Untitled 110 As boas ideias do Nizan para o papel do jornal

"Surpresa!", diz o título do texto de Nizan Guanaes, mentor e dono do ABC, o maior grupo publicitário do país, convidado nesta segunda-feira para ocupar o espaço de "Ombudsman por um dia", série publicada pela Folha para comemorar os 25 anos da criação do cargo de ouvidor dos leitores.

Como é uma raridade hoje em dia ser surpreendido pelo jornal, qualquer um, no sagrado ritual do café da manhã, parei de dar uma olhada por alto nas páginas e fui direto ler o que ele escreveu.

"Fica muito claro que os seres humanos do século 21 não querem só conversar sobre economia e política", destaca o "olho" da matéria, resumindo o que eu e muitos consumidores de informação pensamos sobre o papel dos jornais de papel neste mundo cibernético em que vivemos.

Diante da avassaladora concorrência dos meios eletrônicos, ficou cada vez mais difícil sermos surpreendidos por alguma novidade pelas publicações impressas, no dia seguinte ou no final de semana, depois de passarmos o tempo todo plugados em celulares e tablets e quetais, essa parafernália que não para de procriar, muitas vezes acompanhando ao mesmo tempo e ao vivo a cobertura dos principais acontecimentos pelos canais de notícias 24 horas na televisão.

Já faz tempo, ao participar de debates, palestras e seminários nas universidades, quando me pedem para definir os rumos da velha ou da nova mídia, respondo sempre que a natureza do nosso ofício não mudou nestes 50 anos em que ganho a vida como repórter: é contar uma novidade, uma história inédita, ou seja, surpreender o leitor, telespectador ou internauta, qualquer que seja a plataforma.

Por isso, fiquei tão satisfeito ao terminar de ler o artigo do Nizan, que traduziu com clareza e simplicidade exatamente o que penso como emissor e receptor de informações. Em resumo, este criador de reclames lança um apelo para que a imprensa faça o óbvio pela sua própria sobrevivência: saia dos gabinetes do poder e volte a tratar da vida real.

Um bom exemplo: "A vida, às vezes, parece que não é importante para o jornal. Não adianta falar de moda procurando escândalo financeiro na Versace. A mulher quer saber que sapato vai usar na próxima estação".

Espero, de coração, que os capos e editores da nossa velha imprensa de papel leiam com atenção este texto do criativo baiano (baiano criativo parece até redundância...) e parem de reclamar da vida. Assim como o cinema não acabou com o teatro, a televisão não acabou com o cinema e nenhum deles acabou com o livro, a internet não vai acabar com o jornal. Tem espaço para todo mundo, ninguém vai matar ninguém. O importante é ter uma boa história para contar e não alimentar vocação para o suicídio.

Valeu, Nizan.

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