontem, sem acordo, a polícia chegou de madrugada.

Na mesma hora, em São Roque, cidade da região metropolitana de São Paulo, cerca de 40 encapuzados invadiram e depredaram novamente o Instituto Royal. Desta vez, em lugar de cachorros, eles libertaram camundongos utilizados em pesquisas, mas não os levaram. Azar dos vizinhos.

royal USP depredada, instituto invadido: violência sem limite

Prédio do Instituto Royal em São Roque (SP) / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Depois de render e ameaçar queimar os três vigias, o grupo mascarado, que estava armado de facas, alicates e machados, depredou três carros e uma moto, e pichou o prédio com as letras "ALF". Quando a polícia chegou, eles já haviam desaparecido. Ninguém foi preso, segundo a TV Record de Sorocaba.

E agora, quem vai pagar por estes prejuízos?, como perguntaria meu colega Heródoto Barbeiro.

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