oka Alô, CBF: é só entregar a seleção a Marcelo Oliveira

Está na cara de todo mundo, mas só a CBF não vê: depois do vexame da Copa do Mundo, o futebol brasileiro ganhou de presente uma base pronta para montar imediatamente uma nova seleção, com técnico e tudo.

Ou será que ninguém viu o que o Cruzeiro e seu treinador Marcelo Oliveira fizeram nestes últimos dois anos em que assumiram o domínio absoluto do nosso futebol, montando um time que hoje pode tranquilamente enfrentar o Bayern Munique, o Barcelona ou o Real Madri, jogando de igual para igual, sem medo de passar vergonha?

Será que ninguém ainda avisou aos dois presidentes da CBF, José Maria Marin e seu parceiro Marco Polo Del Nero, que Espanha e Alemanha, os dois últimos campeões mundiais, montaram suas seleções vitoriosas com base no Barcelona, em 2010, e no Bayern, em 2014?

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Não seria muito mais fácil, rápido e barato, do que mandar Dunga se humilhar em longa peregrinação pelos principais centros futebolísticos do mundo para aprender como se montam equipes vitoriosas, como se o Brasil fosse um mero aprendiz e não pentacampeão mundial do esporte mais popular da terra? Marcelo Oliveira já sabe como fazer, não precisa perguntar para ninguém.

Para quê? Para ficar promovendo testes intermináveis, com um catado de jogadores espalhados por aí, que mudam a cada jogo, a exemplo do que já fez Mano Menezes, que comandou a seleção brasileira antes de Felipão e chegou a convocar mais de 100 jogadores, sem conseguir montar um time?

A grande diferença é que Marcelo Oliveira Santos Uzai, 59 anos, mineiro de Pedro Leopoldo, é um técnico vencedor faz tempo, e o único time que Dunga, um treinador virgem de títulos, dirigiu na vida, depois da seleção brasileira, foi o Internacional de Porto Alegre, onde fracassou.

Em março de 2012, quando ainda era técnico do Coritiba, o sempre discreto Marcelo Oliveira já tinha sido considerado o melhor técnico do Brasil e o 14º do mundo pelo Institute of Football Coaching Statistics, que Marin e Del Nero nem devem conhecer. No ano seguinte, quando conquistou o primeiro título do Brasileirão pelo Cruzeiro, Marcelo foi eleito pela própria CBF o melhor técnico do campeonato.

A conquista do bicampeonato pelo Cruzeiro comandado por Marcelo Oliveira, neste último domingo, com duas rodadas de antecedência, ao derrotar o Goiás por 2 a 1, no mesmo Mineirão onde a seleção de Marin e Felipão sucumbiu, não aconteceu por acaso. O sucesso dele vem de longe, como dizia o velho Brizola, desde os tempos em que Marcelo Oliveira era atacante do Atlético Mineiro, jogando sob o comando do grande mestre Telê Santana, para mim o melhor técnico da história do futebol brasileiro. Teve com quem aprender.

Artilheiro, buscando sempre o gol, como os times dirigidos por ele, o jogador Marcelo Oliveira chegou à seleção e, depois de rodar por outros times, voltou a Minas para ser hexacampeão mineiro pelo Atlético, mesmo clube onde começou, nas equipes de base, sua carreira de treinador vitorioso.

De Minas, o técnico foi para o Paraná, onde levou o modesto time do Coritiba à final da Copa do Brasil e à disputa da Copa Sul-Americana, depois de se sagrar bicampeão estadual. Chegou a completar mais de 100 jogos pelo time, antes de despertar o interesse de Gilvan de Pinho Tavares, presidente do Cruzeiro, que ficou encantado com o futebol bonito e eficiente do Coritiba, e o levou de volta para Minas, no final de 2012.

Foi ali que o glorioso Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes começou a se tornar novamente, de longe e de forma incontestável, o melhor time do futebol brasileiro. Ao contrário de Gilvan, porém, a CBF preferiu chamar, primeiro, Felipão, já com o prazo de validade vencido, para o lugar de Mano Menezes e, depois da Copa, reinventou o inacreditável Dunga como técnico da seleção brasileira, com a missão de viajar pelo mundo em busca de jogadores e de uma fórmula mágica para esquecermos os 7 a 1 que levamos da Alemanha.

Por que será? É simples explicar: em Dunga e no supervisor Gilmar Rinaldi, eles podem mandar, e colocar a seleção a serviço dos seus interesses e das suas vaidades, enquanto técnicos como Marcelo Oliveira e Muricy Ramalho, por exemplo, donos de caráter e personalidade fortes, jamais admitiriam interferência em seu trabalho. Exatamente por isso, Muricy já foi campeão brasileiro três vezes consecutivas pelo São Paulo, o segundo colocado na atual disputa, e Marcelo acaba de conquistar o bicampeonato com o Cruzeiro.

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