Mapa Brasil Eleições 2014 vão deixar um país dividido

"A apenas 76 dias da abertura das urnas e 24 do início do horário eleitoral na televisão, Dilma Rousseff continua liderando as pesquisas, mas a presidente me parece cada vez mais sozinha na estrada, com a campanha à reeleição mostrando rachaduras no governo, no partido e na base aliada".

Assim começava o texto com o título "Dilma sozinha na estrada; Aécio vira vidraça", publicado aqui no Balaio no já longínquo dia 21 de julho, antes da morte de Eduardo Campos, e de todas as reviravoltas da campanha eleitoral, na mesma semana em que a Folha furou a barreira de proteção ao tucano e publicou a história do aeroporto construído com dinheiro público nas terras de titio pelo ex-governador de Minas Gerais.

Mais adiante, constatei no mesmo post: "A solidão de Dilma fica mais patente quando se nota que raros são os que saem em defesa das políticas do governo, mesmo entre seus ministros. Boa parte das lideranças empresariais e sindicais que apoiaram a presidente em 2010 agora está na moita ou pularam para o outro lado, como acontece com muitos aliados do PMDB, um partido ainda de caciques regionais que procuram, em primeiro lugar, salvar a própria pele".

Agora, a apenas 10 dias das eleições do segundo turno, o que vemos? Fenômeno de resiliência política, a presidente Dilma Rousseff resiste ao isolamento e chega à reta final em empate técnico com Aécio Neves, o candidato oficial da mídia, segundo as últimas pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas na noite de quarta-feira. De uma semana para outra, nada mudou, com os dois institutos mostrando rigorosamente o mesmo placar em votos válidos: 51% a 49%.

Ou seja, mesmo jogando contra tudo e contra todos, batendo de frente com o empresariado paulista, o agronegócio sucroalcooleiro, a banca nacional e também a internacional, setores do sindicalismo e a mídia familiar nativa, tudo ao mesmo tempo, Dilma continua com chances de ser reeleita.

O resultado final ainda é absolutamente imprevisível, mas uma coisa já é certa: aconteça o que acontecer, ganhe quem ganhar, o próximo presidente da República vai assumir um país rachado ao meio, social, geográfica e politicamente, como mostram as pesquisas e, mais do que os índices de intenção de voto, é revelado pelo mapa dos eleitores que se dividem entre Aécio e Dilma.

São dois Brasis claramente opostos que estarão em confronto no dia 26, segundo os números do Datafolha: o de Dilma se concentra no Norte e Nordeste e tem renda familiar de até dois salários mínimos; o de Aécio lidera nas três outras regiões (centro-oeste, sudeste e sul) e em todas as demais faixas de renda.

Faltam ainda três debates (SBT, hoje à tarde; Record, no domingo, e Globo, na próxima quinta), que podem desempatar este jogo, já que os apoios recebidos por Aécio, inclusive a badalada adesão de Marina, e os ataques desfechados contra Dilma por conta das delações premiadas da Petrobras, até agora, não mudaram uma vírgula nas pesquisas, que continuam sendo estranhamente divulgadas no mesmo dia, com os mesmos números, aconteça o que acontecer.

Dilma e Aécio empatam até nos tiros que dão nos próprios pés: Aécio, ao entregar antecipadamente a economia ao controle do controverso Armínio Fraga, o homem do megainvestidor americano George Soros no Brasil, e Dilma, ao anunciar a saída de Guido Mantega, mas mantê-lo agonizante no cargo.

Tem certas coisas que você pode até pensar, mas só deve anunciar após a definição das urnas, como a decisão de Dilma de criar, finalmente, o marco regulatório da mídia, em seu possível segundo mandato, o que só serviu até agora para aumentar ainda mais a ira dos poderosos meios de comunicação do Instituto Millenium contra ela.

Na verdade, é esta questão da regulação da mídia, e mais ainda a do destino a ser dado ao tesouro do pré-sal, ambos temas até aqui ignorados nos debates, que mais despertam os interesses dos investidores nacionais e estrangeiros, os grandes apostadores neste cassino eleitoral. Os destinos do país nos próximos quatro anos e nos seguintes são apenas um detalhe, o pano de fundo para animar a torcida do Fla-Flu.

Enquete: e se a água acabar?

Ficou todo mundo assustado com as previsões apocalípticas feitas nesta quarta-feira pela Sabesp de que a água em São Paulo pode acabar já em meados de novembro. E aí, o que faremos?

Ainda não tinha pensado nisso, mas se as torneiras secarem mesmo de vez, para onde fugirei?

Há tempos venho alimentando o sonho de passar o que me resta de vida no Nordeste, mais particularmente em João Pessoa, na Paraíba, mas talvez tenha que antecipar os planos.

E você, caro leitor do Balaio? Já resolveu para onde ir? Tá na hora de pensar nisso.

As suas respostas poderão ajudar outros leitores a decidirem seu rumo.

Com ou sem água, é vida que segue. 

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