Em 1970, na épica Copa do Mundo do tricampeonato conquistado no México, o ataque da melhor seleção brasileira de todos os tempos tinha Jairzinho, Gerson, Rivelino, Pelé e Tostão. Nenhum deles era camisa 9 de ofício, e nenhum deles poderia ficar de fora.

Por que não repetir agora a solução encontrada por Zagalo, simplesmente escalando quem está melhor no momento, sem se importar com a numeração? Zagalo colocou os cinco para jogar e entregou a camisa 9 para Tostão, que nunca foi o que se chama de centroavante, aquele cara que fica parado na área, só esperando a bola boa para marcar.

A goleada contra o Panamá no amistoso de terça-feira, em Goiânia, serviu para mostrar a Felipão que Neymar precisa de outro parceiro no ataque porque a seleção não pode depender só dele na Copa do Mundo Brasil que começa daqui a apenas oito dias. Neymar sozinho, é verdade, acabou com o jogo, em dia digno de Pelé nos melhores tempos. E se ele se machucar, como aconteceu com Pelé, no Chile, no bicampeonato de 1962?

1vipcomm 1 Felipão não pode deixar Neymar jogar sozinho

Não temos hoje nenhum Garrincha para assumir o papel do rei do futebol e levar o time nas costas no lugar dele. Também não temos um Amarildo dando sopa. Nossa safra de talentos não lembra nem de longe aqueles dos anos 60 e 70, com exceção de Neymar.

ney Felipão não pode deixar Neymar jogar sozinho

Não sou técnico, eu sei, nem tenho a solução mágica para dar ficando palpite, mas temos bons jogadores no elenco e Felipão vai ter que encontrar um jeito de melhorar o ataque para não deixar tudo por conta da inspiração de Neymar.

Algumas coisas ficaram claras no penúltimo amistoso da seleção. O intocável Fred, artilheiro da Copa das Confederações, andou mais tempo machucado do que jogando e está visivelmente fora de forma, paradão, sem participar do jogo, perdendo o tempo da bola. A mesma coisa acontece com seu reserva Jô, um jogador bastante limitado.

Como Oscar esqueceu seu bom futebol do ano passado e anda meio desanimado em campo, por mais que não queira, Felipão vai ter que mexer neste time. Com a entrada de William em seu lugar no segundo tempo, o time ganhou outro ritmo, criou inúmeras oportunidades de marcar e mostrou que temos boas alternativas para sair daquele rame-rame do primeiro tempo, que deixou Felipão possesso, antes da falta cobrada por Neymar, uma pintura, deixando a seleção mais tranquila quando a torcida já começava a vaiar..

Outro que pode ser testado no último amistoso, contra a Sérvia, na sexta-feira, em São Pulo, é o baixinho Bernard, que encantou Felipão porque joga com "alegria no pé". Não sei em que posição ele poderia ser escalado, talvez pela ponta direta, empurrando Hulck mais para o meio, não sei. O certo é que Fred, Jô e Oscar não são soluções no momento, e é preciso cavar um lugar para William e Bernard. Este para mim é o maior desafio para o técnico. Basta não ser teimoso e aceitar a realidade como ela é.

http://r7.com/XNa9