Por que tantos saem de casa só para barbarizar?

Pode ser jogo de futebol, parada gay ou um show de rock. A maioria das pessoas vai só para se divertir, mas tem cada vez mais gente que sai de casa só para barbarizar. Fico assustado ao ver que neste último final de semana, em São Paulo, tivemos pelo menos 18 arrastões na Virada Cultural, deixando dois baleados, dois esfaqueados e mais de 100 presos. É por isso que cada vez menos gente tem coragem de sair de casa para ir a estes eventos.

Sempre tivemos brigas em lugares tomados por multidões e onde corre muita bebida, mas eram casos isolados, nada programado ou planejado. Quem não gosta de muvuca, como eu, simplesmente não vai. Só que o que estamos vendo agora são vândalos organizados que se aproveitam da situação para infernizar a vida dos outros, mesmo os que estão apenas de passagem, tentando chegar a algum destino.

Quase todo final de semana, ruas e avenidas são interditadas por algum motivo, as vias em torno de estádios e casas de espetáculos ficam intransitáveis, somando-se àquelas improvisadas em ciclovias. Claro que todo mundo tem o direito de se divertir, mas desse jeito o espaço público vai ficando menor, tornando uma verdadeira gincana o simples ato de tentar circular pela cidade.

Já era assim durante a semana, mas de uns tempos para cá também aos sábados e domingos é difícil chegar no horário aos nossos compromissos. Como o transporte público é indigente, em breve teremos um carro por habitante e assim ninguém mais vai conseguir trafegar pela cidade, facilitando a ação dos bandos que fazem arrastões nos congestionamentos, armam barricadas e, por qualquer motivo, ateiam fogo aos ônibus.

A tudo assistimos bestificados, sem saber direito o que está acontecendo. Não me arrisco a responder à pergunta do título, até porque, não tenho a menor ideia. Só gostaria de entender. Sei que ruas e calçadas tornaram-se verdadeiras armadilhas, em que bandidos, carros e buracos disputam para ver quem faz mais vítimas. Vamos pedir socorro a quem? De vez em quando, tenho a impressão de que estamos numa guerra permanente de todos contra todos e esqueceram de me avisar para ficar em casa.

Só me resta dizer: pobre São Paulo, que fizeram de ti.

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