ABr270213DSC 5950 Paulo Skaf no ar: candidato é do PMDB ou da Fiesp?

Enquanto em Brasília os meritíssimos ministros do Supremo Tribunal Federal ainda estão decidindo como pode ser feito o financiamento de campanhas eleitorais, um candidato atípico  já fez sua opção, sem dúvida bastante original. Presidente da Fiesp, a poderosa federação das indústrias de São Paulo, e candidato do PMDB a governador do Estado, o empresário Paulo Skaf criou por conta própria o financiamento público-privado de campanha.

Quem costuma ver comerciais de televisão fica sem saber se o candidato é do PMDB ou da Fiesp, já que a campanha embaralha tudo. Só este ano, o peemedebista já torrou R$ 32 milhões de reais de verbas do Sesi-Senai para se promover. As duas entidades do chamado Sistema "S" são ligadas à Fiesp e financiadas com isenção fiscal dado às empresas.

Ou seja, quem fica com a conta somos nós, já que os gastos com estas generosas campanhas na TV são pagos com o dinheiro que o governo deixa de arrecadar dos nossos impostos. Fica a pergunta: quantas outras obras poderiam ter sido feitas pelo Sesi-Senai com esta montanha de dinheiro gasto em promoção pessoal?

Sob o comando da grife de Duda Mendonça, o candidato anfíbio é uma estrela constante nos comerciais destas entidades, em que ele sempre aparece sorridente, ao lado de crianças felizes, inaugurando obras do Sesi-Senai. De vez em quando, no mesmo estilo, o personagem também aparece em comerciais do PMDB.

Neste último final de semana, Skaf ocupou os intervalos das principais emissoras de TV para faturar, em nome da Fiesp, a paternidade da decisão da Justiça que suspendeu a cobrança do aumento do IPTU. Detalhe: quem entrou primeiro com o recurso na Justiça foi o PSDB, partido de oposição na cidade, enquanto a bancada do PMDB na Câmara Municipal votou a favor do aumento do IPTU.

Para Paulo Skaf, pouco importa. O que interessa é levar vantagem em tudo, ainda mais agora que ele fez uma completa reforma na fachada, com o vistoso implante de uma cabeleira negra. Além de falar aos que criticaram o aumento do IPTU, o líder empresarial aproveitou também para se dirigir aos órfãos dos protestos de junho: "Acabou o tempo em que o Brasil aceitava tudo de braços cruzados, sem lutar pelos seus direitos".

Skaf é reincidente. Nas eleições passadas para governador, em 2010, também sob a batuta de Duda Mendonça, Skaf adotou o mesmo esquema, só que o partido era outro: o Partido Socialista Brasileiro, de Eduardo Campos, o que causou uma certa estranheza. Afinal, deve ter sido o primeiro caso de presidente da Fiesp defendendo o socialismo. Teve por volta de um milhão de votos.

Agora, já mais conhecido, depois de outros quatro anos de propaganda do Sesi-Senai, sempre tendo o candidato como atração principal, Paulo Skaf surge em segundo lugar nas pesquisas, que, por enquanto, apontam para a reeleição do governador Geraldo Alckmin.

E vai ficar tudo por isso mesmo? Ninguém vai entrar com uma representação no TSE contra este dublê de líder empresarial e candidato, que utiliza verbas públicas alocadas pelo governo federal no sistema "S" para fazer sua campanha a governador? É justo isso?

Quem tiver as respostas pode enviar aqui para o nosso Balaio.

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