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Vamos baixar a bola e levantar a cabeça, moçada

Postado por rkotscho em 02/07/2014 às 12:45 em Sem categoria | 23 Comments

felipao Vamos baixar a bola e levantar a cabeça, moçada [1]

Que se passa com os meninos da nossa seleção e também com a torcida brasileira? Aonde foi parar aquela velha alegria, a confiança no melhor futebol do mundo, na grande festa do futebol? A 48 horas do jogo contra a Colômbia pelas quartas de final, a julgar pelas caras tristes dos jogadores e previsões pessimistas da crônica esportiva, parece que já perdemos e estamos fora da Copa, tal o clima de fim de feira que se criou a partir de sábado, quando o time de Felipão tomou um nó do Chile e só se classificou por milagre. Ninguém é obrigado a ganhar, mas também não estamos condenados a perder.

Tudo bem que nosso retrospecto não é bom, com apenas duas vitórias e dois empates sofridos, mas também não tem nenhum bicho-papão neste Mundial, e todos penaram para ficar entre os oito finalistas. Notei que tinha alguma coisa errada no momento em que vi os jogadores em  fila no corredor do vestiário do Mineirão, prontos para entrar em campo, no jogo das oitavas.

Com suas caras tensas e tristes, melancólicas mesmo, sem trocar uma palavra, sem dar um sorriso, davam a impressão de estar caminhando para o matadouro. Na hora do Hino Nacional, abraçaram-se com força e cantaram aos gritos, como se estivessem indo para a guerra. Com medo de perder, deixaram a torcida calada ao tomar o gol de empate do Chile e não conseguiam mais acertar nem a cobrança de um lateral.

Passados quatro dias, estavam com as mesmas expressões, sentados diante de Felipão no banco de reservas, durante o treinamento de terça feira, em Teresópolis. A grande novidade do dia foi a chegada de uma psicóloga como salvadora da pátria. De cara sempre enfezada, o técnico gesticulava muito, fazia mistério, mas até agora não vimos um treino coletivo para valer, capaz de ajustar o time e devolver a confiança aos jogadores. E, sem confiança, não dá nem para tomar um sorvete. Quem está precisando de um tratamento é ele, o chefão, pai de todos, à beira de um ataque de nervos.

Está na hora de todo mundo baixar a bola e levantar a cabeça. Como bem reparou meu colega Cosme Rímoli, aqui mesmo no R7, os veteranos campeões mundiais Felipão e Parreira botaram tanta pilha nos jogadores, garantindo à torcida a conquista do hexa, como se bastasse apenas cumprir a tabela, que eles foram desabando diante de tanta responsabilidade e esqueceram de jogar bola.

Meninos ricos e mimados, sempre cercados de assessores e seguranças, tornaram-se um bando de chorões na hora da onça beber água, com a nossa chique torcida calada nas arquibancadas, agora transformadas em camarotes de ópera. A grande festa da Copa continua nas ruas, calando os abutres que previam o caos, mas o povo anda meio amuado com a seleção. Ganhar ou perder é do jogo, não vai mudar as nossas vidas, nem a dos jogadores. Ninguém é obrigado a ser o herói do hexa, mas também não dá para entregar os pontos antes de entrar em campo.

Agora, não adianta lamentar que Felipão não tenha convocado este ou aquele jogador, até porque nenhum grande craque ficou de fora. Também não resolve constatar que ele cometeu um erro brutal ao não mesclar jovens talentos com profissionais mais experientes, como todo mundo faz em qualquer time ou empresa, confiando demais na sua intuição, depois da conquista da Copa das Confederações, no ano passado, praticamente com estes mesmos jogadores.

O que importa agora é ganhar da Colômbia e, embora eles sejam os favoritos na sexta-feira, pela análise fria dos números, com quatro vitórias em quatro jogos, mais gols marcados e menos sofridos, temos todas as condições de ganhar, com ou sem Neymar, que estava jogando sozinho, só tomando porrada, como já era de se esperar.

Basta parar desta frescura de complô da Fifa contra nós, deixar o nhém-nhém-nhém de lado e trabalhar duro para voltar a confiar no nosso taco, com as mudanças que já deveriam ter sido feitas no time. Nada está perdido, nada está ganho. Vamos à luta, moçada, jogando com alegria, com ousadia, com bola no chão, sem medo de perder.

Quem sabe assim, Felipão volta a dar um sorriso, sem ter que pedir ajuda a jornalistas amigos. Como repórter, do Estadão e da Folha, fiz a cobertura de dois Mundiais, na Alemanha, em 1974, e no México, em 1986, e não vi nada parecido com este palco montado na Granja Comary, que virou cenário de televisão, jogador chegando de helicóptero e andando de quadriciclo. Vamos voltar a fazer nosso arroz com feijão e pimenta, que o jogo é de taça e a gente só quer se divertir. Quem gosta de sofrer é corintiano...

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