Foi num dia 11 de setembro, como hoje, que o golpe militar deflagrado pelo general Pinochet derrubou o presidente eleito Salvador Allende, dando início à mais sanguinária e assassina ditadura na história da América Latina, que deixou milhares de mortos. Quarenta e um anos depois, o Chile é uma democracia exemplar.

Foi também num dia 11 de setembro que um ataque terrorista contra os Estados Unidos derrubou as Torres Gêmeas, em Nova York, matando mais de 3 mil pessoas e causando prejuízos de 10 bilhões de dólares. O atentado levou o  então presidente George W. Bush a lançar uma guerra "contra o terrorismo". Pois nesta quinta-feira do inverno quente de setembro de 2014 no Brasil, treze anos depois, os jornais nos informam que o atual presidente americano, Barack Obama, anunciou que vai bombardear a Síria, com o objetivo de "destruir de forma definitiva" o Estado Islâmico.

É um dia para nunca se esquecer _ e eu não esqueço. Sem dar nenhum tiro nem jogar bombas em ninguém, foi também num dia 11 de setembro, há seis anos, que entrou no ar pela primeira vez o nosso blog Balaio do Kotscho, então hospedado no portal iG.

Estava passando férias para comemorar meus 60 anos, em julho de 2008, na bela ilha de Fernando de Noronha, a única unidade da federação que ainda não conhecia, quando o celular tocou. E funcionou! Era meu ex-chefe e amigo Caio Túlio Costa, na época presidente do portal e hoje um dos coordenadores da campanha de Marina Silva. Tinha urgência de falar comigo.

kotscho 11 de setembro é um dia para nunca se esquecer

Foto 1: Golpe militar no Chile / Foto 2: Atentado às Torres Gêmeas nos EUA

O convite era para começar imediatamente a fazer um blog, o que me deixou um pouco assustado, já que minha experiência anterior na internet se limitava a uma colaboração quinzenal ,depois semanal, por fim, diária, no site "No Mínimo", generosa iniciativa de jornalistas cariocas que não durou muito tempo.

Escrever novamente todos os dias, de domingo a domingo, não estava nos meus planos naquela época, ainda mais que os blogs já tinham virado uma febre, e eu até brincava:

"Mais um? Daqui a pouco todo mundo vai fazer um blog. E quem vai ler?" Cada grande portal tinha centenas, e eles não paravam de se multiplicar. Ainda levaria um bom tempo negociando salário e acertando o formato, até que uma hora não teve mais jeito, e um dos editores me avisou: você começa no dia 11.

Três anos depois, recebi um convite da Record para trazer meu blog para o R7, hoje o segundo maior portal jornalístico do país, e fazer comentários políticos no Jornal da Record News, comandado pelo Heródoto Barbeiro, líder de audiência no segmento dos canais de notícias. E estou aqui até hoje.

Acho que sou pé quente. Chegar aos 50 anos de profissão, que completei este ano, ainda escrevendo praticamente todos os dias e ter virado jornalista multimídia depois de velho, não foi fácil.

Para completar, sou mais uma vez finalista do Prêmio Comunique-se, que elege os melhores jornalistas do ano em votação direta. Ainda por cima, fui indicado em duas categorias: mídia impressa (revista Brasileiros) e blogs, com este Balaio velho de guerra. É uma prova de que a telinha e o papel podem conviver ainda por um bom tempo. Pra mim, tanto faz qual é a plataforma: tendo uma boa história para contar, qualquer meio serve.

Vida que segue.

http://r7.com/MAB0